Incrível a transformação dos robôs e as delirantes batalhas travadas em plena luz do dia. O trabalho feito pela Industrial Light And Magic, de George Lucas, é perfeito. O acabamento digital foi tão apurado que o tempo de processamento de cada frame durou cerca de 38 horas, foram mais de 18 meses só para fazer os efeitos especiais.
Mesmo com tantos apelos técnicos, entendo que isso só representa metade de um filme desse estilo. Os outros 50% ficam para a destreza do diretor em trabalhar com atores limitados, roteiro ruim e apelação comercial. Nesse quesito, aplausos para Michael Bay. Criticado por "Armageddon" (1998) e "A ilha" (2005), o diretor ganhou em Transformers reconhecimento de público e crítica especializada.
Antes que consigam entender o que está acontecendo, Sam e sua (quase) namorada Mikaela (Megan Fox, pausa para respirar) se vêem bem no meio do confronto dos robôs gigantes. E, depois de conhecerem os Autobots, compreendem o verdadeiro motivo: o garoto guarda consigo a chave de um segredo que pode ser a única chance de sobrevivência da humanidade.
Eu cresci na década de 80, lembro bem dos bonequinhos robôs da Hasbro. Carros, motos e até aviões. Eu colocava os robôs para duelarem arremessando uns contra os outros. Uma quebradeira só. O barato era depois, remontar a carcaça dos coitados. Acho que Michael Bay & Cia fizeram a mesma coisa: remontaram Transformers, tornando-os, mais uma vez, ícones de consumo.
No filme eu contei umas 30 marcas. Entre elas: HP, General Motors, Nokia, Burger King, Camaro, eBay. Aliás, eBay é fundamental para o filme. Os Transformers aprenderam nossa língua e costumes através da World Wide Web. Século XXI meus amigos. O próprio produtor diz ser muito normal a presença de tantas marcas no filme. Ele pergunta: "na vida real não é assim? por que no cinema seria diferente?" O merchandising também é pop.
Mas isso não quer dizer que o filme é pró-Bush. As críticas ao governo são apimentadas, como a idéia do ataque surpresa à Coréia do Norte e China, além dos "profundos" segredos guardados pelos militares. Enfim. Produzido por Steven Spielberg e com tanto dinheiro envolvido, Transformers nasceu para brilhar. Ao final, a sensação é que o filme conseguiu capturar a essência da brincadeira infantil: salvar a terra e morrer de rir.
Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.
Outros posts sobre o assunto:
- Transformers - O Lado Oculto da Lua: um traumático experimento pavloviano mecanicamente programado (20/08/11)
- Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados: sem história, a brincadeira perdeu a graça (12/10/09)
- A Ilha, o melhor filme de ficção científica desde "Matrix" (06/07/06)