Mostrando postagens com marcador Faroeste. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Faroeste. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 às 11:24

0 [+]

Os Invencíveis: um faroeste sul-coreano com direito a carros, motos e metralhadoras

Os InvencíveisDepois de ter assistido "Sukiyaki Western Django" (leia a resenha) e ter gostado muito de todo o filme, nada mais natural do que assistir Os Invencíveis (Joheunnom Nabbeunnom Isanghannom / The Good, the Bad, the Weird, 2008). Pra mim deve ter alguma relação com o filme "The Good, the Bad and the Ugly", western italiano de 1967, mas que infelizemente eu nunca assisti. Existe também uma música de bem popular composta por Enio Morricone, que tem o mesmo nome desse filme.

Esse foroeste sul-coreano é levado mais a sério na escola de cinema macarrônico italiana, repleto de cenas cômicas durante os tiroteios. Para mesclar ação e comédia, podemos colocar também um tempero insólito fruto da influência do cinema de Hollywood.

A trama que sustenta o filme não é seu forte, pois a história se baseia na disputa por um mapa entre o exército e uma organização de independência da Manchúria, que acreditava conter o local de um grande tesouro. Por isso logo no início do filme somos apresentados ao mapa e todo a recomendação de que ele seja entregue a Kanemaru. Paralelamente esse mesmo personagem arquiteta o roubo do mapa por Park Chang-yi (Byung-hun Lee).

Na outra ponta da trama o exército revolucionário contrata um caçador de recompensas para interceptar o roubo do mapa e prender Park Chang-yi. O nome desse caçador é Park Do-won (Woo-sung Jung), com dois personagem com nomes parecido seria melhor se eles se chamassem Zezim, Chico ou Maneco, porque algumas vezes a pessoa chega a ficar confusa com os nomes.

Os InvencíveisOs Invencíveis

Na eletrizante cena do roubo do mapa há uma grande sincronia entre a ação e a trilha sonora. O grande problema é o áudio das armas, que não ficou muito real. Mas esse detalhe não prejudica muito. Nessa cena surge outro personagem importante da trama: Yoon Tae-goo (Kang-ho Song), que (por acaso do destino e por ser um reles ladrão barato) consegue chegar à frente dos inimigos e roubar o mapa.

Um diferencial em Os Invencíveis é que apesar de ser um western ele não é fiel ao tema. Além dos tradicionais cavalos, trens, botas e chapéus, temos também carros, motos e metralhadoras. Mesmo nessa atmosfera modernosa, o filme é classificado como western, o que mostra que um gênero antigo pode ser renovado sem muito exagero.

Mesmo com bons personagens e algumas ótimas cenas de ação, a história de Os Invencíveis não convence. Em momentos a narrativa fica muito chata, sumindo completamente o teor cômico. Na segunda metade do filme se perde e não se encontra mais. Talvez o ponto forte seja o perfeito encaixe entre boa música e boas imagens. O problema é que somente isso não segura um filme de longas duas horas. Nota 2/5

Clique em play para ver o trailer:

quinta-feira, 20 de novembro de 2008 às 14:57

2 [+]

Sukiyaki Western Django: o velho bang-bang com nova roupa

Sukiyaki Western DjangoO oriente prova novamente que sabe fazer filme e tráz à tona um gênero que estava sendo pouco explorado nessas últimas décadas, revivendo a história de Django, um western espaguete de 1966 e fazendo ponta na história Quentin Tarantino, cidadão que considero um monstro por participar de projetos que incluem referências a filmes antigos do cinema mundial.

É o que acontece com Sukiyaki Western Django (Sukiyaki Western Django, 2007), um filme que conta a disputa das gangues vermelha e branca por um tesouro escondido. Nesse início acontece cenas fantásticas quando um estranho surge na cidade e é forçado pelas gangues a escolher um lado. Numa parte o estrangeiro e uma avó, que cuida do neto que teve o pai assassinado pelos vermelhos, na outra a mãe que se alia aos brancos, tornando-se uma espécie de cortesã do líder.

O longa faz referências ao clássico italiano "Por um Punhado de Dólares" (1966), filme esse que eu não assisti. A trama se desenvolve explicando o surgimento de Django, um herói que vaga pelas cidades arrastando um caixão e dentro dele reside uma potente metralhadora. Seu espírito justiceiro é explicado pela morte de seus pais quando era uma criança.

Sukiyaki Western DjangoSukiyaki Western Django

Sukiyaki Western Django é de certa maneira uma releitura do gênero, pois o herói que vinga e mata todos, peculiar dos filmes de western, não existe e estão todos os personagens em pé de igualdade lutando para sobreviver ou para dominar a região e no meio da guerra os outros personagens tem que escolher que lado lutar.

Sukiyaki Western Django tem uma boa fotografia, cenas eletrizantes e pitadas de comédia. Escrito por Takashi Miike e Masa Nakamura, dirigido por Takashi Miike, o filme é um western que trás toda a cultura japonesa embutida e um modo de história com várias vertentes. Nota 3/5

Atualização em 15/08/09: O nome desse filme no Brasil é "Sukiyaki Western Django".

Clique em play para ver o trailer:

Daniel: Sukiyaki Western Django deve ser bem legal mesmo. Fiquei até surpreso quando os caras do Massaroca (quadro do programa Metrópolis da TV Cultura) recomendaram o filme. Veja o vídeo:

sábado, 2 de agosto de 2008 às 22:36

0 [+]

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford: muito tempo até chegar ao título

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert FordO Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James for the Coward Robert Ford, 2007) não ganhou nada do Oscar e no Globo de Ouro. Infelizmente para o faroeste não existem as categorias: Maior Título e História Mais Demorada. As 2 horas e 40 minutos de filme parecem uma eternidade, fazendo desse o faroeste mais chato que já assisti.

Não que eu esperasse algo diferente, já havia lido críticas que o longa focava o conflito psicológico dos personagens. Mas poxa, o que esperar de um filme sobre Jesse James? O primeiro grande "herói" americano. E o título do filme, coisa fantástica, entregando o desfecho da história de graça e nos atraindo ao cinema. O problema é que enredo e título funcionam como iscas. Tal como peixes, o anzol corta-nos a boca e fere nossa paciência.

Jesse James (Brad Pitt) ficou conhecido por seu carisma e imprevisibilidade. Suas histórias rapidamente ganhavam as páginas das revistas e tornavam-se lendas, fazendo do pistoleiro o mais notório fora-da-lei da América. O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford caminha em passos lentos, buscando entender a pressão psicológica exercida sobre o "herói" quando esse descobre que seus inimigos, ávidos por glória e fortuna, haviam se lançado numa corrida em sua captura.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford      O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

Tudo bem que é legal vê um cara poderoso feito Jesse James sozinho, tendo que declarar guerra a todos os inimigos de uma só vez. Para melhorar, ele é pego de surpresa quando percebe que a maior ameaça à sua vida vem do homem em que mais confiava, Robert Ford (Casey Affleck). Mesmo sem adrenalina, a história até que é interessante. Pena que tenha faltado capacidade de edição e compactação. Daria para fazer um filme duas vezes melhor na metade do tempo. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 5 de janeiro de 2008 às 12:59

0 [+]

Os Indomáveis: um duelo de princípios em que é impossível sair moralmente vivo

Os Indomáveis (3:10 to Yuma, 2007) é uma refilmagem do faroeste "Galante e Sanguinário" (1957), baseado em história de Elmore Leonard originalmente publicada na revista Dime Western Magazine, em 1953. Nem sei quanto tempo faz meu último western. Acho que foi "Maverick" (1994) com Mel Gibson e Jodie Foster [se é que esse pode ser levado em conta].

Mas ao contrário dos faroestes que apareceram nos últimos 15 anos, Os Indomáveis volta às origens. Nada de comédia pastelão e heróis engraçadinhos. A conversa aqui é de homem pra homem. No filme, Daniel Evans (Christian Bale) é um fazendeiro que sofre com a estiagem prolongada. O cidadão vive num pequeno rancho com a mulher e dois filhos. Luta para sobreviver meio às dívidas e pressões para ceder suas terras à construção de uma estrada de ferro.

      

Num dos acasos da vida, Dan cruza o caminho da quadrilha de saqueadores chefiada por ninguém menos que Ben Wade (Russell Crowe), o mais temido pistoleiro do Velho Oeste. Pouco depois Ben Wade é pego de calças curtas e acaba sendo preso. Mas não dá para simplesmente matá-lo, o cara é um mito. Ele precisa ser levado até o tribunal de Yuma, no Colorado. Por 200 dólares Dan se oferece para participar da comitiva que acompanhará o fora-da-lei.

Um a um o grupo vai se esfacelando. Ao chegar no destino, Dan e os sobreviventes são surpreendidos pelo bando de Wade, temporariamente liderado por Charlie Prince (Ben Foster). É o início de uma grande batalha de pistolas e espingardas. Destaque para a interpretação debochada feita por Russell Crowe. O bad boy imprime uma dinâmica inovadora na interpretação do vilão sanguinário. Destaque também para a forte atuação de Christian Bale e, principalmente, Ben Foster, bandido na verdadeira acepção da palavra.

            

Os Indomáveis é um clássico faroeste: roupas estilosas, saloon, dançarinas de can-can, xerifes, tiroteios sobre cavalos, trem fumaçento, cidadelas de madeira, chapéus que nunca se perdem, chacinas, demonstrações de habilidade no gatilho. Só faltou um duelo final com aquela tradicional contagem dos passos, gravetos voando ao vento e bangue-bangue. A participação dos índios Apaches também é diminuta, apesar de politicamente incorreto, poderiam ter explorado mais esse tema.

As aventuras de Ben Wade provam que é preciso muito mais que balas para se formar um mito. O pistoleiro imoral deixa um legado de honradez, cavalheirismo e conduta ética. A prova máxima do que digo é a forma como Wade ajudou a transformar Dan Evans em herói. Surpreendente. Os Indomáveis, vivo ou morto, ninguém consegue sair do jeito que entrou. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.