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quinta-feira, 16 de agosto de 2012 às 18:38

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O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida: uma distopia psicodélica sobre ativismo ambiental

Nota 2/5
O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida
Dizem que toda pessoa carrega três missões ao longo da vida: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. A primeira vez que escutei isso estava na altura de meus 10 anos. Sem idade para filhos e conteúdo para livros, resolvi plantar uma mangueira. Em pouco tempo as ramificações ornamentavam a frente de minha casa. Era um orgulho. Mas ao longo dos anos as raízes começaram a invadir a casa. Um dia, quando cheguei da escola, a pobre mangueira havia sido derrubada. O vazio deixado desconfigurou a imagem sentimental que tinha de minha casa.

Ficou a lição: uma árvore é tão importante quanto qualquer outra vida. E é justamente essa a ideia que a animação O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida planta em nossa mente. O tal "Lorax" é um defensor da natureza. Originalmente a história é baseada no conto homônimo de 1971, escrita por Dr. Seuss, um popular escritor e cartunista americano. O filme é uma distopia clássica, bem ao estilo do livro "1984" de George Orwell. A estrutura é a mesma: uma cidade isolada, um ditador totalitarista e um regime opressor. Tudo é que chega ao cidadão é controlado e artificial.

O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida

domingo, 6 de novembro de 2011 às 10:48

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Kung Fu Panda 2: a melancólica jornada espiritual do urso adotivo

Nota 2/5
Kung Fu Panda 2
Um dos temas mais interessantes da biografia do Steve Jobs é a relação entre ele e sua família biológica, especialmente com o pai. Depois de muito tempo procurando, ele localizou o pai, mas não fez contato. Decidiu não revelar o assunto. Mesmo depois da história se tornar pública, não quis conhecê-lo pessoalmente. Histórias assim sempre emocionam pelo trauma do abandono, da rejeição. Porém, acima dessa mágoa existe uma ânsia, um desejo incontrolável em descobrir quem somos e de onde viemos.

Funciona assim com os homens. Funciona assim com os pandas. A prova é o herói de Kung Fu Panda 2. Filho adotivo, nesse filme ele terá que superar feridas do passado, perdoar os pais e conseguir a sua "paz interior". Não será fácil. Sem ela, nem mesmo o Grande Dragão Guerreiro terá forças suficientes para derrotar centenas de lobos selvagens, destronar o poderoso herdeiro do pavão clã governante da cidade dos mestres chineses e impedir que o terrível canhão de pólvora conquiste o mundo.

Kung Fu Panda 2 Kung Fu Panda 2

sábado, 31 de julho de 2010 às 15:27

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Igor: filho bastardo de Frankenstein, animação passa longe do carisma original

Nota 1/5
Igor
Frankenstein, romance da escritora britânica Mary Shelley, é uma das obras mais influentes de todos os tempos. Quase dois séculos após a publicação da clássica versão de 1831, o terror gótico do Moderno Prometeu continua despertando a imaginação de nossos artistas. A história do monstro incontrolável que ganha vida a partir de matéria morta, representa um amálgama de muitos dos nossos medos. Talvez por isso faça tanto sucesso.

Igor (Igor, 2008), animação da Europa Filmes numa parceria entre EUA e França, é um exemplo da força do moderno Frankenstein. Dirigido por Anthony Leondis com roteiro de Chris McKenna, o filme usa o mito como pano de fundo para uma história controversa. Na briga pelo Oscar 2009, Igor se passa em uma cidade amaldiçoada por uma eterna tempestade. Administrada por uma monarquia absoluta, o evento mais significativo do lugar é um concurso anual de invenções malignas. A comédia gira em torno da briga por esse prêmio.

Igor Igor

terça-feira, 15 de dezembro de 2009 às 20:00

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Up - Altas Aventuras: a emocionante odisséia romântica de um velho rabugento

Up - Altas AventurasVocê sabe quando um jovem se torna velho? Alguns dizem idade, cabelo branco, dor nas costas. Eu não sei ao certo, mas se pudesse apontar um único fator diria filosofia de vida. Ela é quem responde por nosso destino, sonhos, projetos, certezas, manias e tolices. Essa bússola semiótica lentamente transforma o espírito aventureiro das crianças numa velha cartilha dogmática. E assim nascem os velhos.

Na animação Up - Altas Aventuras (Up, 2009), o protagonista Carl Fredricksen (voz de Ed Asner) – um vendedor de balões de 78 anos – nos ajuda a compreender esse processo de forma lúdica e emocionante. Desde pequeno ele tinha um sonho: conhecer as florestas da América do Sul. Mas a vida lhe apresentou outros planos. Casou. Não pôde ter filhos. Vivia de forma simples, porém feliz

Up - Altas Aventuras Up - Altas Aventuras

quarta-feira, 18 de março de 2009 às 00:10

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Valsa com Bashir: violento e extremista, os horrores da guerra no olho mágico da animação

Valsa com BashirNossa memória é engraçada. De alguma forma ele consegue guardar certos acontecimentos por toda vida. Por outro lado, a grande maioria dos fatos é simplesmente apagada. Quais os critérios que o cérebro usa para decidir o que merece ser arquivado e que vai para a lixeira? A animação israelense Valsa com Bashir (Valse avec Bachir, 2008) explora um pouco o assunto. O filme começa numa conversa de bar entre amigos. Ari Folman (diretor e personagem principal do longa) comenta sobre um sonho recorrente. Nele 26 cães raivosos o perseguem sem parar.

Os dois concluem que o fato deve estar ligado à experiência de ambos no exército israelense durante a Guerra do Líbano nos anos 80. Ari surpreende-se por não conseguir lembrar nada a respeito deste período de sua vida. Para tentar resgatar sua memória e descobrir a verdade sobre os acontecimentos, ele procura todos os seus amigos da época para entrevistá-los. O filme tem um estilo meio documental, com personagens se revezando em tela para contar sua versão dos fatos.

Depois dos acontecimentos no início desse ano, a temática não poderia ser mais oportuna: guerra entre Líbano e Palestina. O homem que nos convida para a valsa do título é Bashir Gemayel, um dos principais comandantes das Falanges Libanesas, uma milícia cristã de extrema-direita apoiada por Israel. Ele liderou várias campanhas militares contra as tropas sírias. Com 35 anos ele foi eleito presidente do país. Em 1982, dias antes de assumir o poder, foi assassinado, vítima da explosão de uma bomba em Beirute.

Valsa com BashirValsa com Bashir

Valsa com Bashir apresenta com brilhantismo a forma como as pessoas tratavam esse homem, herói, quase um semideus. Suas fotos estão em todos os muros e casas. Lembrei muito do Big Brother de George Orwell. O que se viu no pós-morte foi um massacre de civis palestinos como vingança pela morte do seu líder. Embora Israel não tenha participado, vários jornalistas presentes afirmam que o exército israelita sabia exatamente o que estava acontecendo nos campos de refugiados.

Valsa com Bashir é forte. Pra mim um dos melhores filmes do ano. Não por acaso venceu o Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar. Embora violento e extremista, acho que as escolas deveriam avaliar a possibilidade de repassá-lo aos alunos do ensino médio. Mostrar os horrores de uma guerra civil no olho mágico da animação foi uma idéia excelente. Acho que conseguimos caminhar mais um degrau nesse segmento artístico. Tudo isso sem perder a beleza e dinamicidade.

Valsa com BashirValsa com Bashir

Talvez o grande mérito do filme tenha sido justamente montar um quebra-cabeça de fragmentos surreais sob forma de história verídica. Sem nunca parecer chato ou divertido, a animação consegue nos fazer entender a forma como a guerra é capaz de mudar a vida de a viu com os próprios olhos. O resultado é diverso, mas na grande maioria das vezes o cérebro entra em choque, em alguns casos acaba até inventando memórias falsas para tapar os "buracos negros" de acontecimentos reais.

Além dos méritos técnicos, principalmente em relação à fotografia espetacular e a trilha sonora punk rock perversa e incrivelmente contagiante, Valsa com Bashir tem uma ótima história. De forma bem cadenciada, o filme revela o medo dos soldados diante da guerra. Alguns fogem, outros enlouquecem, uns ficam estáticos, muitos simplesmente observam. Parece que cada homem tenta enxergar a guerra através de uma janela imaginária, como se aquilo não os atingisse. Provavelmente esse seja o "remédio" para subir num tanque e invadir vilarejos matando todos indiscriminadamente. O final termina com imagens reais, mostrando que apesar de seu uma animação, nada do que foi mostrado é brincadeira. Uma muralha de corpos espalhados pelas ruas e becos. Choca e destrói qualquer esperança num mundo melhor. Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 00:01

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Bolt - Supercão: mesmo infantil e sonolento, uma boa lição sobre quem realmente somos

Bolt - SupercãoAdoro filmes de animação. Acho que esse será o legado de nossa geração à sétima arte. Nesse ano, por exemplo, estão na briga pelo Oscar "Wall-E" (leia a resenha), "Kung Fu Panda" (leia a resenha) e Bolt - Supercão (Bolt, 2008). Três filmes apenas. Não entendo porque a Academia não põe lista quíntupla, como faz com as outras categorias. Com isso ficam de fora bons filmes como "Horton e o Mundo dos Quem!" (leia a resenha), "Igor" e "Madagascar 2 - A Grande Escapada". Mas verdade seja dita, só quem faz filmes realmente diferenciados é Pixar e DreamWorks. Ainda assim a lista merecia ser maior, é injusto somente três.

Mas já que a lista é pequena, Bolt - Supercão não merecia constar. O começo até diverte com o clima da série "24 Horas" (o cachorrinho é o próprio Jack Bauer). Mas de maneira geral o filme é chato, infantil e sonolento. Essa é a primeira animação longa-metragem da Walt Disney concebida e produzida inteiramente em formato 3D. "O Galinho" e "A Família do Futuro" (leia a resenha), lançados anteriormente neste formato pelo estúdio, foram convertidos para 3D após serem concluídos. Talvez Bolt seja um filme legal em três dimensões, mas em 2D é muito "ruim". É sempre bom colocar aspas nesse ruim porque provavelmente não faço parte do público-alvo. Aposto que as crianças vão adorar as cores e a dinânima da história.

Bolt - SupercãoBolt - Supercão

A história é centrada em Bolt (voz de John Travolta), um cachorro-ator protagonista de uma série de TV. O personagem canino possui superpoderes, como latidos supersônicos e raios oculares (como os do Superman). Sua companheira é a humana Penny (voz de Miley Cyrus), com quem vive diversas aventuras. Entretanto, Bolt não sabe que o mundo que o cerca é falso. Sua vida é uma grande fantasia criada pela equipe de produção do seriado, acreditando que realmente possuir dons especiais. Quando Penny é sequestrada pelo vilão Dr. Calico (voz de Malcolm McDowell) num dos episódios, Bolt entra acidentalmente no baú de caminhão rumo à Nova York. Ele então é apresentado à vida real.

Parece um pouco com o mito da "Caverna de Platão", em que Sócrates compara nosso mundo cotidiano a um abrigo subterrâneo. Nessa caverna viviam crianças, tendo as pernas e o pescoço acorrentados de modo que não poderiam mover-se. Eles apenas viam o que estava à sua frente. Perto deles uma grande fogueira projetava suas sombras na parede, fazendo-as acreditar que o mundo real era feito de sombras. Bolt - Supercão não chega perto de tamanha filosofia, mas é uma boa lição sobre quem realmente somos. Meus defeitos, fraquezas e imperfeições definem meu caráter. Neles devo me apoiar para enfrentar a vida real. Uma valiosa lição para a criançada em tempos de competitividade exacerbada e superproteção paterna. Nota 2/5

Confira o trailer dublado clicando no botão play da imagem abaixo.

Qual nota você dá para o filme?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008 às 08:58

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Resident Evil - Degeneração: um entediante joguinho de valores morais e monstros bizarros

Resident Evil - DegeneraçãoAté hoje nenhuma adaptação de videogame deu muito certo cinema. Sendo muito bonzinho poderíamos citar "Mortal Kombat" (1995), "Lara Croft: Tomb Raider" (2001) e "Terror em Silent Hill" (2006) como exceções. Porém, ao que parece, a coisa começa a mudar. O sucesso de "Max Payne" (leia a resenha) está fazendo muita gente vislumbrar uma parceria duradoura entre games e cinema. Aos poucos a lógica dos jogos virtuais é destravada. Provavelmente num futuro próximo teremos um grande filme do gênero.

Resident Evil - Degeneração (Resident Evil: Degeneration, 2008) é a nova aposta da parceria entre Sony Entertainment e Capcom. Depois de três filmes com atores reais, o novo longa da série "Resident Evil" é todo feito em computação gráfica, usando a mesma técnica de captura de movimentos vista em "A Lenda de Beowulf" (leia a resenha). O resultado é bem convicente, embora tenha percebido uma má sincronia entre voz e movimentos labiais dos personagens e certa artificialidade durante todo o filme.

Resident Evil - DegeneraçãoResident Evil - Degeneração

Resident Evil - Degeneração começa com um ataque bioterrorista no Aeroporto Harvardville. Um avião comercial cai bem no meio do saguão onde desembarcam centenas de pessoas, entre elas Claire Redfield (voz de Alyson Court), que está envolvida com a causa associada à ONG Terra Save. Os passageiros sobrevivem à queda, mas todos foram contaminados por um vírus que os transformou em zumbi. É quando entra em cena a equipe da SRT (Special Response Team), comandada por Angela Miller (voz de Laura Bailey) e Leon S. Kennedy (voz de Paul Mercier).

A primeira parte da trama até que diverte, mas quando os zumbis dão lugar a um gigantesco monstro bizarro, Resident Evil - Degeneração fica entediante. Bom mesmo só o pequeno mistério sobre as boas intenções da empresa farmacêutica Umbrella. Afinal, quem estará por trás do incidente? O joguinho político com os valores morais da protagonista nos faz pensar sobre verdades e mentiras que nos apegamos. Mas é muito pouco para um game com tantos fãs. Mesmo assim a franquia vai continuar. Azar o nosso. Nota 1/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

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terça-feira, 4 de novembro de 2008 às 04:34

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Wall-E: aproximando diferenças numa comovente e romântica animação futurista

Wall-ESó de sacanagem experimente dizer a uma criança que o futuro do planeta é sombrio. Diga que tudo que tem vida será devastado, incluindo as plantas, os animais e os pokémons. Não haverá mais nada por aqui, apenas um emaranhado de lixo e poeira. Para que ela não fique tão triste, explique que os humanos sobreviventes irão para um cruzeiro espacial. Por 700 anos as máquinas farão todas nossas tarefas. Não precisaremos sequer nos levantar, ficaremos sentados, comendo e conversando por videoconferência. Mas não iluda o pequeno infante, seremos infelizes, dominados, escravos mentais.

Por mais louco que pareça, Wall-E (Wall-E, 2008), nova obra-prima da Walt Disney/Pixar, fala disso. Uma tremenda distopia! Pinceladas de um futuro imaginado por Aldous Huxley no livro "Admirável Mundo Novo" (leia a resenha). Os humanos vivem numa colônia em que tudo é controlado: os bebês são fabricados em linhas de produção, a educação das crianças é opressiva, até a roupa que vestem é padronizada. O lugar é dominado pelas máquinas, não há esforço físico ou intelectual, os humanos recebem tudo de mão beijada, não conseguem nem caminhar sem ajuda dos robôs.

Wall-E      Wall-E

Wall-E também passeia pelo clássico da ficção científica "2001 - Uma Odisséia no Espaço" (1968), do escritor Arthur C. Clarke, adaptado para o cinema por Stanley Kubrick. O filme empresta sua trilha sonora para a cena em que os humanos voltam a caminhar, desligam os robôs e tomam o controle da nave. O robô-vilão Auto (voz de Sigourney Weaver) de Wall-E é outra referência. Ele correspondência ao computador HAL 9000, personagem da odisséia espacial. Mas o que me chamou atenção foi a semelhança estética entre Wall-E e o robô Número Cinco, personagem do filme "Short Circuit - O Incrível Robô" (1986), figurinha fácil na Sessão da Tarde. Até o pôster é idêntico.

A história de Wall-E se passa no ano de 2815. A Terra está totalmente poluída, gases tóxicos impedem a existência de qualquer tipo de vida. A humanidade deixou o planeta e passou a viver na gigantesca nave espacial chamada Axiom. Não é de espantar que a nave tenha esse nome. Os antigos filósofos gregos viam um axioma como algo que pode ser considerado verdadeiro sem que fosse necessária qualquer demonstração. A nave representa exatamente isso, os humanos não precisam pensar, os robôs fazem isso por eles. Prometeram que o retiro duraria poucos anos, período em que limpariam o planeta, mas a realidade foi outra.

Wall-E      Wall-E

Séculos depois, a última dessas máquinas-gari é Wall-E (voz de Ben Burtt), um robozinho duro na queda. Resistente feito sua amiga barata, ele é bem mais que um simples pedaço de lata. Wall-E tem personalidade, variações de humor, é apaixonado por filmes românticos, música, dança. Perde horas na frente da TV assistindo ao musical "Hello, Dolly" (1969), estrelado por Barbra Streisand e Walter Matthau. E mesmo falando apenas duas palavras durante todo o filme, Wall-E consegue emocionar e divertir. As expressões corporais, principalmente através dos olhos e das mãos, transformam Wall-E numa espécie de Charles Chaplin versão enlatada.

Mesmo sozinho na imensidão do planeta, Wall-E não desiste e continua sua tarefa de triagem e compactação do lixo. Essa é umas das partes mais engraçadas do filme. Enquanto faz seu metódico trabalho, o robozinho separa alguns trecos curiosos para guardar em sua casa. Vários desses objetos nos remetem para os símbolos da década de 1980, tais como: o colorido Cubo Mágico (quebra-cabeça tridimensional), o plástico bolha (ferramenta desestressante), as fitas VHS (sistema de gravação de áudio e vídeo) e até o "Tênis para Dois" (rudimentar joguinho monocromático, considerado o primeiro vídeo-game).

A vida de Wall-E muda completamente quando uma nave desembarca na Terra trazendo uma nova e moderna robô-fêmea chamada Eva. Logo Wall-E se apaixona pela explosiva e temperamental robozinha. O processo de aproximação é de uma delicadeza ímpar, principalmente porque Eva é bem mais poderosa que nosso amigo solitário. Os contrastes são evidentes: Wall-E é desastrado, sujo e obsoleto, enquanto Eva é moderna, elegante, branca feito um iPod. Ela também é sizuda, sempre focada em sua diretriz. Ele é espirituoso, descontraído, humilde, humano.

Wall-E      Wall-E

O filme todo é sobre o processo de aproximação dessas diferenças, uma comovente e romântica animação futurista. Gostei da história, mesmo tendo achado o início bem mais interessante e divertido. A segunda metade é nervosa, rápida demais, um contraste com a imensidão calma da Terra. O final é otimista. Os humanos descobrem que mesmo a Terra sendo um lixo, ela é nosso lar. Para completar, Wall-E deixa algumas perguntas à deriva: Por que os robôs ficaram tão fascinados pelo fogo? Qual o significado da pequena plantinha vivendo numa suja bota de operário? Onde estão os outros humanos que fugiram da Terra?

Wall-E chega para engrandecer a parecia entre Walt Disney e Pixar, dona do melhor catálogo de filmes dessa nova década: "Monstros S.A." (2001), "Procurando Nemo" (2003), "Os Incríveis" (2004), "Carros" (2006) e "Ratatouille" (2007). A animação encabeça a lista de melhores do gênero, sendo disparado o grande favorito ao Oscar no próximo ano. Wall-E da Pixar está um passo à frente de "Horton e o Mundo dos Quem!" (leia a resenha) da Blue Sky e de "Kung Fu Panda" (leia a resenha) da DreamWorks. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

Daniel: Como bônus o espectador tem a chance de conhecer "Presto", um curta-metragem da Pixar apresentado cinco minutos antes de Wall-E começar. Assista agora na íntegra:

quinta-feira, 30 de outubro de 2008 às 15:28

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Kung Fu Panda: transformando a milenar sabedoria chinesa numa divertida história de luta e superação

Kung Fu PandaMesmo sem nunca ter praticado artes marciais, lembro do gigantesco pôster do Bruce Lee estampado na parede de meu antigo quarto. Nele o mestre aparecia com punhos em riste e o peito cortado por garras, fotograma da clássica cenas dos espelhos no filme "Operação Dragão" (1973). Tragicamente esse foi o último trabalho completo de Bruce Lee, que morreu seis dias depois da estréia. Sua maior contribuição foi ter popularizado o Kung Fu (Wushu) no mundo ocidental. Desde então suas coreografias de luta e a filosofia de "lutar sem lutar" repousam nas páginas da história.

Kung Fu Panda (Kung Fu Panda, 2008), deliciosa animação da DreamWorks, é uma volta ao passado. O filme brinca com nossos estereótipos, colocando o gorducho urso panda Po (voz de Jack Black) para lutar contra o temido leopardo Tai Lung (voz de Ian McShane). É o mesmo mote usado na luta entre o magricelo Bruce Lee e a montanha de músculos Bolo Yeung. No final das contas, as duas histórias provam que a milenar arte do Kung Fu é um caminho para se alcançar o equilíbrio entre corpo e mente, ajudando os praticantes a superar obstáculos ditos impossíveis.

Kung Fu Panda      Kung Fu Panda

Po sabe bem o que isso significa. Ele é um urso panda desajeitado, que trabalha no restaurante de macarrão de sua família. Um dia ele é surpreendido ao saber que foi escolhido para cumprir a antiga profecia do "Guerreiro Dragão", tendo que lutar contra o violento leopardo Tai Lung para defender o Vale da Paz. Isso faz com que treine ao lado de seus ídolos no kung fu: Garça (voz de David Cross), Tigresa (voz de Angelina Jolie), Louva-deus (voz de Seth Rogen), Macaco (voz de Jackie Chan) e Víbora (voz de Lucy Liu), orientados pelo mestre Shifu (voz de Dustin Hoffman).

Além de ser um filme divertidíssimo, Kung Fu Panda é rico em referências e citações. O nome Shifu, por exemplo, significa mestre/professor, traduzindo do chinês. Os personagens KG Shaw e JR Shaw homenageiam os irmãos Shaw, que criaram diversos filmes de kung fu na década de 70. O estilo de luta dos integrantes dos personagens Macaco, Tigresa, Garça, Louva-deus e Víbora, é composto por técnicas de artes marciais baseadas nos próprios animais. Eles simbolizam algumas da infinidade de estilos do kung fu.

Kung Fu Panda      Kung Fu Panda

Isso sem contar as incontáveis mensagens de sabedoria repassadas pela tartaruga mestre Oogway (voz de Randall Duk Kim). "Sua mente é como essa água, quando está agitada, torna-se difícil enxergar. Mas se você permitir que ela se acalme, a resposta torna-se clara." Aconselhando o panda a superar o passado e parar de pensar no futuro, ele diz: "Ontem é história, amanhã é mistério. Mas o hoje é uma dádiva, por isso é chamado de presente." Outra boa reflexão veio da surpresa de todos com a revelação do segredo contido no pergaminho sagrado que prometia "poder ilimitado".

Grandes lições de um verdadeiro sábio. Mas pra a mim a cena mais comovente foi a morte do mestre. Diante do velho pessegueiro ele presenteia seu discípulo com a última lição: "Você só cumprirá sua missão quando se livrar da ilusão do controle. Olhe para esta árvore, eu não posso fazê-la florescer quando me convir, nem fazer que ela dê frutos antes que seja o tempo. Talvez possa, se estiver disposto a guiá-lo, nutri-lo e acreditar nele. Você só precisa acreditar." O mestre então se desfaz em folhas e ganha o céu como uma nuvem. Kung Fu Panda transformou a milenar sabedoria chinesa numa divertida história de luta e superação. Nota 4/5

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sábado, 30 de agosto de 2008 às 23:58

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Star Wars - The Clone Wars: uma pequena peça do infinito quebra-cabeça filosófico

Star Wars - The Clone WarsHoje fui ao cinema assistir à animação Star Wars - The Clone Wars (Star Wars - The Clone Wars, 2008). Desde que paguei 30 contos para visitar a minúscula exposição "Star Wars Brasil" (leia a resenha) me considero um grande fã da série. Dessa forma, não poderia deixar de pagar mais 14 míseros contos para assistir ao novo projeto de George Lucas. The Clone Wars prometia muito. Eu sempre considerei que "animação" e "Star Wars" nasceram um para o outro.

Como fui o primeiro a chegar ao cinema, deu para ficar bisbilhotando o perfil de todos que entravam. Para minha surpresa, eu era o único adulto desacompanhado da sessão. Impressionante o número de crianças, deve ser porque o filme era dublado. Teve até um cidadão que levou a mulher, o filho de cinco anos e um bebê! O pobrezinho do neném passou todo o filme chorando. Foi duro concentrar na história. As pessoas que estavam próximas mudaram todas de lugar.

O fato surpreende mais ainda porque a história contada em The Clone Wars é dirigida a um público bem específico. Para entender alguma coisa da animação é necessário que o espectador tenha assistido aos filmes "A Ameaça Fantasma" (1999) e "Ataque dos Clones" (2002), além da minissérie televisiva de animação "Guerras Clônicas" (2003-2005, leia a resenha). Cronologicamente, as novas histórias situam-se após o terceiro quarto da minissérie, momentos depois de Anakin se sagrar Cavaleiro Jedi, e pouco antes do gancho para os acontecimentos de "A Vingança dos Sith" (2005).

Star Wars - The Clone Wars      Star Wars - The Clone Wars

Complicado de entender, não acha? Imagine agora uma sala lotada de crianças que não dão a mínima para essas idiotices nerds, só querem correr e brincar. Porém, alguns especialistas dizem que George Lucas realmente fez The Clone Wars para essa meninada. Os caras classificam o filme como uma bela operação de marketing, visando o mercado do futuro. De certo que em outubro desse ano estreará nos EUA uma nova série de animação a ser exibida em cem episódios no Cartoon Network, continuando a história de The Clone Wars.

Mas vamos ao que interessa. O filme tem início com os generais Anakin Skywalker (voz de Matt Lanter) e Obi-Wan Kenobi (voz de James Arnold Taylor) comandando o exército de clones da República contra as forças Separatistas e seu infinito exército de andróides. No meio da batalha o recém-formado Skywalker conhece sua primeira aprendiz Jedi, a adolescente Ahsoka Tano (voz de Ashley Eckstein). Sem muita paciência para lidar com a impulsiva padowa, o jovem Skywalker reluta para assumir o papel de mestre.

Star Wars - The Clone Wars      Star Wars - The Clone Wars

Enquanto Skywalker e Ahsoka tentam se entender, as Guerras Clônicas varrem a galáxia e os sistemas vão cada vez mais sendo consumidos pelo lado negro da força. Numa jogada política Mestre Yoda (voz de Tom Kane) manda Skywalker para uma arriscada missão: resgatar o filhote do criminoso Jabba (voz de Kevin Michael Richardson) e usá-lo como peça de barganha para conseguir o apoio do Hutt à República, abrindo uma rota comercial no planeta Tatooine. O problema é que o seqüestro é uma armadilha de Conde Dookan (voz de Christopher Lee) para colocar Jabba contra os Jedis. Com isso os sabres de luz terão que se cruzar antes do pequeno voltar aos braços fedorentos do pai.

The Clone Wars é um filme legal, valeu a pena ter ido ao cinema. Deu para sorrir bastante com as muitas gracinhas dos droids e do próprio Obi-Wan. Porém, confesso que do meio pro fim, a história começa a ficar repetitiva. Eu já estava rezando para terminar logo a projeção. Isso porque o filme não acrescenta nada à mitologia da série. O próprio argumento da trama é ruim: resgatar o filho de um criminoso em troca de favores? Poupe-me. Também não gostei do desenrolar dos fatos, com o grande Jabba sendo facilmente manipulado pelas mentiras de Dookan. Difícil de acreditar, mesmo sabendo que o filme se passa antes dos acontecimentos da trilogia original.

Star Wars - The Clone Wars      Star Wars - The Clone Wars

Ao final, foi bom poder vivenciar os últimos momentos de Anakin como um jovem idealista. The Clone Wars tem o objetivo de aumentar nos fãs o sentimento de compreensão pela impetuosidade e vulnerabilidade do herói-vilão. O complicado é vê-lo conviver com uma adolescente, sabendo que em "A Vingança dos Sith" o cara irá assassinar todas as crianças aprendizes de Jedi. Mas é justamente por esse dualismo de sentimentos que gosto tanto de Star Wars, um quebra-cabeça filosófico em que cada lado mostra a cor de sua força. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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