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segunda-feira, 15 de setembro de 2008 às 12:02

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Onde Está Osama bin Laden?: a pergunta de milhões de dólares se transforma em documentário

Onde Está Osama bin Laden? (Where in the World is Osama bin Laden?, 2008) é o novo documentário de Morgan Spurlock, o mesmo diretor de "Super Size Me: A Dieta do Palhaço" (2004).

Não sou do tipo que gosta de assistir documentários, mas esse me pegou pelo título. Ao assisti-lo pensei que iria ver algo engraçado, ledo engano. O filme inicia uma linha cômica devido à trama de um pai querendo proteger seu filho, que ainda está em gestação, dos perigos do mundo de seu apartamento e sua cidade. Depois extrapola que o mundo com a ameaça terrorista não será muito seguro no futuro.

A idéia é mostrar um homem viajando pela Ásia atrás do fugitivo mais procurado do mundo. Isso lhe lembrou algum filme? Parabéns, a indústria de Hollywood tem toneladas de filmes com essa mesma seqüência de eventos. Morgan Spurlock inicia o planejamento da viagem preparando-se para sobreviver num ambiente hostil para qualquer norte-americano.

      

No documentário – que não deve ter saído barato – ele viajou pelo Egito, Marrocos, Israel, Palestina, Afeganistão e Arábia Saudita. Deixando uma mulher grávida em casa, o que a meu ver o transforma no homem mais corajoso do mundo. Saiu de uma zona de guerra para outra, no lado oriental do mundo (eu sei essa piada foi de péssimo gosto).

Durante a preparação da viagem tudo é muito engraçado. Onde Está Osama bin Laden? tem um desenvolvimento de deboche, mas ele vai além. Ao chegar às cidades onde ele gravou, somos inundados por imagens fortes, até mesmo para nós brasileiros, acostumados com nossas mazelas sociais. Somos também introduzidos à postura política americana para controlar os ditadores que governaram aquela região do mundo. Uma grande máxima da história é "estudar o passado para entender o presente e imaginar como será o futuro", seria então impossível desvincular o Oriente da histórica política externa americana?

      

E para suavizar um pouco todas as imagens fortes de pobreza, destruição e intolerância somos apresentados ao povo, que por obrigação vivem no meio da guerra. Apesar de tudo, eles tem esperanças que seus problemas sejam resolvidos e sabem que a religião é apenas o pretexto utilizado para o conflito. A maioria das pessoas querem paz, porém suas vozes ainda não ecoam, mas será que um dia ecoará?

É impossível assistir Onde Está Osama bin Laden? e não borbulhar perguntas em nossas mentes ou ficar extremamente pessimista. O diretor definitivamente souber impor um ritmo e uma linguagem própria. Não saberei fazer um paralelo com seu outro documentário do cineasta, porque não o assisti, mas deixo aberto nos comentários.Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007 às 02:27

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Sicko - S.O.S. Saúde: um coquetel-molotov fumegante na cabeça do Tio Sam

Sicko - S.O.S. Saúde (Sicko, 2007) é o novíssimo trabalho do extra-série Michael Moore, o responsável pelo histórico documentário "Fahrenheit 9/11" (2004). E como sempre, mais uma polêmica para o currículo do cineasta: um dossiê sobre o sistema de saúde pública dos Estados Unidos.

O resultado é um coquetel-molotov fumegante lançado bem no meio da cabeça do Tio Sam. Uma crítica ferrenha e bem arquitetada ao Império Yankee. Não serei cínico, confesso que senti certo prazer em vê o descontrole americano numa área tão essencial como a saúde.

O filme começa mostrando os truques usados por alguns americanos para receber atendimento em hospitais do Canadá. Depois Moore nos levar à Inglaterra. Na terra da Rainha ele conhece o Serviço Nacional de Saúde Britânico. Logo depois a viagem segue até a França. As descobertas de um americano em Paris chamam atenção pelas inúmeras diferenças em áreas como saúde, jornada de trabalho, férias e tudo que envolve "direitos sociais".

O xeque-mate foi levar alguns dos personagens do documentário (os doentes americanos) para buscar assistência médica gratuita em Havana, Cuba. Sensacional! O impacto simbólico desse aventura foi tão grande que o Departamento do Tesouro abriu uma investigação em relação a essa viagem. Uma clara demonstração de perseguição ao maior opositor do Governo Bush.

No longa Michael Moore diz que existem 50 milhões de norte-americanos sem seguro médico. "Eles rezam todos os dias para não ficarem doentes porque 18.000 deles morrerão neste ano, simplesmente porque eles não tem seguro". O cineasta faz revelações sobre as Companhias de Seguros de Saúde dos EUA, mostrando a forma como agem para aumentar seus lucros.

      

O sonho americano não é tão dourado como aparenta. Pessoas bem sucedidas falam no documentário que perderam tudo graças a tratamentos de saúde caros. Idosos de 80 anos muitas vezes são obrigados a trabalhar para poder comprar remédios que necessitam. Pessoas gordas demais ou muito magras são rejeitadas pelos severos critérios das Companhias de Seguro.

E o porquê de tudo isso? Num dos melhores momentos do filme, um estudioso traça uma visão perturbadora do controle social exercido pelo sistema para dominar a população. A distopia literária da década de 40, enfim, ganha corpo, torna-se real, Sicko nos mostra um futuro ainda mais opressivo e destruidor. A dominação não só ocorre diante de nossos olhos, como nós a validamos diariamente.

"Acho que a democracia é a coisa mais revolucionária do mundo. Mais revolucionária do que idéias socialistas ou de qualquer outra pessoa. Se tiver poder, ele é usado para prover as suas necessidades e as da sua comunidade. E esta idéia de escolha, de que o capital fala constantemente, 'tem que ter uma escolha', a escolha depende da liberdade de escolher. E se estiver coberto de dívidas, não tem liberdade de escolha.

Parece que o sistema beneficia se o trabalhador comum estiver coberto de dívidas. As pessoas em dívida perdem a esperança, e pessoas sem esperança não votam. Dizem que toda as pessoas devem votar, mas acho que se os pobres na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos, parecem que votassem em pessoas que representassem os seus interesses, seria uma verdadeira revolução democrática. E não querem que isso aconteça, por isso mantém as pessoas oprimidas e pessimistas. Creio que há duas formas nas quais as pessoas são controladas: em primeiro lugar, assustar as pessoas e em segundo, desmoralizá-las.

      

Uma nação educada, saudável e confiante é mais difícil de governar. E acho que há um elemento no pensamento de algumas pessoas, 'não queremos que as pessoas sejam educadas, saudáveis e confiantes, porque ficariam fora de controle'. 1% da população mundial detém 80% da riqueza. É incrível que as pessoas tolerem isso, mas elas são pobres, estão desmoralizadas, estão assustadas. E então, pensam que o mais seguro é seguir ordens e esperar o melhor."

Somos verdadeiramente livres? Por que o povo americano não faz nada? Medo do Governo? E no Brasil? Somos tão diferentes assim? Nossos hospitais funcionam? Estamos felizes com nossos Planos de Saúde? É possível uma saúde pública de qualidade? Ou isso é um sonho impossível para os brasileiros?

Sicko é uma belíssima demonstração de inteligência americana. Duas horas de revelações intrigantes, como a emblemática história do sujeito que perdeu dois dedos e teve que escolher apenas um deles para repor, já que não tinha o dinheiro suficiente. E como todo documentário de Moore, não podia faltar Bush falando asneiras. A diferença é que em Sicko o cineasta põe parte da culpa na imprensa: "Elas [TVs americanas] ajudaram o presidente Bush a mentir para o povo americano, não fizeram perguntas difíceis, são cúmplices de Bush". Pá pá pá, cuidado para não levar um tiro na testa. Nota 3/5

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sábado, 11 de março de 2006 às 01:44

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A Marcha dos Pinguins: vida de imperador não é fácil

A Marcha dos Pinguins (La Marche de L'Empereur, 2005) é um documentário francês que conta a saga dos pinguins imperadores para a procriação da espécie na Antártida. A produção venceu o Oscar 2006 como melhor documentário.

Dirigido por Luc Jacquet e com uma linda trilha sonora feita por Emilie Simon, o documentário é como se fosse um episódio do Discovery Channel dirigido por William Shakespeare. Romântico e trágico. Uma história de amor entre um casal de pinguins na luta pela sobrevivência de seu filhote. Sempre que vejo uma produção desse gênero me interrogo sobre a linha tênue entre humanos e os demais animais. Mais do que imagens, o documentário é sobre os valores humanos, amor, vida, traumas e morte. A sensacional mágica da natureza!

A versão americana conta com a narração de Morgan Freeman. No Brasil essa foi feita por Tony Ramos e Patrícia Pillar. No entanto recomendo a versão original em francês. Ah, esqueci de dizer que o documentário é como uma espécie de diário falado dos pinguins, eles "conversam" entre si. Muito legal! Nota 4/5

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