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domingo, 11 de novembro de 2012 às 11:51

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Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa: domesticação zumbi no caminho do bicho homem

Nota 4/5
Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa
Ir ao supermercado, levar as crianças à escola, pagar as prestações do carro. Pequenas atividades que em conjunto formam nossa rotina. E no exercício dessa dinâmica social, o homem se mantém em segurança e assume a condição de civilizado. Mas... e se não existisse essas regras? E se uma doença contaminasse os sete bilhões de habitantes do mundo, transformando todos os mortos em zumbis? Nesse caso, sobreviver não seria apenas uma reflexão filosófica; sobreviver seria o pão de cada dia. Pra mim é difícil imaginar que novo humano nasceria desse cenário.

Uma possibilidade está na história em quadrinhos Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa. Ela nos apresenta um cardápio de arquétipos do bicho homem forjados nos extremos entre razão e loucura. Aqui nesse ponto da saga, Rick e sua pequena comunidade estão estabelecidos em um presídio abandonado. No local encontram tranquilidade suficiente para voltar a sentir o gostinho humano das intrigas e vaidades. Momentos só abalados com a misteriosa queda de um helicóptero nas redondezas, obrigando a divisão da equipe e a descoberta do processo de domesticação zumbi.

O material diz respeito aos volumes mensais de 25 a 30 da premiada grafic novel "The Walking Dead", publicados originalmente nos EUA entre os meses de janeiro e agosto de 2006. Esse arco coincide com o início da terceira temporada do famoso seriado televisivo. O tom entre essas duas obras é o mesmo, porém com significativas diferenças de roteiro. Personagens mortos no programa da TV ainda vivem na HQ. O relacionamento entre eles também difere, assim como o humor/comportamento, como exemplo o da Lori. Mas realmente brutal é a discrepância entre os "Governadores", especialmente na introdução do personagem ao enredo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012 às 13:49

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Batman - O Filho do Demônio: a história que nos desafia a decifrar o mistério da paternidade do Cruzado Encapuzado

Nota 4/5
Batman - O Filho do Demônio
Desde o primeiro dia de nascimento de seu filho, o inglês Ian McLeod vem registrando fotos diárias do menino. Depois de 21 anos e mais de 7500 registros, esse disciplinado pai compilou tudo em um vídeo. Qual a explicação para tamanha dedicação? O que motivou esse homem? O que acontece conosco diante do nascimento de um filho? Não é difícil explicar. A experiência da paternidade reconstrói a escala de valores, tornando a vida linear, com missão, objetivo e estratégia bem definida: a segurança do filho.

Com a maioria das pessoas é assim. Mas com algumas é difícil imaginar a figura paterna. A grafic novel Batman - O Filho do Demônio tenta quebrar esse preconceito, mostrando que até os super-heróis se curvam diante do milagre da vida. Aqui a história central é a união de forças entre o Homem-Morcego e seu lendário inimigo Ra's al Ghul, contra um terrorista genocida chamado Qaym. Mas a grande trama é o romance de Bruce Wayne e Talia. É na união do morcego com o demônio que surge o laço eterno sob a benção de um filho: Damian.

Batman - O Filho do Demônio foi publicada originalmente nos EUA em 1987, tornando-se um clássico ao longo dos anos. A maior parcela do sucesso é atribuída ao texto de Mike W. Barr, que realmente construiu muito bem a história. Desde a primeira sequência -- em o herói salva uma mulher grávida -- até a última, há sempre uma conexão simbólica que nos leva à reflexão. Há também uma sagacidade cômica que salta aos olhos, como na recomendação de Batman: "Uma criança precisa dos pais. É terrível que tenha que crescer sozinha".

terça-feira, 24 de julho de 2012 às 21:54

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Superman #1 - Os Novos 52: nesse novo recomeço, o herói exige um exercício de paciência ao leitor

Nota 2/5
Superman #1 - Os Novos 52
Quase um ano após a publicação nos EUA, comprei a edição #1 do Superman. Quem poderia imaginar que uma série com mais de 70 anos fosse resetar a contagem. É realmente uma decisão muito polêmica, especialmente para os fãs que acompanham -- e colecionam -- as HQs da DC Comics. Eu não gosto de radicalismos, especialmente envolvendo personagens consagrados. Mas ao mesmo tempo entendo que a adaptação ao novo modelo de mercado (tablets), passa necessariamente por um reposicionamento de marca.

Em Superman #1 - Os Novos 52 temos a oportunidade de conhecer um homem de aço mais "homem" do que "aço". São três histórias. A primeira é "Qual é o preço do amanhã". Gostei da dinâmica na transição entre os quadros pela arte de Jesús Merino. O desenhista conseguiu desenvolver simultaneamente três ambientes -- incluindo flashbacks -- sem confundir o leitor. Méritos também para a densidade moral do roteiro de George Pérez.

Eles conseguiram transparecer a emoção da destruição do Planeta Diário. Ou melhor, a venda da marca para a megacorporação de Morgan Edge. Ele inclusive mudou o nome do veículo para RGP - Rede Global Planeta. Legal também foi a disputa entre as mídias na abordagem das notícias, retrata bem o momento que os veículos de informação estão vivendo hoje. O vilão é um alien flamejante um pouco confuso e sem propósito, mas gostei bastante do duelo.

sexta-feira, 6 de março de 2009 às 03:03

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Watchmen - Volume 4: celebrando a morte do herói com requintes de veracidade

Watchmen - Volume 4Finalmente a aventura chegou ao fim. Ao fim? Watchmen - Volume 4 (Via Lettera, 2005) contém os três últimos capítulos da graphic novel escrita por Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons e colorida por John Higgins. Muita coisa mudou desde 1987 (ano da publicação original): o muro de Berlim caiu, o Golfo entrou em guerra, a União Soviética desapareceu do mapa, o terrorismo recriou heróis e vilões. O mundo está diferente. Uma das poucas coisas que permaneceu intacta é o medo de um embate nuclear. As recentes rixas diplomáticas com a Coréia do Norte são provas disso. As consequências de uma explosão nuclear estão presentes na cabeça dos jovens, basta lembrar dos seriados de televisão "Jericho" e "24 Horas", que recentemente exploraram o tema. Nisso Watchmen não envelheceu. Dessa forma, é necessário olhar Watchmen de maneira cuidadosa, tentando se teletransportar para aquela realidade histórica da "revista em quadrinhos".

Talvez por falta dessa consciência o "Volume 1" (leia a resenha) tenha me decepcionado. Achei a HQ visualmente convencional. A leitura complicada. A temática forte demais para os quadrinhos: guerra, política, estupro, sexo e assassinatos. Watchmen parecia um panfleto ideológico pintado nas páginas de um gibi. É mais ou menos o que os caras hoje em dia têm feito com as animações computadorizadas. Assista ao filme israelense "Valsa com Bashir", concorrente a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar desse ano, que você irá entender. A partir do "Volume 2" (leia a resenha) comecei a entrar no jogo dos heróis aposentados. Mais do que a simples revistinha, Watchmen oferecia um requintado calhamaço histórico que muitas vezes me confundiu e outras assustou. O "Volume 3" (leia a resenha) explorou os diversos cenários em que os super-heróis seriam importantes, preparando o terreno para o desfecho da história.

Watchmen - Volume 4 tem um pouco de tudo isso, além de um excelente bônus: as cartas datilografadas de Alan Moore enviadas a Dave Gibbons. Nelas o roteirista descreve detalhadamente quadro a quadro como ele desejava que as ilustrações fossem feitas. Imagine você o sujeito usar meia página de uma folha A4 para explicar a imagem de um mísero decímetro quadrado. Multiplique isso pelo número total de quadrinhos que aparece na revista e você poderá dimensionar a loucura. Seria bem mais fácil ele aprender a desenhar, não?! (hehe) Por tudo isso, Watchmen é de Alan Moore. Ponto. Mas não podemos minimizar a importância de Dave Gibbons. No livro "Os Bastidores de Watchmen" isso fica ainda mais claro. Além do mérito de colocar no papel da imaginação fervilhante de Moore, Gibbons deu várias contribuições que alteraram os rumos da história. Entre elas a concepção do personagem Coruja e o broche amarelo com uma carinha sorridente (smiley), que acabou tornando-se um dos elementos centrais da graphic novel.

Mas vamos ao que realmente interessa. No capítulo 10 de Watchmen - Volume 4, intitulado "Dois cavaleiros se aproximando...", Coruja II e Rorschach revivem a bela parceria que tinham no passado. Os dois heróis chegam à fundo na investigação da morte dos mascarados e descobrem o responsável: Adrian Veidt, o Ozymandias. Eles então decidem ir atrás do sujeito em seu refúgio na Antártica. Bem legal a nave-coruja e os trecos "tecnológicos" do herói. Essa parte da história encerra com um pouco da poesia profética de Bob Dylan e do totalitarismo onipresente de George Orwell. Ao fim papéis avulsos das estratégias mercadológicas de Adrian Veidt para uso da marca Ozymandias. Estava previsto o lançamento de um perfume e bonequinhos dos personagens da antiga liga de heróis mascarados. Interessante esse tipo de material constar numa história em quadrinhos. Realmente impressiona o rigor perfeccionista presente até em detalhes como esse.

O capítulo 11, chamado "Comtemplai minhas realizações, ó poderosos...", é o mais importante de Watchmen. Aqui conhecemos os motivos que levaram Adrian Veidt a matar o Comediante (fato que deu início a tudo). Entramos na cabeça do assassino e comecemos sua lógica matemática. O capítulo nos oferece uma explicação completa para fechar arestas e antecipar o golpe final. O argumento é tão bem construído que há quem defenda o herói-vilão: proteger a humanidade dela mesma. Parece batido, mas poucas vezes vi essa questão realmente funcionar como em Watchmen. O capítulo encerra com uma bela entrevista de Adrian Veidt à Revista Nova Express. Oportunidade perfeita para conhecer um pouco mais das idéias do "homem mais inteligente do mundo".

O capítulo 12, último de Watchmen, intitulado "Um mundo forte e adorável" é o mais polêmico da HQ. Confesso que fiquei incomodado com o monstro assassino. Preferia algo mais prático e menos surreal. Destaque para a arte de Dave Gibbons. Excelentes desenhos para mostrar o inenarrável. A história termina de maneira bem pessimista. Ao final a conclusão é óbvia: Watchmen elevou os quadrinhos a um novo patamar. Muita gente pode até não gostar da onda de "heróis adultos", mas eles vieram pra ficar. O fato é que - de certa forma - a revista rouba a inocência dos mais novos ao colorir nossas fraquezas e explorar nossa maldade. Ela celebra a morte do herói com requintes de veracidade. Depois disso, a enjoada face amarela e sorridente nunca mais desgruda da mente. Nota 5/5

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008 às 08:08

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Batman #73 - A Origem do Demônio: morte e tragédia antes da ressurreição do lendário Ra's Al Ghul

Batman #73 - A Origem do DemônioFinja que você está passando por uma banca de revista. Meio escondido na prateleira você enxerga a HQ Batman #73 - A Origem do Demônio (Panini Comics, Dezembro/2008). Algo lhe chama atenção. Talvez o verde fluorescente que nasce nas entranhas do demônio e invade a imensidão negra que esconde o Morcego. Quem sabe a chamada anunciando a ressurreição do lendário Ra's Al Ghul ("Cabeça do Demônio" em árabe), vilão popularizado no filme "Batman Begins" (leia a resenha) em 2005.

Veja novamente a imagem e fale a verdade: é possível não parar e folhear? Acho que não. Os dois personagens na clássica cena de duelo bangue-bangue, prontos para um embate colossal. Difícil deixar o gibi dormindo na banca, principalmente porque nesses últimos meses, em que Gotham City anda bem movimentada. Primeiro com o estrondoso sucesso do filme "O Cavaleiro das Trevas" (leia a resenha) e agora chega a notícia da "morte" de Bruce Wayne na saga Batman RIP (que deve desembarcar por aqui em 2009). Não dá para ignorar esses acontecimentos.

Batman #73 dá continuidade ao bom momento vivido pelo Homem-Morcego. Na primeira história Batman, como Bruce Wayne, contrata o Charada para investigar o roubo de um soro experimental por uma de suas funcionárias. A pista acaba no Abrigo Mulheres de Atenas, no qual a Arlequina se encontra. Fazia tempo que não via Charada em ação. Pelo que deu para perceber, ele está tentado se regenerar. Tenho minhas dúvidas se isso é possível. Acho besteira esse vai e vem de vilões. Já trouxeram a Mulher Gato e agora o Charada? Bobagem.

A história seguinte continua o arco "321 Dias". Achei bacana a dramaticidade empregada pelo roteiro de Marv Wolfman. O conflito entre o Asa Noturna e Eddie Metal chega à Wayne Farmacêutica e tem um desfecho trágico e violento. O lado bom é que Dick Grayson está começando a entender as lições deixadas por Batman. Vigilantes sim, assassinos não. Mesmo sendo intelectualmente bastante limitado, ele é minha maior aposta para herdar o manto negro do Homem-Morcego.

Mulher-Gato aparece na terceira história de Batman #73, ela conduz o arco "Dia das Mães", em que enfrenta um desafio psicológico para conduzir as carreiras de mãe e heroína. Realmente deve ser muito difícil criar sozinha um bebê e participar das aventuras de Batman. A solução mais improvável encontrada é a morte de Selina e sua filha! Acredite. Pelo que entendi, outra mulher assumirá a máscara. Roteiro interessante que me pegou de surpresa.

Finalmente chegamos ao arco "A Gênese do Demônio", que ilustra a capa da HQ. O roteiro faz um belo passeio histórico pelo passado de Ra's Al Ghul, líder da organização criminosa "Liga das Sombras" e um dos maiores inimigos do Cavaleiro das Trevas. A trama é bastante criativa, levando Batman a mais uma brilhante investigação. Curiosidade: Batman #73 contém uma página dupla com vilões do Universo DC com a frase "...e o mal herdará a Terra". Muito, muito legal! Nota 3/5

sábado, 27 de dezembro de 2008 às 07:08

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Superman #73 - Estrelando a Liga da Justiça Bizarra!: as imagens valem mais do que as histórias

Superman #73 - Estrelando a Liga da Justiça Bizarra!Superman #73 - Estrelando a Liga da Justiça Bizarra! (Panini Comics, Dezembro/2008) vale muito mais pelas imagens do que pelas histórias. A arte conceitual de Eric Powell no arco "A Fuga do Mundo Bizarro" é espantosa. Lamentei o traço do artista não ter vindo estampado a capa da edição anterior, mas fui recompensado com uma belíssima representação daquela que seria "A Liga da Justiça Bizarra". E não só os heróis da capa estão presentes na história, temos as principais figuras do Universo DC em suas contrapartes degeneradas, incluindo Coringa e Lex Luthor.

A seguir temos a Supergirl numa inesperada missão envolvendo Batman, Superman e a Tropa dos Lanternas Verdes. Sem dúvida uma aventura bem diferente para marcar uma nova fase de Kara. Quase sem diálogos, a história ressalta a arte de Drew Johnson. Gostei apenas do começo, Batman testando a curiosidade da Supergirl. Um pouco demais o Homem-Morcego achar que uma mulher (adolescente) consegue controlar a curiosidade. O resto é uma história confusa e embaralhada, aliás, como tudo no universo dos Lanternas Verdes.

A HQ Superman #73 encerra com a primeira parte do arco "Relação Sinal-Ruído", em que mais uma vez a arte supera a qualidade do roteiro. O traço firme, moderno e bem acabado de Phil Hester é digno de destaque entre as melhores representações do Homem de Aço. Na história Clark Kent sofre para manter sua identidade secreta. O jovem impetuoso Jimmy Olsen só faz besteira, parece uma criança querendo chamar a atenção de Superman. Nosso herói está cercado de idiotas, talvez por isso não consiga mais crescer. Nota 2/5

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 às 18:03

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Watchmen - Volume 3: a importância dos super-heróis numa fábula social sobre tempo, poder e justiça

Watchmen - Volume 3Depois de muita luta finalmente consegui comprar Watchmen - Volume 3 (Via Lettera, 2005). A briga por um exemplar da HQ está grande. Nos Estados Unidos o presidente da DC Comics avisou que Watchmen terá mais de 1 milhão de exemplares lançados em sua versão encadernada. Para se ter uma idéia da dimensão do fenômeno, as HQs mais vendidas no mercado chegam no máximo a 100 mil exemplares/mês. Desde seu lançamento em 1988, Watchmen não para de crescer, notícias dão conta que a revista vende entre 5 ou 6 dígitos todo ano.

O bom é que mesmo sem querer, acabei lendo Watchmen numa cronologia próxima daquela vivida pelas personagens da graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons. Essa edição engloba os capítulos 7, 8 e 9, contando com alguns tesouros entre as histórias. Para começar somos presenteados com um minucioso perfil de cada personagem. O texto explica as motivações, influências, detalhes de personalidade, habilidades, fraquezas e, principalmente, a conexão com o mundo real. Uma oportunidade para desvendar detalhes que muitas vezes passam despercebidos e navegar pela complexidade do processo de criação de uma história em quadrinhos.

O Doutor Manhattan é apresentado pelo próprio Alan Moore como um alienado, isolado, eremita, místico. Doutor em física, ele recebeu suas temerosas habilidades durante uma experiência destinada a subtrair partículas de um padrão atômico deixando, no entanto, intacto o próprio padrão eletromagnético. Seus poderes tendem a se manifestar de modo mais sutil e misterioso do que as pirotecnias empregadas em outros super-heróis atômicos, como por exemplo, o Nuclear.

Ozymandias é um homem perfeitamente desenvolvido que leva a capacidade humana a seu limite extremo. Rico, perfeito, solitário, vê o mundo como um organismo com ele no centro. O Coruja II é uma espécie de híbrido de super-heróis, influenciado por Batman, ele possui um enorme refúgio e uma sólida nave voadora tipo coruja. É um sujeito comum, falível, humano e naturalmente corajoso. Rorschach é um assassino, psicopata, implacável, bruto, imprevisível.

O Comediante é a personagem pivô de Watchmen, mesmo tendo morrido na primeira página. Ele é o jogador sujo, animal, representa toda a América agressiva e militarista presente na história. Anda sempre com um bótom de uma cara amarela sorridente presa no peito. Espectral II é da segunda geração de super-heróis. Mesmo a contragosto, herdou a incumbência de combate ao crime. Watchmen - Volume 3 ainda apresenta outros heróis da velha guarda, serve como argumento histórico.

Mas vamos ao que interessa. Depois de abandonar o Dr. Manhattan, Laurie (a Espectral II) inicia o Capítulo 7 (Irmão dos dragões) indo morar na casa do Daniel Dreiberg (Coruja II). Fuçando no laboratório do sujeito, ela acaba despertando velhas lembranças. Esse é um episódio centrado em recordações, num clima bem nostálgico. Eles conversam sobre a idéia infantil e constrangedora de combater o crime fantasiado. Essa é uma das poucas oportunidades para conhecer um pouco mais sobre as ferramentas de combate do ex-herói.

Daniel lembra que uma das motivações na época era fazer parte de um grupo de guerreiros contra o crime, uma confraria lendária, uma irmandade como os Cavaleiros da Távola Redonda. Por outro lado, os críticos diziam que era besteira montar um arsenal para prender putas e trombadinhas. Enquanto os dois conversam, a Terceira Guerra Mundial ganha fôlego com o desaparecimento do Dr. Manhattan. A contagem regressiva para o embate nuclear começou e o clima é de desconfiança generalizada.

Fico imaginando o impacto psicológico de Watchmen na população daquela época. Deve ter sido um ponto de cartase para toda uma geração. Imagine-se lendo algo que parecia tão profético, no meio de uma guerra entre Estados Unidos e União Soviética. Fico arrepiado só de pensar. Talvez por isso a HQ pareça refletir muito mais sentimentos em quem viveu aquela época do que na geração pós-Guerra Fria. De qualquer forma, Watchmen é um legado histórico que deveria fazer parte de qualquer aula sobre geopolítica.

Além de todo esse viés, temos em Watchmen - Volume 3 uma constante sexual que humaniza as personagens e as coloca a mercê de seus instintos mais primitivos. Laurie leva Daniel para cama, mas o coitado do Coruja acaba brochando. O trágico acontecimento faz o ex-herói perceber o bosta-mole que se transformou. Daniel ressuscita o Coruja e Laurie a Espectral. Fantasiados eles embarcam na Nave-Coruja em um passeio pela cidade. No caminho salvam umas pessoas de um incêndio, fazem sexo selvagem e definem um novo objetivo: libertar Rorschach.

O capítulo termina e logo em seguida temos um artigo do Daniel chamado "Sangue dos Ombros de Pallas", em que ele traça um metafórico paralelo entre o estudo do universo das corujas e a imaginação humana. O que mais me chamou atenção nesse capítulo é o fato do resgate ser a primeira cena de ação com heróis atuando de maneira "tradicional". E veja que durante o resgate a nave tocava música e foi servido cafezinho para acalmar o pessoal. Por esses detalhes exóticos aposto que muita gente vai ficar decepcionada com o filme prometido para maio de 2009.

O Capítulo 8 (Velhos fantasmas) começa no Dia das Bruxas. Hollis Mason (o primeiro a vestir o uniforme do Coruja) liga para Sally Júpiter (a mãe da atual Espectral e primeira a usar o uniforme) para comentar a notícia que dois heróis mascarados haviam salvado um grupo de pessoas de um cortiço em chamas. A descrição batia com a filha de Sally, que declaradamente nunca gostou da missão heróica que herdou da mãe. A repercussão nas ruas do fato é o ponto forte desse episódio. As pessoas estão confusas com a volta dos heróis mascarados.

No laboratório do Coruja, Daniel começa a montar o quebra-cabeça de Rorschach sobre o "matador de máscaras" e acelera o plano para soltar o ex-companheiro. Daniel é pego de surpresa com a visita de um detetive. Ele especula sobre seu envolvimento com Rorschach. Vendo que não tem mais nada a perder, Coruja e Espectral invadem a prisão. O resgate foi muito legal, ponto alto do capítulo e um dos melhores acontecimentos da série. Rorschach é muito sacana, mesmo preso na solitária conseguiu brilhantemente escapar das garras dos inimigos.

O capítulo também é marcado pelo embate jornalístico entre a revista Nova Express e o jornal New Frontiersman. Enquanto um associa os heróis mascarados com a famigerada Klu Klux Klan, outro capta o clima das ruas, a paranóia da guerra e sai em defende dos mascarados. Nessa hora a cidade já estava sabendo da fuga do cara manchada. A notícia dava conta que o Coruja tinha sido o responsável. Alguns baderneiros ensandecidos correram para casa do Coruja I e mataram o pobre Hollis Mason, que não tinha nada a ver com isso.

O capítulo encerra com Dr. Manhattan levando Espectral embora. Antes disso aparecem seis quadrinhos estranhíssimos. Neles a Manish e o Shea nos mostram uma imagem de um monstro e diálogos sobre uma possível conspiração. Será que esses caras são os responsáveis pelo morte dos super-heróis? De difícil compreensão. A sensação é de uma mensagem subliminar. No final do capítulo temos o esboço da matéria "A honra é como o falcão, as vezes deve ser encapuzada", do jornal New Frontiersman.

O Capítulo 9 (As trevas do mero ser) começa com Dr. Manhattan e Espectral no planeta Marte. Um castelo de cristal emerge diante dos olhos da moça. Ela tem a difícil missão de convencer o azulão a volta à Terra. Deve ser difícil conversar com alguém que enxerga o futuro. Segundo Dr. Manhattan, tudo é predeterminado, até suas próprias reações. Espectral alfineta dizendo que o ser mais poderoso do universo não passa de uma marionete seguindo um script. "Todos somos, eu somente vejo as cordas", responde Manhattan.

O capítulo é um flashback de Espectral. Viajando pela insipidez do planeta vermelho ela une fragmentos que revelam um segredo do passado: o Comediante é seu pai. No lado oposto, Manhattan demonstra total desprezo pelas emoções humanas. Ainda assim, diante de um "milagre termodinâmico", o Doutor passa a enxergar a beleza da vida e os mistérios da probabilidade humana, fazendo-o mudar de idéia e decidindo voltar para salvar a Terra da autodestruição. Após o capítulo temos recortes de jornal e algumas cartas de Sally Júpiter.

O importante daqui pra frente é perceber que nada nas páginas de Watchmen é gratuito. O título dos capítulos, por exemplo, é recheado de referências. Bob Dylan, Elvis Costello e John Cale emprestam versos de suas canções, William Blake e Percy Shelley aparecem com seus poemas, temos ainda Gênesis 18:25, Albert Einstein, Nietzsche, Eleonor Farjeon, Carl Jung e o profeta Jó. A própria pichação "Who watches the watchmen?" que aparece na HQ, vem do latim "Quis custodiet ipsos custodes?", verso extraído das "Sátiras" do poeta romano Decimus Junius Juvenalis. Traduzindo seria algo como: "Quem vigia os vigilantes?".

Paralelamente, numa tradução literal, "Watchmen" significa Homens-Relógio. O que acaba encontrando um excelente ponto de convergência com a própria lógica argumentativa desenvolvida por todo o texto. Em síntese temos uma fábula social sobre tempo, poder e justiça. A pichação simboliza tudo isso. A dúvida é: em que contexto os super-heróis seriam importantes? Watchmen nos desafia a encontrar respostas num mundo à beira da destruição total. Nota 4/5

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sábado, 6 de dezembro de 2008 às 05:47

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Homem-Aranha #83 - Um Novo Dia!: a volta do velho adolescente desleixado

 Homem-Aranha #83 - Um Novo Dia!Parece que passou um furacão sobre Homem-Aranha. A nova fase incluía a revelação de sua identidade secreta ao mundo, o casamento com Mary Jane e o assassinato da tia May. Três fatos incríveis que mudaram pra sempre a vida do herói. Ou não? Depois do pacto diabólico tudo voltou como era antes. Fato que enfureceu os fãs de longa data. Realmente é um absurdo os caras simplesmente rasgarem anos e anos de histórias e personagens. A verdade é que Peter Parker transformou-se num adulto complexo demais. Acho que a Marvel não queria isso. Talvez Homem-Aranha faça mais sucesso como o velho adolescente desleixado que sempre foi.

A diferença entre Homem-Aranha #83 - Um Novo Dia! (Panini Comics, Novembro/2008) e a última edição é gritante. Só pela capa já dá para notar as mudanças. Homem-Aranha #83 está bem mais comercial, a imagem mostra o personagem jovial, pulando entre os prédios em sua clássica pose de capa do Clarim Diário. Internamente temos histórias bem mais leves. A própria dinâmica dos arcos mudou. As quatro primeiras narrativas são extremamente rápidas, incluindo o bisonho encontro do Aranha com o tarzan Kazar e seus dinossauros. Lembra muito os Herculóides.

Felizmente a última história é o início do arco "Um Novo Dia", do roteirista Dan Slott. Não chega aos pés de Grant Morrison, mas o cidadão mostra competência em conduzir o barco. O texto lembra muito "Watchmen" (leia a resenha): o clima político-eleitoral, os vigilantes mascarados registrados oficialmente no governo, o embate do herói com a população descrente e, principalmente, a reação dos policiais nova-iorquinos, que o veem como um arruaceiro. Isso sem contar a ação de bandidos usando a máscara do Homem-Aranha.

Além do ambiente perfeito, "Um Novo Dia" conta com o inconfundível traço do desenhista Steve McNiven. Homem-Aranha #83 gerou boas imagens pra minha coleção. Outro ponto favorável é a entrada triunfal do bandido Senhor Negativo, vejo arestas sombrias para o aracnídeo percorrer. A HQ também conta com duas páginas dedicadas ao novo status quo do Cabeça de Teia. Breves explicações sobre as namoradas de Peter, sua identidade secreta, a situação de Harry Orborn e a nova tia May Parker. Pecado só os famigerados lançadores de teia, que agora são pulseiras. Acho estranho, prefiro algo mais natural. O cara não é uma aranha? Nota 3/5

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 às 00:12

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Batman #72 - Passe de Mágica: um jogo de mistérios, truques e assassinatos

Batman #72 - Passe de MágicaBatman #72 - Passe de Mágica (Panini Comics, Novembro/2008) revela a aventura completa do reencontro entre Batman e o ilusionista Ivar Loxias. O começo da história é bem dramático, mostrando a morte por sufocamento da assistente de palco chamada Katy. O Homem-Morcego não conseguiu tirar a moça do incêndio ocorrido durante uma apresentação do mágico. Mesmo pressionado pelo Comissário Gordon, Loxias recusou-se a apresentar detalhes sobre o ocorrido, reservando-se a dizer que iria embora da cidade. Batman então pede ajuda da bela mágica Zatanna, que num passado remoto traiu a Liga da Justiça.

Essa história é espetacular. Um apanhado de surpresas e duelos psicológicos. Batman terá que superar velhas lembranças que o atormentaram por toda a vida. Para Zatanna é uma oportunidade de redenção. Os dois irão enfrentar o vilão que assumiu o papel de Ivar Loxias. Um jogo de mistérios, truques e assassinatos. Por sorte, Batman #72 mostra a aventura completa. O fim da primeira metade é incrível, o vilão deixa o Homem-Morcego num beco sem saída. Encurralado ele mostra força para capturar o palhaço no próprio picadeiro. Belo texto de Paul Dini e excelente arte de Don Kramer.

A HQ encerra com duas sequencias da continuação do arco "321 dias". Asa Noturna é torturado pelo Vigilante, que tenta descobrir o envolvimento dele nas negociatas ilegais de seu ex-mestre Eddie Metal e sua amante Liu. Uma história sobre sexo, traição e maturidade. Não sou fã do ex-Robin, mas tenho que reconhecer que o roteiro de Marv Wolfman está bem interessante, fazendo de nossas descobertas, as mesmas do herói. Isso é muito bom. Dick Grayson será o novo Batman? Não consigo tirar isso da cabeça, principalmente depois de saber que nos EUA a saga "Batman R.I.P." sepultou Bruce Wayne. Profundas mudanças a caminho. Nota 4/5

terça-feira, 2 de dezembro de 2008 às 22:12

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Superman #72 - A Conclusão de O Terceiro Kryptoniano: surpreendente dramaticidade e qualidade narrativa

Superman #72Superman #72 (Panini Comics, Novembro/2008) tem muito mais cara de início de festa do que a DC Brasil tentou nos fazer engolir em "Superman #70" (leia a resenha). Não que toda a revista seja imperdível, mas os arcos ganharam dramaticidade e qualidade narrativa. O mais interessante nessa mudança é que muita gente aproveitou para contestar a pureza das histórias do herói mais ético dos quadrinhos, sempre agindo dentro das regras. Não seria o caso de trilhar o mesmo caminho feito pelo Batman? Muitos esperam um Superman mais violento. Ser bonzinho virou ofensa. Superman #72 está permeado desse conflito, um belo reflexo da falência de nossos valores.

A primeira estória da HQ é a conclusão do arco "O Terceiro Kryptoniano", em que Superman e Batman conseguem chegar até a Kristen Wells, disfarce terráqueo da guerreira alienígena Karsta Wor-Ul. Não gostei do roteiro de Kurt Busiek, talvez porque a sobrevivência de Superman tenha dependido da ajuda do trio formado pela Supergirl, Poderosa e o cachorro Krypto. Além do mais, Amalak pode ser um baita vilão, mas não derrotaria Batman tão facilmente. Os desenhos de Rick Leonardi é outro ponto fraco, pecam pela falta de ousadia.

Em seguida temos a Supergirl, concluindo o arco "Reunião", em que faz uma viagem espiritual e derrota um monstrengo do governo americano. O melhor é o final em que garota reencontra Kal-El e encerra uma fase nos gibis do herói. Como ela foi convidada a integrar a equipe dos "Novos Titãs", acho que não terá tanto espaço na HQ do Superman. Espero que não, suas histórias beiram a superficialidade, sempre se agarrando na capa dos heróis mais conhecidos. Nem mesmo disfarce ela tem, que tipo de herói vive sem um alter-ego?

Em Superman #72 a DC Comics presenteou o leitor com seis páginas dedicadas à apresentação completa da família Superman. Cada personagem é mostrado junto com uma mini biografia. Excelente oportunidade para situar o leitor novato sobre os heróis e os vilões das novas histórias do Homem de Aço. Infelizmente essa explicação demorou, deveria ter vindo junto com a edição que prometia uma "nova era da DC Brasil". Mas antes tarde do que nunca, foi bom ficar situado no contexto do Universo DC.

A última história de Superman #72 vale pela revista inteira. A estréia do arco "Fuga do Mundo Bizzarro", escrita por Richard Donner (roteirista do filme "Superman – O Filme") em parceria com Geoff Johns, mostra o sequestro de Jonathan Kent pelo vilão Bizarro. Excelente história, um tipo de humor macabro que ainda não tinha visto nas histórias do Superman. Melhor ainda é a arte do aclamado Eric Powel. A versão dark dos personagens de Metrópolis é visualmente incrível, dá vontade rasgar a revista e colocar as imagens na parede da sala. Nota 3/5

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008 às 06:04

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Watchmen - Volume 2: a cada nova página um requinte histórico capaz de nos confundir e assustar

Watchmen - Volume 2Quando peguei "Watchmen - Volume 1" em mãos (leia a resenha), senti um calafrio. Sabia que a partir daquele momento todos meus conceitos sobre HQ iriam mudar. E pelo que eu já havia escutado, esse era um caminho sem volta. Quando terminei a leitura dos três primeiros capítulos do gibi, senti que a abrangência da história me chamou mais atenção que a qualidade narrativa dos assuntos nele tratados. Fiquei um pouco frustrado, sem saber o que fazer com o Santo Graal: colocar na estante, na gaveta, emprestar, vender ou quem sabe beber um pouco mais?

Somente com Watchmen - Volume 2 (Via Lettera, 2005) sou capaz de entender o valor histórico das sagradas escrituras. A edição contempla os capítulos 4, 5 e 6 (de um total de 12) da graphic novel escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Nas primeiras páginas antes dos quadrinhos, Moore nos presenteia com um revelador artigo em que conta as motivações que o levaram a escrever Watchmen. De tão fundamental para o entendimento da trama, essa peça histórica deveria ter vindo logo do "Volume 1". Caso não tenha sido proposital, o fato evidencia um grave erro de cronologia da editora brasileira.

O autor britânico revela em seu texto que tentou partir de onde George Orwell parou. Seu objetivo era publicar Watchmen em 1985, aproveitando o gancho do livro "1984" (leia a resenha), em que Orwell desenvolve uma metáfora pessimista do pós-guerra, sinalizando que num futuro próximo a humanidade seria dominada pelo totalitarismo. O artigo também revela o senso de humor de um Alan Moore satisfeito com o sucesso de sua criação: "Autografamos tantos gibis que estamos pensando em trocar de nomes somente para aliviar o tédio, e sempre que vemos aquela face pequena, sorridente, idiota e amarela, com a mancha vermelha cor de sangue, ficamos com uma enxaqueca intolerável."

Ele explora também as condições em que nasceu Watchmen, desde sua idéia original de utilizar personagens da extinta linha de HQ da editora Charlton, até suas angústias após a finalização do projeto. Moore percebeu que a temática havia levado a história para um território inteiramente novo, sendo estimulante e ligeiramente alarmante. O autor suspeitava que havia "mordido mais do que poderia engolir". Sua preocupação era ter deixado meadas críticas na narrativa, as quais não poderia resolver. Dessa forma o público poderia enxergar em Watchmen uma "grande e desordenada tigela fumegante de espaguete semiótico".

O território, ao qual Moore se refere, é povoado de perguntas nunca antes publicadas nas páginas de um gibi comercial. Como seria o mundo caso os super-heróis existissem de fato? Não há dúvida que depois de uns 20 anos, muita coisa seria diferente. O equilíbrio do poder, por exemplo, iria mudar. Países sem super-heróis iriam se armar muito mais do que hoje. O mundo ficaria em constante clima de guerra iminente. A legislação também sofreria alterações. Pense nos estragos que justiceiros independentes fariam. A pressão sobre os policiais atingiria níveis insuportáveis.

Na mesma medida a paranóia da população iria crescer. Imagine conviver com super-heróis que enxergam através das paredes, com certeza aumentaria o número de doentes mentais. A tecnologia também iria mudar. Um sujeito que pode voar de uma ponta a outra da galáxia traria muito mais informações que nossas atuais ferramentas de observação. A religião iria se transformar, afinal, deuses sairiam dos céus e passariam a conviver conosco. Toda a nossa cultura teria que se alterar para acomodar a presença de algo mais do que humano. Além disso, com a segurança do mundo repousando nas mãos de um único ser, viveríamos às sombras desse super-herói.

Depois dessa explanação, a história em quadrinhos finalmente começa. O Capítulo 4, intitulado "Relojoeiro", traz a origem do Dr. Manhattan, o único super-herói com poderes da HQ. Tudo começa após a notícia da explosão da bomba atômica em Hiroshima. O jovem Jon Osterman queria ser relojoeiro assim como o pai, mas esse não via futuro no ofício e empurrou-lhe para a faculdade de Ciência Atômica. Anos mais tarde, após concluir o doutorado em física nuclear, Jon vai trabalhar como pesquisador na Gila Flats. Um dia ele fica preso na câmara de testes nucleares e sofre um terrível acidente. Vira pó.

Mas o sujeito consegue reorganizar suas partículas e volta à vida. Sua fisionomia não é mais a mesma, agora ele é azul brilhante e pode viajar no espaço-tempo. É aqui que descobrimos a obsessão de Watchmen por relógios e pelo tempo. Todo o episódio é um eterno vai e vem, deixando o leitor meio confuso. Na descrição do personagem, Alan Moore diz: "Partindo de um super-herói convencional com poder nuclear, vimo-nos perambulando em algumas ruminações quânticas pós-einsteinianas a respeito do tempo."

O Governo dos EUA enxerga em Dr. Manhattan a possibilidade de utilizá-lo como ferramenta de guerra e de marketing. O próprio apelido e o símbolo carimbado no meio da testa foram exigências dos mercadólogos. O título de "combatente do crime" também. A verdade é que a chegada dele mexeu com todo mundo, inclusive os outros super-heróis. Alguns até se aposentaram, considerando-se obsoletos diante de tal ser. Dr. Manhattan ajudou os yankees a vencer a Guerra do Vietnã, ampliando o mandado do presidente Richard Nixon e desequilibrando a balança do poder mundial.

O capítulo explora também o processo de adaptação desse homem-deus à sua antiga rotina. Como fica seu relacionamento com Janey Slater depois dessa transformação? Incrivelmente eles continuam juntos. A partir daí Watchmen explora a sexualidade do personagem. Como ele não envelhece, bastam os peitos e a bunda da Janey cair para que a troque por Laurie, uma jovem heroína de apenas 16 anos. O fraco por mulher é um dos principais componentes da personalidade de Dr. Manhattan. Ao final temos o fictício artigo do personagem Prof. Milton Glass, abordando o impacto negativo da presença de um ser com super-poderes para a paz mundial.

No Capítulo 5, chamado "Terrível Simetria", o personagem Rorschach (se pronuncia Rorchá) continua sua investigação sobre o assassinato do Comediante e a série de atentados contra os outros super-heróis. Inclusive aqui ocorre uma tentativa de assassinato contra Adrian Veidt, o Ozymandias. Ao final o esperto Rorschach é pego numa armadilha pela polícia. Mas o que chama atenção nesse capítulo é o fato de existir uma HQ dentro da HQ. A história "Contos do Cargueiro Negro" vem sendo contada desde o primeiro capítulo, mas aqui ela ganha destaque. Inclusive no final há uma explicação sobre a participação dos piratas nas HQs da década de 1950.

Watchmen - Volume 2 encerra com "O Abismo Também Contempla", Capítulo 6 da história dos vigilantes fantasiados. O título faz referência à clássica frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: "Não enfrentes monstros sob pena de tornares um deles e se contemplas o abismo, a ti o abismo também contempla." O monstro em Watchmen é Rorschach, que foi preso pela polícia e desmascarado. Quem o contempla é psicanalista Dr. Malcolm Long, que está traçando seu perfil psicológico.

Esse é o capítulo mais interessante até agora. A prisão jogou Rorschach num covil de lobos. Odiado pela polícia e pelos bandidos, o sujeito terá que justificar sua reputação para não ser assassinado. O civil por trás da alcunha é Walter Joseph Kovacs. Magro, branco, ruivo e de sardas, ele passaria despercebido por qualquer lugar. É tão verdade que me lembro de tê-lo visto rapidamente nas primeiras páginas do "Volume 1". O capítulo foca na série de entrevistas em que o Dr. Long tenta tirar alguma coisa da mente perturbada de Rorschach.

O nome "Rorschach" é uma alusão ao psiquiatra suíço Hermann Rorschach, que desenvolveu um teste que consiste em dar possíveis interpretações a dez pranchetas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas obtidas pode-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. Em Watchmen, as manchas mostradas pelo Dr. Long ao Rorschach, servem de mote para conhecer três recordações que forjaram seu caráter. A primeira mostra ele ainda criança flagrando a mãe se prostituindo, noutra ele cega um garoto com um cigarro e na última ele toca fogo num criminoso que esquartejou uma garotinha dando-a de comer a pastores alemães.

Aliás, na visão de Rorschach, a capa de Watchmen - Volume 2 é um cachorro pastor alemão com a cabeça partida ao meio. Dá para dizer se ele é herói ou vilão? Muito complicado. Mas foi bom desmascarar o personagem, conhecer seus traumas de infância, os problemas com a mãe, a dificuldade de relacionamento com outras pessoas. Tudo isso é muito presente em nosso dia-a-dia. Ao final do capítulo temos ainda fragmentos da ficha criminal do rapaz, o histórico psicológico e outros documentos que compõe o "Dossiê Kovacs". A cada nova página Watchmen mostra um requinte histórico capaz de nos confundir e assustar. Nota 5/5

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008 às 05:36

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Batman Extra #13 - De Volta à Vida: um cadenciado conto egípcio pintado nas paredes de Gotham

Batman Extra #13 - De Volta à VidaEu gosto desses materiais paralelos que saem sobre os super-heróis. Quase todo mês aparece alguma revista republicando um sucesso do passado. Essas edições são ideais para quem deseja conhecer a versão original de personagens, principalmente daqueles que ganharam notoriedade no cinema como Hulk e Homem de Ferro. Além, claro, daqueles que já tem data de estréia agendada na telona, como Thor e Capitão América. Essas edições paralelas também servem para apresentar um lado diferente de algumas figurinhas carimbadas.

Batman Extra #13 - De Volta à Vida (Panini Comics, Abril/2008) revela uma visão alternativa e extremamente cadenciada do Homem-Morcego. O gibi traz a história completa de "Batman: Ankh", criada por Chuck Dixon com arte de John Van Fleet. Tirando a capa, que é fantástica, digna de emoldurar e pendurar na parede da sala, não gostei do efeito "recorte de arestas" photoshopeado mostrado na HQ. Achei muito parecido com foto-novela. O interessante é que a arte de Van Fleet em "Batman: Ankh" é bastante elogiada, tendo ele sido indicada ao prêmio Eisner de melhor pintor e artista multimídia de 2002.

A HQ começa no Egito Antigo. Com a morte do único filho do faraó, um cientista é chamado para criar uma fórmula capaz de trazê-lo de volta à vida. Desafiando o poder de Anúbis (deus egípcio da morte), o cientista acaba trancado acidentalmente na câmara fúnebre. Antes de morrer ele aplica seu poderoso elixir em sua filha Khatera, presenteando-a com a vida eterna. Séculos depois a tumba é aberta e a moça viaja até Gotham City. Batman terá trabalho para desvendar o mistério do desaparecimento de ricos cidadãos e artefatos egípcios. Com participação especial do vilão Crocodilo e do desmascarado Robin, Batman Extra #13 prova que ao contrário do que sonham os humanos, a imortalidade é o maior dos castigos. Nota 1/5

sexta-feira, 31 de outubro de 2008 às 04:36

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Homem-Aranha #82 - Um Dia a Mais: o poético e demoníaco fim do amor eterno

Homem-Aranha #82 - Um Dia a MaisDurante a Guerra Civil, Homem-Aranha seguiu os conselhos do Homem de Ferro e revelou ao mundo sua identidade secreta. As consequências foram trágicas, sua tia May sofreu um atentado e está prestes a morrer. Peter Parker estava disposto a fazer de tudo para não incluir mais essa morte em seu currículo. Em busca de um milagre Homem-Aranha #82 - Um Dia a Mais (Panini Comics, Outubro/2008) fecha o sensacional arco criado pelo roteiro de J. Michael Straczynski sobre a arte de Joe Quesada.

Fiquei embriagado com a edição anterior (leia a resenha). Straczynski e Quesada puseram luz nas escuras cavernas da mente atormentada de Peter Parker. É impossível ficar indiferente ao sofrimento do herói. A HQ Homem-Aranha #82 continua no mesmo ritmo da anterior, levando o Aranha a um encontro com ele próprio, uma chance para vivenciar seus diversos futuros. É interessante notar como pequenos fatos em nossas vidas podem nos levar a caminhos tão diversos.

Um desses possíveis "Aranhas do futuro" é um pacato senhor gordo de óculos. Ele inventa e testa videogames como profissão. Com aparência melancólica ele diz: "nós jogamos esses jogos e lemos livros de aventura porque o mundo que temos não é o que queremos, aquele que achamos que alguém nos prometeu." Depois ele encontra um rico empresário. Ele fala ao Aranha sobre seu sucesso profissional e a forma como conseguiu tornar-se um homem poderoso. "O senhor deve ser muito feliz", diz Parker. "Não. Nem tudo. Eu conheci uma jovem na escola. Linda! Ela, sim, era tudo que eu sempre quis. Mas perdi."

A história contrapõe duas versões de Peter Parker. Um com a raiva e o ressentimento internalizados, perdendo-se em mundos irreais e controláveis. O outro deixa a raiva extravasada, querendo provar ao mundo seu valor, buscando acima de tudo ganhar dinheiro para esmagar quem ria de suas limitações. Duas de infinitas possibilidades. E essa é uma lição que serve para todos nós. A geração informática está cada dia mais perdida no imaginário mundo da ficção, embriagados com bruxinhos, videogames, gibis, redes sociais, filmes, deixando-se consumir e esquecendo seu verdadeiro potencial.

Até esse instante Homem-Aranha não entende o que está acontecendo, acredita que tudo aquilo não passa de um sonho. É quando o maior dos vilões se revela! Mefisto, o verdadeiro nome do Belzebú, conforme detalhada explicação contida na revista. É ele mesmo, o Demônio, Lúcifer, Satã, Príncipe dos Enganadores, enfim, como queira chamá-lo. Ele diz a Parker que pode salvar sua tia May. "E em troca cê quer minha alma, né?". Isso não tem graça, diz o Fazedor de Pactos. O que será então que o Grande Corruptor quer do Homem-Aranha para salvar sua tia? "Quero o seu amor, o seu casamento [com Mary Jane]." E agora? O que você faria?

O Mestre do Reino das Almas Perdidas diz que nenhum dos dois lembrará conscientemente daquele momento, apenas uma pequena parte de suas almas irá saber o que perderam. E mais: Peter Parker terá salvo a vida da tia May e voltará ter uma identidade secreta. É nesse momento que a arte de Joe Quesada salta aos olhos. Uma sequência impressionante de fotogramas poetizando o fim de um amor eterno. Participação especial da filha que Parker e Mary Jane nunca irão ter. Emocionante demais!

O desfecho é genial, Peter Parker todo entusiasmado na festa de retorno de seu velho amigo Harry Osborn. No cantinho Mary Jane o fita com um olhar melancólico. Peter a vê, mas foge no olhar, preferindo flertar com uma loira. Mary Jane então aparece no elevador, sozinha, indo embora da festa. De vestido preto, cabeça baixa como quem olha o próprio ventre, ela dedilha levemente sua bolsa. Desce triste pelo elevador da vida. Essa cena é um mísero quadradinho de 10x5 cm, mas é uma imagem que nunca vou esquecer.

As duas histórias seguintes são meras coadjuvantes. A primeira é com o vilão Homem-Lobo jurando o Aranha de morte e outra com o Doutor Estranho pedindo ajuda do "sexto sentido" do Aranha. Só espero que daqui pra frente o gibi não seja povoado dessas histórias bobinhas que mais parecem episódios de Malhação. Queremos mesmo é saber as consequências do pacto com Mefisto, que resetou o universo do herói. Dá para confiar no Príncipe dos Mentirosos? Só "Um Novo Dia" poderá revelar. Nota 4/5

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008 às 00:04

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Dimensão DC - Lanterna Verde #01: o início da transcendental saga "Guerra dos Anéis"

Lanterna Verde não está na lista de meus super-heróis favoritos. Nunca tive curiosidade de lê suas histórias ou correr atrás da mitologia do personagem. Mas com o anúncio do lançamento para 2010 de um filme sobre o herói, comecei a me interessar pelo assunto. Geralmente nessas horas o mais adequado é comprar apenas história que influenciou o filme, que nesse caso foi "Amanhecer Esmeralda", segundo palavras de Marc Guggenheim, quadrinista e roteirista da adaptação.

O roteiro do filme irá apresentar o universo do personagem. Cada setor do espaço é protegido por um Lanterna Verde, dotado de um anel que emprega uma poderosa energia verde para criar qualquer coisa que esteja dentro dos limites da imaginação e força de vontade de seu mestre. Quando o Lanterna Verde escalado para defender o nosso setor percebe que está morrendo na Terra, ele envia seu anel para encontrar um sucessor digno. E o escolhido, o piloto de testes Hal Jordan, subitamente depara-se com uma missão que jamais imaginou.

Para não ficar boiando na sala de cinema, centrei minhas atenções no lançamento do título Dimensão DC - Lanterna Verde #01 (Panini Comics, Setembro/2008). Uma revista mensal inteirinha dedicada ao Gladiador Esmeralda. Nada mais justo senão prestigiar a nova publicação. Além do mais, a DC Brasil prometia que os primeiros arcos trariam a saga "Guerra dos Anéis", considerada ideal para capturar novos fãs e explicar a origem do herói.

O foco da revista é o vilão Sinestro, o amarelão que ilustra a capa da HQ. A primeira história de Lanterna Verde #01 é o prólogo "O Segundo Renascimento", mostrando Sinestro em processo de formação de seu exército do mal. Destaque para a arte de Ethan Van Sciver, impressionante a qualidade do risco em cada detalhe. Logo em seguida vem o capítulo um "Medo e Desprezo", o início da batalha contra os Lanternas. A última história da HQ é "Tempestade no Horizonte", mostrando a invasão a Korugar City.

Achei a revista bem chata, lutei para não dormir. Provavelmente porque Lanterna Verde #01 me pareceu ficcional demais. A história exige do leitor uma viagem cósmica, religiosa, transcendental (para ser mais exato). A revista é como um safári de aberrações conceituais, os Guardiões do Universo, por exemplo, parecem Smurfs do espaço. Porém, mesmo numa primeira leitura, Lanterna Verde transparece bem mais complexo do que aparenta. Inclusive tenho dúvidas se o filme fará sucesso entre aqueles que fugiram das aulas de física quântica. Nota 1/5

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 às 06:34

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Superman #71 - Revelado o Terceiro Kryptoniano: uma sequência de histórias confusas e cheia de heróis secundários

Superman #71 - Revelado o Terceiro KryptonianoNa contramão das outras edições da DC Brasil, Superman #71 - Revelado o Terceiro Kryptoniano (Panini Comics, Outubro/2008) vem para estragar a festa. O gibi traz uma sequência de histórias confusas e cheia de heróis secundários. Por ser o primeiro grande super-herói, Superman representa o ícone máximo dos quadrinhos. É de longe o personagem mais imitado e idolatrado. O problema é que o material em gibi que a editora anda lançando não ajuda em nada os fãs brasileiros que gostam do Homem de Aço, mas não são religiosamente devotos à Krypton.

A primeira história de Superman #71 é a continuação do arco "3-2-1 Ação". Apesar do excelente vilão Homem de Kryptonita, a história centra atenção na primeira grande aventura de Jimmy Olsen, o bisonho adolescente por trás do herói Senhor Ação. Mesmo com alguns breves momentos divertidos (como ele imaginando como os demais super-heróis fazem para esconder a fantasia), o cara é um poço de idiotice, uma cópia paraguaia de Peter Parker. Pior do que isso é quando entra em cena o Super-Cachorro. É demais pra mim. Não vejo graça num cachorro voador usando capinha e mordendo criminosos intergalácticos.

Confusão também na história "Reunião - Parte 1/2", da Supergirl. Complicadíssimo entender alguma coisa. Só mesmo quem anda lendo tudo do Universo DC é capaz de encontrar lógica no encontro da loirinha com o Karatê-Kid. Para finalizar o gibi Superman #71 temos "O Terceiro Krytoniano - A Fuga", que ilustra a bela capa dessa edição. O roteiro de Kurt Busiek revela a misteriosa personagem Karsta War-Ul, uma poderosa guerreira kryptoniana que vivia escondida na Terra. Ela resume ao Superman as aventuras e os problemas que passou desde a destruição do planeta Kryton. É uma história que eleva a perspectiva ficção científica da HQ Superman para um novo patamar. Nota 2/5

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008 às 22:30

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Homem-Aranha #81 - A Volta do Uniforme Negro: invadindo a toca escura da psicologia de Peter Parker

Homem-Aranha #81 - A Volta do Uniforme NegroPeter Parker passou toda a edição anterior da revista em quadrinhos do Homem-Aranha lamentando ter revelado ao mundo sua identidade secreta. As consequências não poderiam ter sido piores, sua tia May levou um tiro e está no leito de morte. Em Homem-Aranha #81 - A Volta do Uniforme Negro (Panini Comics, Setembro/2008), os médicos e amigos tentarão a todo custo convencer Peter de que a morte é um caminho natural das coisas. Tia May irá morrer, pode ser em alguns minutos ou em alguns dias, mas ela não sobreviverá ao tiro que levou.

"O Evangelho de Peter", primeira história da HQ, traz um conceito visual diferente e um roteiro bem enigmático. Ao lado do leito em que sua tia sobrevive com ajuda de aparelhos, Peter faz um flashback de toda sua vida. Cansado e à beira de fazer uma bobagem, surge um estranho personagem que o levará para uma viagem transcendental. O lugar que Peter "escolhe" é Coney Island, praia que seus tios costumavam levá-lo quando criança. As imagens lhe trazem boas lembranças, fazendo Peter perceber que o Homem-Aranha não foi um erro em sua vida. Pelo menos não totalmente.

A segunda história é "Palavras Ásperas", sendo conduzida pelo bigodudo J. Jonah Jameson, chefe do Clarim Diário. Homem-Aranha marca um encontro com ele para discutir assuntos importantes como: o processo que J.J.J. move contra ele e a demissão do Robbie do jornal. Mas quando os ânimos ficam exaltados, começa o show! J.J.J. dá uma sequência sensacional de socos no Homem-Aranha (sem máscara para ressaltar o sangue). Sem reagir e entregando todas as fotos do espancamento ao seu ex-chefe, o aracnídeo transforma esse sacrifício numa bela jogada estratégica, colocando J.J.J. numa incrível encruzilhada moral.

Logo em seguida voltamos para o clima pesado do hospital através do arco "Um Dia a Mais - Parte 1". O médico do hospital avisa Peter que, caso ele não demonstre possuir condições financeiras de arcar com os custos da internação, sua tia será transferida para a ala de caridade do hospital. O Homem-Aranha, sem fantasia, pula de prédio em prédio atrás de ajuda financeira. Adivinha quem ele vai procurar? O Homem de Ferro. Ele culpa Tony Stark de tê-lo incentivado a revelar sua identidade para ajudar o governo dos EUA. Os heróis travam uma briga violenta e visualmente incrível, não chegando a um acordo formal.

Essas três histórias já seriam o bastante para fazer de Homem-Aranha #81 o melhor gibi dos últimos meses, mas é na segunda parte do arco "Um Dia a Mais", que o Aranha mostra seu potencial inventivo. O roteiro de J. Michael Stracznski leva nosso herói até a mansão do Mago Supremo. Usando todos seus poderes, ele mostra ao Aranha que não é possível fazer nada para salvar sua tia. Mais do que isso, o Mago leva o Homem-Aranha até uma viagem temporal, fazendo-o conversar com os grandes gênios do mundo dos quadrinhos. Nenhum deles tem a salvação.

Tomado pelo desespero da morte iminente de sua tia, Homem-Aranha aproveita a distração do Mago é mergulha sozinho numa perigosa viagem tempo-espaço. Ele acredita que voltando para o instante que sua tia foi baleada, poderá mudar os rumos da história. Mas esse universo paralelo reserva surpresas que nem Homem-Aranha é capaz de lidar. Qual será o preço pela vida da tia May? Homem-Aranha #81 navega por esse perigoso dilema ético e invade a toca escura da psicologia de Peter Parker. Nota 5/5

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008 às 02:24

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Batman #71 - Tubarões em Guerra: as histórias da DC estão cada vez melhores e mais empolgantes

Batman #71 - Tubarões em GuerraO gibi Batman #71 - Tubarões em Guerra (Panini Comics, Outubro/2008) começa com a segunda e última parte da história de Grant Morrison, o roteirista mais badalado dos quadrinhos. Anteriormente, "Batman #70" (leia a resenha) havia mostrado que a reunião dos super-heróis na ilha de John Mayhew era uma grande armadilha. O vilão Luva Negra mata uma série de heróis e promove jogos mortais com o restante do grupo. Até o fim da história, um deles irá se revelar o traidor do grupo e enfrentará Batman. O sujeito culpa o Homem-Morcego pelo fim do Clube dos Heróis, que segundo ele, poderia ter transformado todos em astros internacionais. O texto é muito bom, mas o destaque fica por conta da arte de J.H. Williams III, como na sequência da fuga de Robin.

Em seguida temos a segunda parte de "321 Dias", história do Asa Noturna. Bem legal vê o Robin discutindo com Batman, jogando o uniforme fora, abrindo mão da alcunha de Menino-Prodígio e voltando a ser apenas Dick Grayson. Mas isso é por pouco tempo, mal de adeus a Gotham City e já inicia uma nova vida como Asa Noturna. A história começa mostrando a paixão reprimida de Dick por Liu, namorada de Eddie Metal, seu mestre. Mas o foco é o novo e misterioso Vigilante, que acompanha todos os passos do Asa Noturna, colocando o herói contra a parede.

A terceira de Batman #71 é comandada pela Mulher-Gato, concluindo a história de Will Pfeifer. Selina tenta impedir a explosão de uma bomba biológica, contendo toxinas suficientes para aniquilar metade de Gotham. O duelo com a sensual Magda, do grupo de amazonas terroristas, termina com miolos jogados ao vento. Sensacional. Mas Selina ainda terá que vencer Rena, a última das guerreiras Banas. O sofisticado duelo de trapaças envolve até o pequeno bebê filho de Selina, trazendo dramaticidade e realismo ao roteiro. Muito bom.

Finalmente temos a história da série Detective Comics, que ilustra a capa do gibi, trazendo um caso de investigação que servirá como exercício ético ao Homem-Morcego. Alguém está tentando matar os componentes da gangue Trio Terrível, formada pelo Tubarão, Volper e Fisk. O assassino usa métodos pouco ortodoxos como jogar as vítimas aos tubarões, lobos e abutres. Destaque para o ataque dos cães selvagens, até Batman sai ferido. O grande mérito aqui é a sequência linear da arte de Andy Clarke, facilitando a leitura e o entendimento da trama.

As histórias da DC estão cada vez melhores e mais empolgantes. No bate-papo com os leitores, chama muita atenção a vontade que os caras da DC Brasil tem de acertar, fazer uma boa revista e entreter com qualidade. E o mais legal é que eles nunca deixam de lado a visão crítica, sempre estão do lado do leitor, reconhecem que alguns roteiros são ruins, pedem desculpas quando coleções são descontinuadas e não tem vergonha de pedir ajuda aos fãs. É bem legal vê isso numa publicação desse nível. Nota 3/5

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008 às 03:54

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Batman #70 - Mistério e Morte na Ilha: a sangrenta e nostálgica reunião do Clube dos Heróis

Assim como ocorreu em "Superman #70" (leia a resenha), a DC Brasil está iniciando novos arcos com Batman #70 - Mistério e Morte na Ilha (Panini Comics, Setembro/2008). A história volta ao passado, precisamente ao ano de 1955, quando a edição 215 da revista Detective Comics trazia uma histórica reunião entre os Batmen de todas as nações. Estavam presentes: Gaúcho, Legionário, Ranger, Mosqueteiro, Cavaleiro e Escudeiro. Dois anos depois, a edição World's Finest 89 contou a história do milionário e filantropo John Mayhew. Ele convidou os combatentes internacionais do crime para integrarem, junto com Superman, Batman e Robin, o Clube dos Heróis.

Em Batman #70 o Homem-Morcego mais uma vez reencontra seus antigos aliados, convidados pelo mesmo Mayhew para uma reunião em sua ilha particular. Em meio ao clima nostálgico, os heróis terão que solucionar um grande mistério. Assassinatos e muitos desencontros marcam o sangrento episódio. Além da ótima história, gostei muito da arte sombria de Dave Stewart.

A revista ainda conta com o episódio "321 Dias - Parte 1", do Asa Nortuna numa sensual e rápida aventura. Apesar de não gostar do personagem, achei interessante a dinâmica da história e os desenhos limpos de Jamal Igle. A última história é da Mulher-Gato, que conta com uma importante participação de Batman. Selina tentará se infiltrar numa célula terrorista de alta tecnologia chamado "As Banas", formado por mulheres dissidentes das "Amazonas", para salvar Gotham. Excelente história.

Superman e Batman se renovaram, mas a grande novidade da DC Brasil era o lançamento do gibi "Dimensão DC - Lanterna Verde #01". A Warner Bros. prometeu para a metade de 2010 o lançamento de "Lanterna Verde - O Filme". E depois que o roteirista Marc Guggenheim disse que a HQ "Amanhecer Esmeralda" (publicado em janeiro de 1991 no Brasil) é sua principal inspiração, estou desesperado atrás do exemplar. Nota 4/5

segunda-feira, 13 de outubro de 2008 às 14:20

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Superman #70 - Em Busca do Terceiro Kryptoniano: o início dos "novos arcos" decepciona

Superman #70 - Em Busca do Terceiro KryptonianoEu desenhava muito quando criança, por consequência era ávido consumidor de histórias em quadrinhos. Quando tinha 14 anos me disseram que as nuvens não eram de algodão, então parei de desenhar e lê gibi. Depois de tantos anos, voltar ao universo dos quadrinhos não é fácil. Muita coisa mudou, os quadrinhos estão mais comerciais. Os personagens participam de tantas revistas simultaneamente que fica complicado situá-los em tempo e espaço.

Mas a DC Comics Brasil resolveu dá uma ajudinha aos novos leitores, prometendo o início de novas aventuras. Depois de tanta expectativa, enfim consegui comprar a revista em quadrinhos Superman #70 - Em Busca do Terceiro Kryptoniano (Pannini Comics, Setembro/2008). Veio até um chaveirinho de brinde. Mas confesso que fiquei um pouco decepcionado. Não pelos desenhos, que estão excelentes, mas pela forma como iniciaram esses "novos arcos". O leitor que não vinha acompanhando outras séries da editora, como "Contagem Regressiva", fica meio perdido. Enfim.

A primeira história de Superman #70 revela um Homem de Aço solitário, sem nenhum amigo para compartilhar suas angústias, relaxar e ser ele mesmo. Martha Kent ainda sugere que seu filho procure o mascarado de Gotham, mas Batman não é do tipo que gosta de diversão. O episódio é focado no garoto Jimmy Olsen, que trabalha como office-boy do Planeta Diário. A história é interessante, tem um pouco de investigação e possui bom potencial.

A trama da história seguinte desenrola-se sobre o mesmo Jimmy Olsen, um pouco mais crescido. O adolescente descobre que também tem superpoderes. Ao que parece ele ficou elástico, com espinhos e rápido que nem o vento. O menino é mandado junto a Clark Kent à Unidade Correcional da Ilha Styker, para cobrir o julgamento do Dr. K. Russell Abernathy, vulgo Homem de Kryptonita. Mesmo tendo causado várias mortes, a corte discute se vale a pena soltá-lo para que ele possa continuar suas pesquisas de combate ao câncer.

A terceira história de Superman #70 é sobre Supergirl e suas inúmeras trapalhadas. Dessa vez ela fracassa ao tentar selar um acordo de paz entre o Presidente dos Estados Unidos e a Rainha das Amazonas. O pessoal acaba confundindo a moça com uma das terríveis Guerreiras Amazonas. Monstros, sangue e demonstrações de bravura não são suficientes para segurar a história, que peca tanto em imagens quanto no texto.

"O Terceiro Kryptoniano - Parte 1: A Caçada", quarta e última história da HQ é a mais enigmática. Superman leva seu filho de criação, Christopher Kent, ao encontro de Batman e Robin. Superman buscar saber como andam as pesquisas de Batman sobre as formas de se opor ao poderes dos kryptonianos. Sensacional a troca de olhares, a briga de "irmãos" desses dois grandes heróis. Parece que um completa o outro. Nota 2/5

sexta-feira, 10 de outubro de 2008 às 14:52

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Watchmen - Volume 1: o gibi transformado em uma sofisticada ferramenta ideológica

Watchmen - Volume 1Sempre que fico sabendo que um livro está sendo adaptado para o cinema, geralmente vou atrás da obra original. Essa é uma lição que aprendi e procuro repassar. Evidentemente, isso tira um pouco o sabor do filme. Mas essa eterna busca pela inspiração original trás o benefício de poder separar a história em cada um dos seus universos. Livro e filme dificilmente irão se misturar, cada um deles oferece instrumentos narrativos únicos e insubstituíveis. Com história em quadrinho é a mesma coisa.

Por isso estava roendo as unhas para lê Watchmen - Volume 1 (Via Lettera, 2005), que contempla os três primeiros capítulos da graphic novel escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Publicada originalmente em doze edições mensais pela editora DC Comics entre 1986 e 1987, Watchmen é tratado pelos nerds da década de 80 como uma verdadeira Bíblia dos Quadrinhos. Ele é o único gibi na lista das 100 maiores obras literárias da Revista Time.

Sagrado e quase intocável, vários fracassaram ao tentar levar Watchmen ao cinema. Felizmente Zack Snyder, diretor do excelente filme "300" (leia a resenha), conseguiu toda a grana e a liberdade visionária que a história exige. O filme será lançado em março de 2009. Pelos trailers, imagens dos bastidores, entrevistas com o elenco e as primeiras críticas de quem já assistiu um pedaço do filme, Watchmen vem para brigar com "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (leia a resenha) pelo título de "super-herói do mundo real".

Watchmen se passa numa realidade histórica alternativa de Nova York da década de 80. Nela o presidente Richard Nixon teria conduzido os EUA à vitória na Guerra do Vietnã, fato que o fez permanecer um longo período no poder. Ele promulgou a Lei Keene, exigindo que todos os "aventureiros fantasiados" se registrassem no governo. A maioria dos vigilantes resolveu se aposentar, alguns revelando suas identidades secretas para faturar com a atenção da mídia. Outros continuaram a trabalhar sob a supervisão e o controle do governo.

O Capítulo 1 começa com a investigação do assassinato de Edward Blake, identidade civil do vigilante mascarado conhecido como Comediante. A dupla de policiais responsável pelo caso tenta abafar o homicídio, temendo uma revolta de algum "vingador mascarado". O mais violento deles é o misterioso Rorschach (se pronuncia Rorchá), que mesmo depois da proibição governamental, continua a operar como um herói renegado e fora-da-lei, sendo frequentemente perseguido pela polícia.

Rorschach passa toda a primeira metade da trama entrando em contato com seus antigos companheiros. Ele avisa sobre uma provável conspiração contra os heróis e aproveita para buscar pistas, considerando todos possíveis suspeitos. O primeiro a ser visitado é Daniel Dreiberg, o Coruja II. Depois vai ao bar Happy Harry's buscar alguma informação. Logo em seguida conversa com Adrian Veidt, alter-ego de Ozymandias, considerado o homem mais inteligente do mundo.

No Centro Rockefeller de Pesquisas Militares, encontra Dr. Manhattan, único herói com super-poderes em Watchmen. O cara é uma aberração azul brilhante, fruto de um acidente nuclear, tendo sido usado como arma de guerra do governo americano no Vietnã. Junto com ele mora Laurie Juspeczyk, filha da ex-heroína Sally Jupiter. O interressante nesse capítulo é que Rorschach parece ser o único incomodado com a morte do Comediante. Os demais não demonstram qualquer tipo consideração pelo ex-companheiro morto.

O Capítulo 2 de Watchmen começa no enterro do Comediante. A história então dá um flashback para os tempos em que os heróis mascarados eram queridos pela população. Juntos eles formavam o grupo Combatentes do Crime, sendo liderados pelo Capitão Metrópole, codinome de Nelson Gardner. Ainda no cemitério, cada um de seus ex-companheiros relembra silenciosamente fatos que marcaram a vida do Comediante. O cara era um porra-louca.

O terceiro e último capítulo de Watchmen - Volume 1 aborda as consequencias da briga amorosa entre Laurie e Dr. Manhattan. A impressa coloca o azul na parede. As pessoas acusam-no de causar câncer em todos ao seu redor. O cara enlouquece e deixa o planeta Terra. O capítulo termina com o alerta sobre uma possível guerra nuclear contra a União Soviética.

No final de cada capítulo existem trechos do fictício livro "Sob o Capuz", autobiografia de Hollis Manson, o primeiro aventureiro mascarado a vestir a fantasia de Coruja. É uma oportunidade que o leitor tem de entender melhor a história e a motivação de cada personagem. Nesse primeiro volume, Watchmen me chamou atenção pela quantidade de assuntos adultos como guerra, política, estupro, sexo e assassinatos. Watchmen transformou o gibi numa sofisticada ferramenta ideológica. Nota 3/5

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