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quinta-feira, 17 de novembro de 2011 às 05:57

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11-11-11: deprimente e pretensiosa história de terror sobre fanatismo religioso

Nota 1/5
11-11-11
A Suméria é considerada a mais antiga civilização humana. Segundo sua tradição, todos terremotos e catástrofes naturais são manifestações divinas de zanga e frustração contra suas criaturas. Reza a lenda que no 11º dia, do 11º mês, do 11º ano, uma portal se abriria sobre a Terra. Por ele entrariam criaturas demoníacas nunca antes vistas pelos mortais. Sangue inocente seria derramado e a fé dos homens destruída. Uma ruptura desencadearia uma zona de transição, dando início a uma nova era das trevas.

Bem, esse dia chegou. O terror 11-11-11 (2011) se apossou da lenda e provocou grande curiosidade. No filme, Joseph Crone (Timothy Gibbs) é um escritor ateu que vive atormentado pela trágica morte da esposa e filho. Enquanto tenta entender as estranhas aparições envolvendo o número 11, faz uma viagem de urgência à Espanha para acompanhar os últimos dias de vida do pai. Rancores e desavenças marcam o retorno.

11-11-11 11-11-11

quinta-feira, 12 de maio de 2011 às 01:13

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Jogos Mortais - O Final: uma desculpa esfarrapada para estripar pessoas

Nota 1/5
Jogos Mortais - O Final
Uma das brincadeiras mais divertidas de minha meninice era colecionar figurinhas. Lembro de um álbum sobre filmes de terror que foi o maior sucesso na escola. Os cromos mais legais mostravam os bastidores das gravações. Máscaras de látex, truques de maquiagem, fantasias de gesso. Na época o grande ídolo era Freddy Krueger. Perdi muito sono por causa daquele rosto deformado. O álbum acabou me ajudando a superar os pesadelos.

De lá pra cá muita coisa mudou. Os filmes de terror estão mais explícitos. Não bastam gritos, sombras e sugestões. A recorrência tem se pautado em tripas, mutilações e gratuidade. Jogos Mortais - O Final é o símbolo máximo dessa geração. Os produtores anunciaram que esse é o último capítulo da saga de Jigsaw (Tobin Bell), eu duvido. Por mais saturada, a fórmula sempre encontrará curiosos atrás das novas pegadinhas do serial killer.

Jogos Mortais - O Final Jogos Mortais - O Final

terça-feira, 19 de abril de 2011 às 19:28

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O Ritual: o exorcismo na perspectiva de um padre que não acredita em Deus

Nota 4/5
O Ritual
Eu não tenho religião. Mas fico ofendido quando alguém me chama de ateu. Talvez por resquício da minha criação católica. Prefiro assim a assumir uma doutrina qualquer. Gosto de ter a mente aberta para todos os tipos de fenômenos e explicações. Como consequência acabo servindo de coelho para tudo que é história da carochinha.

O Ritual (The Rite, 2011) é um bom exemplo. O filme explora o universo dos exorcismos. Nenhuma novidade. Mas o grande diferencial desse terror é a perspectiva da narrativa. O foco aqui não é o demônio e nem o hospedeiro. É o padre. Mas não aquele experiente e cheio de convicções gnósticas. Aqui o protagonista é um cético noviço chamado Michael Kovak (Colin O'Donoghue).

O Ritual O Ritual

sábado, 28 de agosto de 2010 às 11:35

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Halloween - O Início: um pequeno lúcifer recontando a origem do mal

Nota 4/5
Halloween - O Início
Com tanta violência nos cercando fica difícil um filme de terror provocar algum medo. Com isso, a estratégia dos cineastas tem sido inundar a tela com carnificina explícita. O problema é que até isso já saturou. Hollywood então começou a apelar para a origem de velhos clássicos. Foi assim com "O Massacre da Serra Elétrica" e "Sexta-Feira 13". Assisti aos dois, mas nada de especial me chamou atenção.

Foi quando desenterrei Halloween - O Início (Halloween, 2007). Acabei encontrando o que tanto procurava: um filme de terror pra ter medo da vida. Halloween tem esse poder. Ele nos instiga a pensar sobre velhos tabus. Todo mundo merece viver? O mal é inato? O que fazer com os incuráveis? A ciência conseguirá identificar tendências assassinas? A sociedade aceitará uma triagem genética?

Halloween - O Início Halloween - O Início

domingo, 23 de maio de 2010 às 00:31

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O Lobisomem: um clássico de terror como manda o manual

Nota 3/5
O Lobisomem
A revista Mundo Estranho (ed. 98 / abr-10) fez um tete-a-tete entre os dois maiores mitos do terror no cinema. De um lado os vampiros, cuja lenda se tornou imortal em 1897, através da publicação do romance "Drácula", de Bram Stoker. No lado oposto aparecem os lobisomens, que segundo a mitologia grega teriam surgido através de Lycaon, rei da Arcádia. Ele ofereceu carne humana a Zeus, que, enfurecido, o transformou em lobo como punição. Daí a origem do termo grego "lykantropos", que significa "aquele que vira lobo". No embate da revista os vampiros vencem.

Quem não deve ter acreditado nisso é o pessoal da cidadezinha de Talbot Hall, interior da Inglaterra. A morte de aldeões durante a lua cheia provocou terror na população, obrigando a Scotland Yard intervir no caso. É assim que começa O Lobisomem (The Wolfman, 2010), filme do diretor Joe Johnston. O longa explora a licantropia sob dois aspectos. Na visão da psiquiatria, o mal que se abate na cidade é apenas um distúrbio em que o indivíduo pensa ser ou ter sido transformado em qualquer animal. Havendo tratamento.

O Lobisomem O Lobisomem

terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 23:57

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Arrasta-me para o Inferno: divertido terror sobre a volta triunfal do satanismo

Arrasta-me para o InfernoEm 2002 a revista Superinteressante escreveu: "O Diabo chega ao século XXI deitado sobre a fama arrecadada ao longo do tempo. O Diabo teve que ceder aos progressos da ciência, à liberdade de pensamento e ao avanço da razão sobre a superstição. Mas é inegável que, mesmo reduzido à idéia original que o criou, ele continua influente em nossos dias, qualquer que seja a classe social, o nível cultural ou a nacionalidade das pessoas. Não é exagero dizer que, de certa forma, o velho e mau Satã tem sido revalorizado nos últimos tempos."

É tão verdade que ontem passou um documentário no "History Channel" justamente sobre isso. O programa citava a influência da ira (pecado capital favorito do Tinhoso) nas relações sociais. O texto explorava o organograma do inferno, citando os demônios e sua estrutura de poder. Como uma verdadeira empresa, cada atividade fica a cargo de um dos chifrudos. A reportagem não citou Baphomet, uma espécie de bode humanóide, mas nele reside uma das representações mais importantes do satanismo.

Arrasta-me para o InfernoArrasta-me para o Inferno

Sam Raimi (diretor dos três filmes do Homem-Aranha) pegou essa figura mitológica e criou uma nova lenda: Lamia. No filme de terror Arrasta-me para o Inferno (Drag Me To Hell, 2009), o demônio é invocado pela velha maluca Sylvia Ganush (Lorna Raver), que lança a maldição na pobre Christine Brown (Alison Lohman). A menina então tem três dias para se livrar desse encosto. Com ajuda do namorado Clay Dalton (Justin Long) ela precisará de muita coragem (e dinheiro) para enfrentar a besta antes de ser tragada para o inferno.

Arrasta-me para o Inferno é divertido. Fiquei surpreso com a qualidade no acabamento visual. O ritmo da história é outro ponto forte, mantendo o clima tenso o tempo todo. Gostei também das cenas durante o dia, com demônios atacando sob a luz do sol. O roteiro, apesar de simples, propicia alguns subtramas interessantes, tentando tornar o filme mais próximo da vida real. Cheguei a pensar numa espécie de volta triunfal do satanismo, mas não chega a tanto. Arrasta-me para o Inferno está longe da supervalorização que a mídia especializada anda fazendo. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009 às 21:17

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O Nevoeiro: polêmicas e monstros para redescobrir o poder mágico do último suspiro

O NevoeiroNossa, esse blog está entregue às moscas! Vou dá um jeito nisso resenhando um filme bastante polêmico: O Nevoeiro (The Mist, 2007), história de terror baseado num conto de Stephen King. Não conheço os livros desse rapaz, tenho até curiosidade, mas nunca tive a chance. O que chegou pra mim ao longo dos últimos anos foram alguns filmes baseados em suas obras. O primeiro deles é "O Iluminado" (leia a resenha), um dos piores da história do cinema. Depois veio "O Apanhador de Sonhos", cujo monstro escolhia o buraco menos nobre do corpo humano para se alojar. Até que recentemente lançaram "1408" (leia a resenha), suspensinho inelegível (mas legal) e agora esse O Nevoeiro.

Em momento algum O Nevoeiro renega as origens. É um filme tosco, cheio de criaturas impensáveis e dramas constrangedores. Tudo começa com uma tremenda tempestade na cidadezinha de Maine. Alguns moradores temendo a falta de mantimentos, correm ao supermercado local. Entre eles estão David Drayton (Thomas Jane) e seu filho Billy (Nathan Gamble), de apenas 8 anos (tinha que ter uma criança, né?). Porém um estranho nevoeiro toma conta dos arredores da cidade, deixando todo mundo "ilhado".

O NevoeiroO Nevoeiro

Cansados de esperar que o nevoeiro acabe, alguns corajosos se aventuram saindo do supermercado. Gritos ao longe revelam que essa não foi uma boa idéia. Surge então uma disputa política dentro do supermercado. De um lado os céticos de outro os religiosos. A cada nova tentativa fracassada de fugir do local os religiosos ganham força. Chegam ao extremo de criar uma "mini-inquisição", julgando e condenando alguns à morte. É a parte mais divertida do filme. Adoraria passar essa história numa sala de aula. Poderíamos discutir essas cenas noite adentro. Recomendo aos professores!

Depois é o puro terror-comédia. Monstros invadem o local e fazem a festa. Porém, o diretor, roteirista e produtor, Frank Darabont, deixou para o final a grande polêmica do filme. Com um revólver em punho e quatro balas no gatilho, David conseguiu escapar com seu filho, uma paquera e um casal de idosos. Eles conseguem um carro e tentam fugir para bem longe do nevoeiro. Rodam, rodam, rodam, rodam até a gasolina acabar. Nada da porra do nevoeiro dá uma trégua. O que você faria do lugar de David? Imaginando a dolorosa morte nos tentáculos do monstro, David deu um tiro na cabeça do filho, da paquera e dos idosos. Mas faltou bala pro suicídio. Macabro não acha?

O NevoeiroO Nevoeiro

A que ponto chega um ser humano num momento de desespero completo? Oferecer uma morte digna faz parte da boa conduta humana? Mesmo sem esperanças, vale a pena lutar pela vida? A quem pertence o poder da morte? Não tenho dúvidas que David fez todas essas reflexões antes de tomar a drástica decisão. O problema, para David e para o filme, é que logo em seguida ele encontra o exército americano destruindo o mostro e trazendo a paz de volta à pequena cidade. Já pensou? Muita gente não gostou justamente desse final, mas eu achei o máximo! A cena potencializou a discussão sobre a decisão de David, fazendo-nos inverter a lógica e redescobrir o poder mágico do último suspiro. É como se O Nevoeiro nos dissesse: não tentem controlar a lógica da vida. Nota 3/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008 às 06:36

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A Era da Escuridão: mais uma fracassada adaptação dos games

A Era da EscuridãoCaso o diretor Simon Hunter tivesse transformado A Era da Escuridão (The Mutant Chronicles, 2008) num curta-metragem, com certeza ganharia o Oscar. Os primeiros 15 minutos do filme são excelentes, o campo de batalha parece muito com as imagens da Segunda Guerra Mundial. Enquanto cai uma chuva de bombas e tiros, soldados encurralados numa trincheira trocam idéias, pensam sobre a vida, fazem planos e contam seus feridos. As imagens monocromáticas com efeitos estilizados ajudam a criar o clima ideal de um futuro pós-apocalíptico. Um destino possível, por que não? A falta de alimentos, o aquecimento global, a guerra energética, ingredientes não faltam nesse caldeirão autodestrutivo.

Segundo a lenda mostrada no filme, uma grande estrutura alienígena chamada "A Máquina" veio para nosso planeta. Seu único propósito era transformar homens em mutantes. Depois de muito sofrimento, a união de antigas tribos dos homens conseguiu selar a mortífera engenhoca embaixo da terra. Por anos ela ficou protegida, sendo sua história contada apenas num livro sagrado de crônicas. Porém, no ano de 2707 as quatro grandes corporações que governavam o mundo entram em guerra. Acidentalmente acabam acionando a estrutura que mantinha "A Máquina" protegida. Os mutantes ganham a liberdade e partem para exterminar a raça humana.

A Era da EscuridãoA Era da Escuridão

O irmão Samuel (Ron Perlman), líder religioso da seita que protegia "A Máquina", une esforços com Constantine (John Malkovich), líder de uma das grandes corporações, e montam uma tropa de elite formada por sete fortes combatentes. Entre eles o major casca-grossa Mitch Hunter (Thomas Jane) e a bela guerreira oriental Valerie Duval (Devon Aoki). Eles vão ter que encarar uma jornada suicida até o miolo da terra, destruir a tal máquina e acabar com todos os mutantes. Um a um nossos guerreiros vão sendo capturados e transformados em mutantes. Entre uma decapitação e outra, espaço para rápidas demonstrações de falso heroísmo.

Baseado no velho jogo de RPG "Mutant Chronicles" (1993), em que os jogadores personificam seus personagens e saem pra matança, A Era da Escuridão não funcionou com filme. E nenhum game nesse estilo vai funcionar. Não sei o que passa na cabeça dos caras que resolvem adaptar histórias como essa. No console a lógica é atirar e correr, bastando ficar atento para evitar game-over. Mas quando se tenta vendê-la pra uma massa de gente que nada tem a ver com videogame, o resultado não podia ser outro: fracasso. Adaptam-se livros, quadrinhos, até músicas, mas ninguém conseguirá adaptar um game com qualidade. A dinâmica de um jogador é diferente do espectador. Nota 2/5

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008 às 18:18

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Fim dos Tempos: bizarro, trash, inacreditável, um filme para ficar escondido no canto da locadora

Fim dos Tempos (The Happening, 2008) é bizarro ao extremo, trash total, mais um desastre do aclamado cineasta indiano M. Night Shyamalan. Como de praxe em seus filmes, fiquei esperando uma virada final, estilo "A Vila" (2004), ou imaginando que alguns personagens já estivessem mortos, como "O Sexto Sentido" (1999) e até mesmo ataques alienígenas, como em "Sinais" (2002). Mas o que mais chama atenção em Fim dos Tempos é a cara-de-pau de quem financiou um projeto idiota feito esse.

Basicamente o filme é o seguinte: repentinamente grupos de pessoas congelam por alguns segundos. Ao despertar desse transe, a pessoa sente uma vontade incontrolável de se suicidar. Como isso acontece? Não se sabe ao certo. Alguns personagens apostam que esse fenômeno seria uma resposta da natureza à degradação ambiental. O filme inteiro é isso, o vento passando com a suposta neurotoxina, fazendo com que o cérebro humano perca o senso de autopreservação.

O argumento até que não é ruim: um contra-ataque das plantas. Já que não podem se mover, elas criam formas de se vingar. Interessante. Assim como a crítica à suspeita de ataque terrorista e até mesmo a frieza dos noticiários. Mas haja criatividade para tantos suicídios, quando não é uma chuva de corpos numa construção, é um ataque de leões devoradores de seres humanos. Para se ter uma idéia da apelação, esse é o primeiro filme dirigido pelo M. Night Shyamalan a receber censura "R" nos cinemas dos Estados Unidos.

      

No meio dessa maluquice em formato de filme, o professor de ciência Elliot Moore (Mark Wahlberg) foge para as fazendas da Pensilvania com a esposa Alma (Zooey Deschanel) e uns amigos. Tentando escapar desse "vento mortífero" o professor ainda descobre que é corno (hauhahauhau, tosco demais cara). Enfim. Com baixo orçamento, péssimas atuações e uma história inacreditável, Fim dos Tempos é um filme para ficar escondido no canto da locadora. Nota 1/5

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008 às 06:58

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1408: todo fenômeno sobrenatural requer um certo grau de insanidade ou doses cavalares alucinógeno

1408Para onde vamos depois que morremos? Fantasmas existem? Os mortos podem se comunicar conosco? Essas e outras perguntas estão no filme de terror 1408 (1408, 2007). Uma história para quem não acredita em fantasmas. O título faz referência ao número do quarto, marcado por tragédias e acontecimentos sobrenaturais, do nova-iorquino Dolphin Hotel. Eu não acredito em fantasmas! E o renomado romancista Mike Enslin (John Cusack), também não. Prova disso que o cidadão resolveu enveredar pelo caminho da investigação desses fenômenos paranormais. Assim como o Padre Quevedo, Mike é totalmente cético, nunca tendo encontrado evidências de que exista vida após a morte.

A verdade, segundo Mike, é que muitos hotéis se beneficiam dessa fama de "mal-assombrados" para atrair turistas e faturar uma graninha a mais. Então, quando Gerald Olin (Samuel L. Jackson), gerente do tal hotel, insiste para que o escritor aceite outro aposento, alertando sobre as 56 mortes trágicas no quarto 1408, Mike achou que fosse tudo teatro. Resultado: o rapaz pegou a chave e foi passar uma noite no quarto amaldiçoado, conferir se sua fama está condizente com a verdade. A partir daí, meu amigo, são muitos sustos e aparições demoníacas.

1408      1408

Já estou até me imaginando viajar para algum lugar e acabar hospedado na pôrra do quarto 1408. Não que eu acredite nisso, mas deve ser assombroso. Lembrei de uma historinha. Em 2003, eu estava num hotel em Belo Horizonte. Uma noite qualquer fui ao cinema assistir ao filme de terror "O Chamado". Nele a pessoa recebe uma ligação e sete dias depois morre. Fui dormir meio cansado, ainda pensando no filme. E no meio da madruga, eis que toca a merda do telefone. Acordei no susto! No outro lado da linha uma voz disse:

- Seeeeeven daaays.

Achei que fosse um sonho, daqueles que você não sabe se está dormindo ou acordado. Talvez eu ainda esteja até na própria sala do cinema, pensei. Sim, poderia! Mas não era um sonho. Era real. Levantei e fui tomar uma água. Como aquilo poderia está acontecendo? Fantasmas não existem, ora bolas. Tomei um gole gelado e voltei pra cama. Na manhã seguinte, descobri que tinha sido vítima de um trote. Uma amiga, que também assistiu ao filme, aprontou essa comigo.

Infelizmente 1408 não teve esse mesmo efeito. Evidentemente naquela época eu era só um moleque, além do mais, com o passar dos anos a capacidade de imaginação decresce. Decresce mais não acaba, 1408 é a prova disso. Pois na hora do pega-pra-capar o que realmente aterroriza as pessoas são seus próprios segredos, seus mistérios não resolvidos, seus problemas sem respostas, suas questões inacabadas. Por isso é tão importante encarar de frete as situações e colocar um ponto final em tudo.

1408      1408

Só não gostei do uso que fizeram da filha pequena do camarada, achei um recurso cruel. Podiam ter acabado o filme antes do melodrama. Também não entendi algumas passagens da história, precisaria discutir melhor com mais alguém que tenha assistido. O filme é um grande pesadelo? Não sei. O que sei é que é comum surgir a notícia de uma morte natural, um acidente ou mesmo um suicídio em que ninguém consegue explicar.

1408 é baseado num conto de Stephen King, um dos poucos a dá certo no cinema. O mestre do terror se inspirou numa série de reportagens publicadas sobre o parapsicólogo Christopher Chacon, que investigou um quarto mal-assombrado no hotel Del Coronado, na Califórnia. O barato disso é que 1408 nos ajuda a entender um pouco do processo de criação dos escritores. Particularmente escritores de romances de terror. Por isso que a maioria desses caras é maluca. Para escrever histórias feitas essa, é preciso certo grau de insanidade ou doses cavalares alucinógeno. Nota 3/5

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sexta-feira, 27 de junho de 2008 às 21:01

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Jogos Mortais 4: as armadilhas pós-óbito estão ainda melhores

Jigsaw (Tobin Bell), o serial killer mais aterrorizante dos anos 2000, está morto. Mas quem disse que as armadilhas acabaram? O cara plantou um de seus infinitos gravadores no próprio estômago. Jogos Mortais 4 (Saw IV, 2007) começa na autópsia do maníaco, com seu crânio sendo serrado e o cérebro retirado. A cena é um belo anagrama daquilo que seria o filme. Através do depoimento de sua ex-esposa, somos levados à caminhada que “transformou” o metódico e apaixonado Jigsaw num cruel e sanguinário assassino.

Fiquei até um pouco comovido com a história do velhaco. Jogos Mortais 4 tenta nos convencer que as mortes promovidas por ele, não são gratuitas. O assassino teria um forte motivo: um drogado provocou um acidente que acabou ferindo sua esposa grávida e matando seu filho sete meses. A partir daí o filme desencadeia uma série de respostas aos mistérios por trás da mente atormentada de rei dos jogos. Revela, por exemplo, o motivo da máscara de porco que ele costumava usar, o significado do boneco ventríloquo, a origem do lema "zele por sua vida", etc.

Aos poucos somos mais uma vez seduzidos pela lábia do maníaco. Numa das seqüências mais perturbadoras, Jigsaw diz à sua vítima: "Veja, as coisas não são seqüenciais. O bem não leva ao bem, nem o mal ao mal. Pessoas roubam, não são pegas, vivem uma vida boa. Outros mentem, trapaçam e são eleitos. Algumas pessoas param pra ajudar um motorista encalhado e são atropelados por um caminhão. Não há justificativa pra isso. Como joga as cartas que lida... é tudo o que importa". A partir daí não tem mais volta, é contar os segundos e preparar o estômago para mais um banho de sangue.

      

Eu sei que aquilo é tudo borracha, mas meu espírito não. Cada nova armadilha é um frio na espinha. O assassino arma um verdadeiro circo de horrores em cada uma de suas "lições de carpe diem". Detesto mortes com uso de facas, numa das cenas a vítima é obrigada a esfacelar o próprio rosto para tentar escapar da morte. Outro a perfurar os olhos. Uma a matar o marido e por aí vai. Numa eleição bizarra eu poria a cena em que uma engenhoca puxa o cabelo de uma mulher até arrancar todo o couro cabeludo. Difícil de assistir. Parei e voltei por três vezes.

Precedido por Jogos Mortais (2004), Jogos Mortais 2 (2005) e Jogos Mortais 3 (2006), não tenho a mínima idéia de qual será o ponto de partida para Jogos Mortais 5, já que as fitas K7 estão acabando. Quem não tem nada com isso é a Twisted Pictures, que já marcou data para o lançamento do quinto capítulo da série: Halloween 2008. Pediremos licença ao diabo para, mais uma vez, tentar ver o que ele via, sentir o que ele sentia e julgar como ele julgava. Ô sujeitinho difícil de morrer...Nota 2/5

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 às 15:27

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Eu Sou a Lenda: Will Smith iluminando a escuridão com ajuda de Bob Marley

Aos 47 minutos do 2º tempo, a Warner Bros. Pictures comemora um feito histórico. O filme Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2007), ficção científica estrelada por Will Smith, bateu o recorde de maior bilheteria de um fim de semana no último mês do ano (US$ 76,5 milhões), que pertencia ao ultrapoderoso "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (2003). Isso significou também o maior trabalho da carreira do astro de "Homens de Preto" (1997).

Com direção de Francis Lawrence ("Constantine", 2005) e roteiro de Mark Protosevich e Akiva Goldsman, Eu Sou a Lenda é uma adaptação cinematográfica da clássica história de horror publicada em livro homônimo por Richard Matheson. O livro original de 1954 inclusive já foi filmado outras duas vezes com os títulos de "Mortos que Matam" (The Last Man on Earth, 1964) e "A Última Esperança da Terra" (The Omega Man, 1971). A obra de Richard Matheson é considerada por muitos como a mais inteligente e empolgante ficção sobre vampiros desde Drácula.

O romance distópico centra-se em Robert Neville (Will Smith), um brilhante cientista que não pôde conter o terrível Krypton Vírus, criado pelo próprio homem com intuito de achar a cura para o câncer. De alguma forma imune, Neville é agora o último ser humano que sobrevive na cidade de Nova York, e talvez no mundo. Por três anos, o cientista tem enviado mensagens de rádio diariamente, desesperado para encontrar outros sobreviventes que possam estar em algum lugar.

      

Mas ele não está sozinho. Vítimas mutantes da praga, os infectados (vampiros? zumbis?) espreitam nas sombras observando cada passo de Neville, esperando que cometa um erro fatal. Talvez a única esperança da humanidade, motivado somente por uma missão: achar um meio de reverter os efeitos do vírus usando seu próprio sangue imune. Mas ele sabe que está em desvantagem... e rapidamente ficando sem tempo.

O filme começa numa New York abandonada. Logo pegamos carona no lendário Mustang Shelby Cobra GT 500. O cara persegue uma manada de antípoles em plena Manhattan, dando de cara com uma família de leões. A Warner Bros. disponibilizou os três primeiros minutos do filme na internet (clique aqui). O trabalho da direção de arte é perfeito, deixando a Big Apple de maneira inacreditável. Consta que os produtores precisaram da autorização de 14 agências governamentais para rodar as cenas abertas. O custo estimado para a realização de seis noites de filmagens foi de US$ 5 milhões.

Ao contrário de outros filmes de terror, Eu Sou a Lenda não nos apresenta os infectados logo de cara. O filme trabalha numa espécie de espiral. Com isso, temos uma bela ambientação da situação de Neville, sem pressa. As explicações vêm em formato de flashback, que ajudam a criar um clima de emoção, humanizando o personagem principal. A despedida de Neville da sua família, por exemplo, é comovente. Tudo com muita sutileza, nada explícito. O diretor trabalha o tempo todo com a sugestão de imagens.

      

Já que temos tempo de sobra, vamos passear por New York. Pela manhã Neville assiste as notícias na TV (gravação, evidentemente), depois visita uma locadora para alugar um DVD (o cidadão fala com os bonecos como se fossem humanos), à tarde joga golfe em cima de um avião da Força Aérea Americana. Tudo acompanhado de Samantha, uma cadela pastor-alemão. A relação entre os dois é bem parecida com a que Tom Hanks desenvolveu com a bola Willson, no filme "Náufrago" (2000).

Falando nisso, o filme trabalha muito bem o lado psicológico da história. Uma das melhores passagens ocorre quando Neville, depois de passar mais de mil dias sozinho, encontra a brasileira Anna (Alice Braga). Imagine você: há três anos sem família, de repente encontra na bandeja uma mulher (tão linda quanto a sua) e um garoto (da idade de sua filha). Fica bem claro ao expectador que Neville sucumbirá. Mas não há tempo. Eles agora estão encurralados. E naquele momento, olhando para a foto da família, diante do ódio e da loucura humana, parte para o sacrifício máximo e torna-se a própria divindade, o Salvador. Eu Sou a Lenda seria um anagrama da história de Cristo?

Isso eu não sei, mas posso garantir que o filme é uma tremenda homenagem a Bob Marley. O reggae real domina a história por completo. Músicas como "Three Little Birds", “I Shot The Sheriff” e "Stir It Up" sonorizam a história e deixam tudo mais colorido. Numa das cenas Neville explica quem é Bob Marley à Anna, que diz não conhecer o mito. Ainda que o filme se passe em 2012, existiria alguém incapaz de saber quem é Bob Marley? Não sei. Talvez seja uma dura crítica do roteirista querendo dizer que a humanidade está esquecendo o legado desse gênio da música.

O cientista conhece Bob Marley, mas não conhece Deus. Quando Anna o chama a fugir de New York em busca de sobreviventes, Neville explode: "Deixa-me te falar sobre o plano do teu Deus. Havia seis bilhões de pessoas na Terra, quando começou a infecção. O vírus K teve uma taxa de 90% de mortes. Isso são 5,4 bilhões pessoas mortas! Esmigalhadas e esvaídas em sangue. Mortas! Restou menos de 1% de imunidade. Os outros 588 milhões tornaram-se seus piores pesadelos. E eles ficaram famintos, mataram e alimentaram-se de todos. Todos! Não existe Deus. Não existe Deus!"

      

Como você pode ver, Eu Sou a Lenda é um filme denso. Mas nem por isso chato. Longe disso. Além dos vários sustos com o estilo "Counter Strike" de filmar, fique atento aos easter eggs (àquelas referências que passam despercebidas aos olhos menos atentos e acabam se tornando uma espécie de versão subliminar da história). Eu consegui perceber imagens de Bob Marley nas paredes da casa, quadro com a pintura "O Grito" (do norueguês Edvard Munch), banner do hipotético filme "Batman vs. Superman", cartaz com os dizeres "Deus ainda nos ama" e trechos do filme "Shrek" passando na TV.

O final é brilhante. Com tudo prestes a um destino trágico... o barulho cessa. Lentamente a voz de sua pequena filha invade seus pensamentos. É um momento mágico! Na hora lembrei do filme "Matrix" (1999), com Neo descobrindo que tinha surperpoderes. Está provado que grandes se tornaram gênios após esse mergulho cósmico mental. Tudo começa a se encaixar envolto a um silêncio sepulcral: "Eu tenho a cura! Eu tenho a cura! Eu posso salvá-los!" Não há mais tempo. Tudo agora é um grande nada. Minerva. Eu Sou a Lenda é um filme para deitar, pensar, pensar, pensar... Nota 5/5

Confira o trailer legendado clicando no botão play da imagem abaixo.


P.S.: A Vertigo anunciou uma revista online com histórias que ajudam a contextualizar o filme (clique aqui).

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