O terço, segundo ela, curou uma grave doença no pobre miserável. Com isso o objeto de madeira passou a ser tratado como um pequeno milagre. No sábado passado ela me fez uma visita, trouxe o inseparável terço. Depois de passar um bom tempo falando de suas aventuras turístico-religiosas, ela abençoou minha casa e despediu-se. Meia hora depois me liga desesperada falando que havia esquecido o bendito terço no sofá. Como no dia seguinte haveria missa, passou-me a missão de acordar cedinho e levar seu "pequeno milagre" à igreja. Terço entregue, missa realizada, fé renovada.
Em Nova York percebe que dois grupos disputam a garota. Então Toorop terá que decidir a quem entregar a "encomenda": aos religiosos, que prometem usá-la como instrumento para aumentar o rebanho de fiéis, ou aos cientistas, que provavelmente irão usá-la como arma biológica. A partir de sua decisão, muita coisa estranha acontece. Todos os mistérios levantados no começo do filme são respondidos de forma atabalhoada, como uma tempestade que chega inesperadamente e encerra de maneira fulminante. Um mundaréu de indagações sem uma lógica aparente.
Acho, porém, que o grande barato de Missão Babilônia é o contraste. Por exemplo: o filme inicia mostrando um futuro pós-apocalíptico devastado por guerras nucleares. Nesse caos urbano impera a lei da selva, todas as pessoas são rastreadas e vigiadas por satélite, pisoteiam-se em busca de exílio, disputam comida e espaço. No lado oposto o filme termina de maneira serena, na tranquilidade de uma casa campestre nos arredores de Nova York. Outro exemplo: o velho carro soviético que Toorop inicia sua jornada chega rebocado por um helicóptero. A cena é sensacional, o cara paradão na esquina, nem sinal de carro. De repente o carro cai do céu, bem nos seus pés. Inimaginável.
Missão Babilônia está recheado dessas pequenas explosões de idéias. O próprio contraste entre o matador durão que começa o filme e o ingênuo papai que termina, é algo bem legal. Baseado no romance "Babylon Babies" do francês Maurice G. Dantec, a aventura futurista Missão Babilônia nunca perde a velocidade, aguçando a curiosidade do espectador até o fim. Pena que as respostas tenham vindo de forma tão desconexa. Ao site francês AMCTV.com, o diretor Mathieu Kassovitz culpou a Fox pelas várias remontagens. Ele disse que a versão final do filme "não passa de pura violência e estupidez, não tem nada a ver com o que havia planejado originalmente". Pelo visto o cara jogou pedra na cruz.
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