Depois de muita ansiedade na sala de espera, entrei no escritório da gerente de Recursos Humanos. Ela me falou alguns elogios, porém disse que eu não havia conseguido a vaga. Naquele momento eu preferia que ela tivesse cuspido na minha cara. O pior é que a mulher continuava falando e falando, eu só queria levantar e ir embora. Só depois comecei a suspeitar que aquela entrevista fosse a etapa final do processo seletivo. Acho que ela falou aquilo para testar minha inteligência emocional. Nesse ponto fui fraco, vacilei. Um pouco de malícia naquela hora teria me ajudado.
No lado esquerdo do ringue, pesando 70kg, Doooooooug Stauber (Seann William Scott). Mesmo sendo um cara inteligente, em seus trinta e poucos anos de vida nunca conseguiu alcançar o sucesso profissional. Ele vive as angústias de não conseguir oferecer um mínimo de conforto à sua esposa, sofre vendo colegas bem sucedidos e se entristece ao perceber que o futuro prometido nunca chegou. No córner direito, pesando 120kg, Riiiiiiichard Wehlner (John C. Reilly). Esse ex-motoqueiro selvagem é casado e tem uma linda filha, mesmo assim enfrenta problemas familiares, o novo emprego poderia ser a salvação de sua família.
A Promoção é uma excelente crítica ao modelo plastificado de empresas que se autoproclamam "família", obrigando os empregados a "vestir a camisa", humilhando-os ao impôr a máxima que os "clientes têm sempre razão" e mentindo ao dizer: "sua sugestão é importante pra nós". Um golpe naqueles que proliferam essas e tantas outras bobagens que escutamos em palestras e lemos nos livros da década passada. Um modelo falido. Esse supermercado suburbano em que Doug e Richard competem, é uma representação simbólica desse nosso mundo sem sonhos, uma máquina social que oprime nossas diferenças e em troca nos dá o mínimo para sobrevivência.
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