O problema é que não gostei do filme. Confesso que estou na dúvida se devo ou não cair na besteira de criticar O Cheiro do Ralo. De um lado meu "refinado" gosto cinematográfico, do outro críticos gabaritados e suas analogias sofisticadas. Esse é meu dilema. Nesse caso, acho melhor ser sincero, mas tomando o cuidado de especificar claramente o que não gostei e o porquê. Pois gosto é que nem nariz.
Começando... Lourenço (Selton Mello) é o dono de uma loja que compra objetos usados. Aos poucos ele desenvolve um jogo de poder com seus clientes. Ele troca a frieza inicial com que conduz as negociações, pelo prazer orgástico que sente ao explorá-los, já que sempre estão em sérias dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo Lourenço passa a ver as pessoas como se estivessem à venda, identificando-as através de uma característica ou um objeto que lhe é oferecido.
Também não gostei do ritmo da história. Todo tipo de personagem vai entrando e saindo do escritório querendo vender suas tranqueiras. Achei hipnótico demais. Um mantra envolvendo cada negociação e do tal cheiro do ralo. É como um cachorro que tenta morder o próprio rabo. Basta alguém entrar no escritório para sentir o cheiro de merda que sai do ralo. Lourenço sempre avisa: "é o ralo, o cheiro é do ralo do banheiro que está entupido". Mas a porra do cheiro é viciante e aos poucos vai enlouquecendo (ou seria entorpecendo?) o sujeito. O filme não chega a ser engraçado, mas algumas cenas — de tão toscas e grotescas — são de fácil risada.
Com jeitão de anos 80 e uma temática bem acima de minha capacidade cultural, não conseguiu alcançar o conteúdo ideológico do filme. Antigüidades, bundas, merda, perversão, revólver, olho de vidro. Não saquei. É como se O Cheiro do Ralo estivesse trancado num quarto. Pela fechadura consigo enxergar boas coisas lá dentro (a bunda, por exemplo), o problema é que ainda não tenho a chave. Por não saber o que contém O Cheiro do Ralo, digo que não gostei do filme.
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