segunda-feira, 20 de março de 2006 às 21:57

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Laranja Mecânica: aperte play e controle sua ânsia de vômito

Adoro livros sobre distopia. Sou fã de escritores como George Orwell e Aldous Huxley. No cinema meu gênero predileto é Ficção Científica. Fico satisfeito com pouco, basta um roteiro original e uma trilha sonora bem feita. Mas convenhamos uma boa direção e interpretação também ajuda. Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) de Stanley Kubrick, tem tudo isso.

O filme, baseado no livro de Anthony Burgess, mostra um futuro diferente de qualquer coisa que já vi no cinema. Para mim foi uma experiência realmente inédita. Quatro jovens formam uma gangue de bárbaros: espancam mendigos, confrontam outras gangues, roubam velhos e estupram mulheres. Temáticas contemporâneas não acha?

Laranja Mecânica      Laranja Mecânica

O filme ganha em qualidade quando Alex DeLarge (Malcolm McDowell), líder da gangue, é preso depois de assassinar uma mulher. As autoridades lhe oferecem uma opção para escapar de longa sentença: submeter-se a um tratamento que lhe fará sentir insuportável aversão diante de qualquer cena ou ato violento. O tratamento consiste em injetar uma droga no paciente para que ele sinta-se mal durante apresentação de vídeos com cenas de violência e sexo. O filme teve por base os estudos sobre condicionamento operante do americano B.F. Skinner.

Alex é obrigado a assistir essas imagens com seu corpo preso, além disso são colocadas garras nos seus olhos, para que estes mantenham-se abertos. Alex é libertado, mas se tornou incapaz de reagir à brutalidade do seu ambiente. Isto faz dele uma vítima fácil de todos aqueles que ele fez sofrer no início do filme. Rejeitado pelos pais, espancado por mendigos, humilhado por membros de sua ex-gangue e torturado pelo velho que teve sua esposa estuprada por sua gangue, Alex tenta suicídio. Tudo bem, vou parar por aqui senão conto o final.

Laranja Mecânica      Laranja Mecânica

Vale a pena assistir Laranja Mecânica pelas loucuras do diretor Stanley Kubrick. Ele propositalmente cometeu alguns erros de continuidade. Em uma das cenas, os pratos sobre a mesa trocam de posição e o nível de vinho nas garrafas muda em diversas tomadas, com a intenção de causar desorientação ao espectador. Numa outra loucura do diretor, uma cobra foi colocada nas filmagens depois que Kubrick descobriu que o ator principal tinha medo delas.

Criticado por fazer um filme polêmico e violento, Kubrick chegou a declarar que Tom & Jerry era pior, pois mostrava a violência de forma positiva. Muito bom! Laranja Mecânica é a trajetória de um maníaco nascido para o mal. Aperte play e controle sua ânsia de vômito. Nota 3/5

Confira o trailer não-oficial clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 18 de março de 2006 às 11:40

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Apocalypse Now: suas opiniões sobre os filmes de guerra nunca mais serão as mesmas

Surreal! Incrivelmente surreal! Não vejo melhor verbete para sintetizar esse clássico do cinema que ficou 27 anos na prateleira da locadora esperando por mim. Apocalypse Now (Apocalypse Now, 1979) nessa nova versão Redux, com 53 minutos inéditos em relação ao original, é o clássico de guerra.

Dirigido por Francis Ford Coppola, o filme se passa em plena guerra do Vietnã. O Capitão Willard (Martin Sheen), oficial do exército americano, recebe uma missão secreta: navegar por um perigoso rio, encontrar e matar Coronel Kurtz (Marlon Brando), que aparentemente enlouqueceu e se refugiou nas selvas do Camboja, onde comanda um exército de fanáticos.

Existem bons motivos para ficar apaixonado pelo filme. O primeiro deles é o delirante e metafórico roteiro. Adaptado do romance de Joseph Conrad pelo próprio Coppola em parceria com John Milius, a história vai ganhando fôlego a cada seqüência. O segundo bom motivo para enlouquecer com o filme é o encontro entre o Capitão Willard e Tenente-Coronel Kilgore (Robert Duvall). Kilgone é louco, lidera um ataque com seu esquadrão de helicópteros ao som da Cavalgada das Valquírias, de Wagner, e comanda um campeonato de surfe mesmo com os inimigos atirando sem parar!!! É ou não é surreal?!

Apocalypse Now      Apocalypse Now

Outro bom motivo para Apocalypse Now entrar na lista dos favoritos é o prazer em assistir o poderoso ator Laurence Fishburne (o Morpheus de "Matrix"), no auge dos seus 14 anos, interpretando Clean, um adolescente negro do Bronx. O legal é que para conseguir o papel ele mentiu sobre sua idade quando a produção de Apocalypse Now teve início, em 1976.

Mais um motivo para viciar no filme é a enigmática interpretação de Marlon Brando como o Coronel Walter E. Kurtz. O filme tem mais de 3 horas de duração, em duas delas Coppola cria uma expectativa tão grande em relação ao encontro final entre o Willard e Kurtz que cheguei a pensar que essa seqüência decepcionaria. Mas não. A chegada na vila dominada por Kurtz é esplêndida. Os nativos curiosos, crânios jogados pelo chão, corpos em decomposição e, finalmente ele, o Coronel Kurtz. Coppola apresentou-o sempre na penumbra. O engraçado é que essa foi uma exigência do próprio Marlon Brando. O ator não queria fazer o filme porque estava 40 quilos acima do seu peso normal, andava freqüentemente bêbado, admitia não ter lido o script e nem o livro em que Apocalypse Now foi baseado. Ele acabou entrando no filme e o resultado é show!

Apocalypse Now      Apocalypse Now

Para completar essa epopéia cinematográfica, o próprio diretor Francis Ford Coppola ameaçou por diversas vezes se suicidar durante as filmagens. Um dos motivos foi o atraso nas gravações. Originalmente estava previsto apenas 6 semanas, mas a produção terminou se estendendo para 16 meses em função de um furacão que destruiu todos os sets de filmagem. Mesmo depois de ter provado seu talento dirigindo "O Poderoso Chefão I e II" (leia meu post), Coppola foi esnobado por vários estúdios. Ele queria provar que era capaz de filmar uma grande produção do tamanho de Apocalypse Now. E provou.

Depois de vê Apocalypse Now, suas opiniões sobre os filmes de guerra nunca mais serão as mesmas. Precisa dizer mais alguma coisa? Grande Coppola! Nota 5/5

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sábado, 11 de março de 2006 às 01:44

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A Marcha dos Pinguins: vida de imperador não é fácil

A Marcha dos Pinguins (La Marche de L'Empereur, 2005) é um documentário francês que conta a saga dos pinguins imperadores para a procriação da espécie na Antártida. A produção venceu o Oscar 2006 como melhor documentário.

Dirigido por Luc Jacquet e com uma linda trilha sonora feita por Emilie Simon, o documentário é como se fosse um episódio do Discovery Channel dirigido por William Shakespeare. Romântico e trágico. Uma história de amor entre um casal de pinguins na luta pela sobrevivência de seu filhote. Sempre que vejo uma produção desse gênero me interrogo sobre a linha tênue entre humanos e os demais animais. Mais do que imagens, o documentário é sobre os valores humanos, amor, vida, traumas e morte. A sensacional mágica da natureza!

A versão americana conta com a narração de Morgan Freeman. No Brasil essa foi feita por Tony Ramos e Patrícia Pillar. No entanto recomendo a versão original em francês. Ah, esqueci de dizer que o documentário é como uma espécie de diário falado dos pinguins, eles "conversam" entre si. Muito legal! Nota 4/5

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domingo, 5 de março de 2006 às 21:31

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Johnny & June: a trajetória romântica de Johnny Cash

Johnny & June (Walk The Line, 2005) é uma cine-biografia do cantor Johnny Cash. Para quem não sabe, ele foi um dos pioneiros do rock and roll nos anos 50, considerado uma lenda viva do country alternativo. Johnny & June recebeu 5 indicações ao Oscar: Ator (Joaquin Phoenix), Atriz (Reese Witherspoon), Som, Edição e Figurino.

O filme mostra a trajetória do cantor Johnny Cash (Joaquin Phoenix), desde sua juventude em uma fazenda de algodão até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins. Sua personalidade marginal e a infância tumultuada fazem com que Johnny entre em um caminho de auto-destruição pelo uso de anfetaminas. No final, apenas June Carter (Reese Whiterspoon), o grande amor de sua vida, foi capaz de salvá-lo da morte.

O filme é uma história de amor doentia. Um Johnny que colocou a paixão por uma mulher acima do se amor pela música. Obcecado, só descansou quando conseguiu convencer a amada a tornar-se sua esposa. Para quem assiste atrás do gênio musical, só encontrará o debilóide sentimental. Nota 2/5

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Terra Fria: discriminação sexual denunciada com muita simplicidade e pertinência

Terra Fria (North Country , 2005) recebeu 2 indicações ao Oscar, categorias: Atriz (Charlize Theron) e Atriz Coadjuvante (Frances McDormand). Baseado em fatos reais, Terra Fria narra a história de Josey Aimes (Charlize Theron). Depois de um casamento fracassado em que apanhava do marido, ela retorna à sua cidade natal em busca de emprego. Mãe solteira e com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de empregos da região: as minas de ferro. Além do trabalho duro que enfrenta, Josey e as demais mulheres da mina tem que conviver com a discriminação e o assédio sexual dos seus colegas de trabalho. Ignorada pelos empregadores, ela decide levar o caso à justiça.

Os críticos de cinema detonaram quase tudo no filme, incluindo roteiro, direção e elenco. Como não sou especialista e não tenho a obrigação de fazer uma análise técnica, posso emitir a simples opinião de um leigo. O filme é excelente, denuncia a discriminação sexual com muita simplicidade e pertinência. O filme de alguma maneira agrega bastante valor a quem assiste. Um dos melhores de 2005, com certeza. Nota 4/5

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sábado, 4 de março de 2006 às 18:47

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O Jardineiro Fiel: demos graças à incrível sensibilidade de Fernando Meirelles

O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2005) é o primeiro longa-metragem em inglês dirigido pelo gênio brasileiro Fernando Meirelles. Para quem não sabe, Meirelles é o pai do projeto que levou "Cidade de Deus" para os cinemas. O Jardineiro Fiel foi eleito o melhor filme inglês de 2005 pela Associação dos Críticos de Cinema de Londres, tendo conquistado ainda o prêmio de melhor ator e melhor atriz. No Oscar, o filme concorre em quatro categorias: Atriz Coadjuvante (Rachel Weisz), Roteiro Adaptado (Jeffrey Caine), Montagem e Trilha Sonora Original.

A história é sobre a luta da ativista Tessa Quayle (Rachel Weisz) contra as práticas ilegais da indústria farmacêutica mundial. Documentos descobertos por Tessa comprovariam o uso de cobaias humanas nos testes com novos remédios no Quênia. A ativista é assassinada e seu marido Justin Quayle (Ralph Fiennes) resolve continuar com a investigação.

O filme começa morno, com os personagens tentando entender as ligações entre três grandes corporações que financiam as experiências farmacêuticas. A própria história de amor entre os protagonistas é fria e indiferente.

O Jardineiro Fiel      O Jardineiro Fiel

No entanto, nos últimos 60 minutos a história se torna um thriller emocionante e perturbador. Destaque para a chacina na tribo africana e o comovente final em que o marido Justin, enfim, entende os motivos da dedicação que sua esposa Tessa tinha junto à causa queniana.

Uma frase percorre todo o longa: "Não podemos salvar o mundo, então por que se preocupar com o problema dessas pessoas? Elas morrerão de qualquer jeito mesmo." Lembrei da célebre frase de Oscar Schindler: "Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro". Demos graças à incrível sensibilidade de Fernando Meirelles que nos mostra o universo miserável de parte do povo africano. O Jardineiro Fiel nos mostra a verdade dos fatos, apenas a verdade. Nota 3/5

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Munique: o retrato sangrento de uma guerra sem fim

Munique (Munich, 2005) é o filme mais polêmico da carreira de Steven Spielberg. Para coroar sua ousadia, o longa recebeu 5 indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Edição. Acredito eu na conquista da estatueta de Melhor Diretor, nada mais.

A marca "Spielberg" é certeza de sucesso. Filmes como "E.T. - O Extra-Terrestre", "Indiana Jones" e "Jurassic Park", levaram-no ao topo das bilheterias mundiais. Entretanto, foi a partir "A Lista de Schindler" e "O Resgate do Soldado Ryan", que Spielberg tornou-se imortal, sendo na minha opinião, o maior diretor de todos os tempos.

Com Munique, Spielberg volta à temática que lhe rendeu os melhores frutos. A trama aborda os acontecimentos terroristas posteriores ao seqüestro e assassinato de 11 atletas israelenses durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Ação essa transmitida ao vivo para 900 milhões de pessoas. A história do filme acontece quando uma equipe secreta, inexperiente e heterogênea, formada por cinco homens, recebe a missão de rastrear e matar os 11 palestinos suspeitos de planejar o ataque na cidade alemã.

Diferente de um documentário jornalístico que mostra o conflito no Oriente Médio em terceira pessoa, o filme inova ao abordar a mesma situação sob a perspectiva dos envolvidos. Mas não espere por heróis e não espere por bandidos. O filme é um retrato sangrento de uma guerra sem fim. Pela intenção, aplausos para Spielberg. Já pelo resultado... Nota 2/5

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quinta-feira, 2 de março de 2006 às 00:21

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Boa Noite e Boa Sorte: o difícil é não dormir com tanto assunto gringo

Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, 2005) é um filme de George Clooney, baseado em roteiro de Grant Heslov. Rodado totalmente em preto-e-branco o filme recebeu 6 indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Ator (David Strathairn), Roteiro Original, Direção de Arte e Fotografia.

A história é uma aula sobre o macarthismo americano da década de 50. Diversas cenas reais mostram a obsessão do senador Joseph McCarthy contra supostas redes comunistas que estariam planejando o fim do império norte-americano (ergh!). O filme todo se passa nos bastidores da rede de TV CBS, na qual o apresentador Edward R. Morrow (David Strathairn) inicia uma briga contra os donos da emissora, patrocinadores e políticos.

O filme é chato pra caramba. Difícil é não dormir com tanto assunto eminentemente gringo. Acredito que conquiste a estatueta de Direção de Arte, nada mais. Até agora me pergunto o motivo do filme ter sido rodado em preto-e-branco. Enfim, reprovado pelo conjunto da ópera. Nota 1/5

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quarta-feira, 1 de março de 2006 às 21:58

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Capote: vale tudo por uma boa história?

Capote (Capote, 2005) é um drama sobre o aclamado escritor americano Truman Capote. O filme não é uma biografia de Capote, na verdade a história mostra o processo de criação do livro "A Sangue Frio" (In Cold Blood). Publicado em 1965 o livro tornou-se um dos maiores romances do século XX.

O filme recebeu 5 indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Ator (Philip Seymour Hoffman), Atriz Coadjuvante (Catherine Keener) e Roteiro Adaptado. A estatueta de melhor ator é garantida. Hoffman se superou, conseguiu capturar todas as nuances físicas e psicológicas do personagem. A voz infantil, os trejeitos afeminados e um ar de eterna superioridade são garantia de Oscar.

A história se passa em novembro de 1959, quando o escritor Truman Capote começa a investigar o assassinato de uma família do Kansas. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Ele ganha a confiança dos assassinos para entender tudo que ocorreu na noite da chacina. Material suficiente para escrever seu livro e entrar para história. Excelentes interpretações e um bom filme! Nota 3/5

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