domingo, 22 de setembro de 2013 às 11:40

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Inferno: uma peregrinação malthusiana pelo ponto turístico criado por Dante Alighieri

Nota 4/5
Inferno - Uma Nova Aventura de Robert Langdon
Acabamos de chegar à marca de 7,2 bilhões de pessoas vivendo na Terra. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as projeções de crescimento demográfico apontam que esse número será de 8,1 bilhões em 2025. É matemática: o consumo de recursos naturais hoje excede em 50% a capacidade da natureza de se renovar. Mantendo esse padrão de vida, em 20 anos serão necessários dois planetas Terra. Esse é o resultado do ritmo de crescimento da população mundial a partir da Revolução Industrial.

A explosão demográfica foi abordada de forma contundente em 1968, através da publicação do livro "A Bomba Populacional", do biólogo americano Paul Ehrlich. Naquela época a população era de apenas 3,5 bilhões. O problema da superpopulação estava só decolando. Desastres envolvendo a escassez de alimentos, a destruição da natureza e riscos biológicos, eram apenas enredos de ficção científica. A revista Superinteressante de maio de 1993 (ed. 068) abordava o tema: "O argumento de Ehrlich era simples: se o crescimento da população não fosse contido, a própria natureza se incumbiria de contê-lo."

Esse assunto volta à pauta global por culpa do livro Inferno - Uma Nova Aventura de Robert Langdon, sexto romance policial do escritor americano Dan Brown. Em teoria, debater um tema tão complexo através das peripécias de um professor de simbologia que usa relógio do Mickey, chega a ser patético. Na prática, os recursos estilísticos empregados têm compromisso apenas com a beleza estética do texto e com o nível de imersividade na história. A ficção termina na ficção. Mas o que não podemos negar é a plasticidade da Teoria Populacional Malthusiana, argumento que sustenta o romance.