300 é uma adaptação da graphic novel "Os 300 de Esparta", de Frank Miller. O filme reproduz todas as características que mais gosto: estilo visual dos mangás, violência gratuita, script complexo, referências históricas clássicas, enredo derivado das grandes tragédias gregas, cenas de ação estilosas e adaptado para os videogames mais poderosos.
Visualmente incrível, 300 é uma poesia visual inédita a meus olhos. Navegando pela mesma estética visual criada por Robert Rodriguez em "Sin City - A Cidade do Pecado" (2005), o filme inteiro parece ser um "trailer alongado". É uma cena magnífica atrás da outra. Seqüências de ação espantosas, como a tempestade de flechas e a barbárie da muralha de corpos.
"Quando um garoto nascia, os velhos espartanos o analisavam detalhadamente. Caso o garoto fosse pequeno, raquítico, doente ou deformado, era descartado. Quando já podia ficar em pé, era batizado no fogo do combate, ensinado a nunca recuar, a nunca se render. Ensinado que a morte no campo de batalha, a serviço de Esparta, era a maior glória que ele poderia alcançar na vida."
"Aos 7 anos, o garoto era tirado de sua mãe e jogado num mundo de violência. A Guilgue - como é chamada - força o garoto a lutar, o deixa faminto, o força a roubar e, se necessário, a matar. Com porretes e chicotes o garoto era punido. Ensinado a não mostrar dor, nem piedade. Constantemente testado, jogado no mundo selvagem, deixado para usar sua inteligência e força de vontade contra a fúria da natureza. Era sua iniciação."
Nesse quesito, cada personagem é inovador. A cena com o Oráculo é fantástica. Segundo a tradição, as mais belas mulheres espartanas são levadas pelos Éforos para morar com eles. Éforos são velhos leprosos que representam a lei e vivem isolados no topo de uma colina. Anestesiadas por fumaças alucinógenas, essas mulheres formam o Oráculo. Segundo a lenda, as moças conseguem prever o futuro.
Outro personagem incrível é o deus-rei Xerxes, interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro. Lembra um pouco a Lady Die do filme "Carandiru" (2003). Achei surpreendente e bem legal o personagem do cara. Gostei também do Gerard Butler, que faz o rei espartano Leônidas. O cara é brilhante naquilo que se propõe. Seus melhores momentos ocorrem nos segundos antes das grandes decisões. As reflexões silenciosas lembram muito os últimos momentos de Maximus, em "Gladiador" (2000).
Com direção de Zack Snyder e roteiro do próprio Snyder, junto com Kurt Johnstad e Michael Gordon, 300 é um filme para entrar na história. Um conto sobre glória, liberdade e amor por seu país. Pense comigo: o que seria de nós sem Frank Miller? This is Sparta!
Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.