sexta-feira, 10 de agosto de 2007 às 22:22

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Motoqueiros Selvagens: os trapalhões buscando liberdade sobre duas rodas

Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs, 2007) é de matar de rir. Uma comédia inteligente, natural e cheia de grandes atores. O filme tem tudo para agradar gregos e troianos. Uma história sobre a crise da meia-idade, utilizando como argumento o sonho de todo jovem: subir numa Harley Davidson e cruzar o país sem destino. É quase um clichê, mas viajar de moto sem destino continua sendo o exemplo mais comum quando se tenta traduzir a palavra "liberdade".

Doug Madsen (Tim Allen) é um dentista com complexo de inferioridade. Luta para conseguir a atenção do filho e sofre com a proibição de comer alimentos gordurosos. Woody Stevens (John Travolta) é um executivo rico e carismático que parece ser um grande vencedor, mas sofre com problemas pessoais. Está falido, foi abandonado pela esposa e procura uma maneira de fugir das dívidas.

      

Bobby Davis (Martin Lawrence) é um encanador desempregado dominado pela mulher. Ele decidiu ficar sem trabalhar por um ano para tentar tornar-se um escritor de sucesso. Enfrenta problemas sérios com a família, não tendo respeito de suas próprias filhas. Dudley Frank (William Macy) é um solteirão programador de informática viciado nos produtos da Apple. Ele é o melhor do filme, uma espécie de "Zacarias" no meio dos motoqueiros trapalhões.

Os quatro formam uma "gangue boazinha" chamada Motoqueiros Selvagens. Costumam sempre se reunir aos finais-de-semana para andar de moto pelo subúrbio e tomar umas cervejas num barzinho local. Até que o grupo decide agitar suas vidas monótonas com a realização de uma viagem sem destino. Cada um escapa como pode do trabalho e passam a viver cômicas aventuras na estrada, como tomar banho pelado de cachoeira na companhia de um guarda florestal boiolão.

      

Com o tempo eles começam a dividir segredos, até que enfrentam uma gangue de motoqueiros bad-boys chamada Del Fuegos, liderada por Jack (Ray Liotta). Os nossos Motoqueiros Selvagens então começam a ensinar aos baderneiros que a vida em duas rodas não é feita de brigas, quebradeiras e ameaças. E que um verdadeiro motoqueiro só descobre o seu lado "selvagem" na estrada, sentindo o vento cortando o rosto até entender o sentido da "liberdade". Nota 4/5

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terça-feira, 7 de agosto de 2007 às 19:03

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Tudo Sobre Minha Mãe: o clássico de Pedro Almodóvar

Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999) é um dos filmes mais premiados do espanhol Pedro Almodóvar, considerado a obra-prima de sua filmografia. O longa é vencedor do Oscar e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, ganhou a Palma de Ouro de Melhor Diretor no Festival de Cannes, levou 7 prêmios Goya e diversas outros títulos mundo afora.

A maior parte do filme se passa nos bastidores de uma peça de teatro, outra seqüência da história narra a violência contra a mulher, entramos também na vida de prostitutas e travestis. Até que finalmente, chegamos ao caldeirão emocional da vida de uma freira que descobre estar grávida e com AIDS. Assuntos polêmicos, pra variar. Logo no começo, Almodóvar nos mostra cenas de um tipo de intimidade mãe-e-filho que me fez lembrar Édipo, um personagem de um conto grego, famoso por matar o pai e casar-se com a própria mãe.

A história tem início no dia do aniversário de Esteban (Eloy Azorín), que muitos dizem ser o alter-ego de Pedro Almodóvar, já que Tudo Sobre Minha Mãe é declaradamente uma homenagem à mãe do cineasta. Como presente, Esteban ganha de sua mãe Manuela (Cecilia Roth), uma ida para ver a nova montagem da peça "Um Bonde Chamado Desejo", estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes).

      

Após a peça, ao tentar pegar um autográfo de Huma, Esteban é atropelado e acaba morrendo. Manuela resolve então ir de encontro ao pai, que vive em Barcelona, para dar-lhe a notícia, quando encontra no caminho o travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa (Penélope Cruz) e a própria Huma Rojo. Como sempre, mulheres dominam a trama. Em Tudo Sobre Minha Mãe quatro homens participam do filme: um morre logo no início, o outro é um velho gagá com apenas duas falas e os outros dois são travestis, sendo que um deles (ou delas) acaba morrendo também.

Eu não gostei do filme. Deve ser pela burca conservadorista que nos veste, mas Tudo Sobre Minha Mãe me pareceu uma poesia visual escura. Realmente não gostei. Apesar dos pesares, é inegável que Almodóvar usa — como ninguém — as técnicas emotivas a seu favor. Faz e desfaz de seus filmes verdadeiras apostilas cinematográficas do discurso estético. Tudo Sobre Minha Mãe consegue extrair emoção em cada pedaço da história. Mesmo não tendo gostado desse filme, sou obrigado a reconhecer: Almodóvar sabe contar histórias pitorescas. Nota 1/5

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sexta-feira, 3 de agosto de 2007 às 22:21

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Paranóia: um bom thriller adolescente de suspense e obsessão

Paranóia (Disturbia, 2007) é um suspense leve, que diverte e intriga. Para os geeks, o filme é um prato cheio: duelo on-line no console Xbox, acesso ao iTunes, celulares transmitindo fotos direto para a internet, transmissão de vídeos ao vivo, iPod vídeo de 60GB sendo ameaçado, monitores HDTV e citações clássicas ao YouTube. É impressão minha ou o merchandising é a estrela que mais brilha em Hollywood?

A história começa com Daniel Brecht (Matt Craven) e Kale (Shia LaBeouf, o Sam de "Transformers"), pai e filho, em uma pescaria. A cena é de total cumplicidade. Só que na volta pra casa, Kale perde o controle do carro, vitimando fatalmente seu pai. Passado um ano do acidente, Kale entra num estado de apatia e rebeldia, culminando com a sua prisão domiciliária por agressão a um professor em plena sala de aula.

      

Trancado em casa, sob os cuidados da mãe Julie (Carrie-Anne Moss, a Trinity de "Matrix") e sem ter muito que fazer, o cara começa a espionar os vizinhos. "Isto é realidade sem a TV, tem um mundo do lado de fora da minha janela", delira o garoto. Na janela do rapaz tem de tudo: marido que trai a esposa com a empregada doméstica, um velhote que corta a grama duas vezes ao dia, uma turma de pivetes que se diverte assistindo filmes pornô, um serial killer em potencial e uma garota de biquíni.

No "quartel-general" não falta pasta de amendoim, RedBull, pizza e todas essas porcarias que somos viciados. A espionagem do "paranóico" começa a ficar séria e ele ganha a companhia de seu amigo Ronnie (Aaron Yoo, um japinha hilário) e Ashley (Sarah Roemer), a tal garota do biquíni. O três passam a acompanhar todos os movimentos do vizinho da frente, Mr. Turner (David Morse) que acreditam ser o tal serial killer.

      

Sem criar muitas expectativas, Paranóia é um bom thriller adolescente de suspense e obsessão, recomendado para você que passou da casa dos 16. O melhor do filme é o constante clima de dúvida: o cara é ou não assassino. Achei o enredo parecido com "A Casa Monstro" (2006). Dois garotos espionam uma linda garotinha. Ela descobre e se junta aos dois para espionar a "casa do terror" onde mora o vizinho da frente. O chato é que o final é metaforicamente o mesmo. Eu esperava algo mais surpreendente. Não houve.

Quem está se dando bem mesmo é Shia LaBeouf. Além de protagonizar Paranóia, o carinha já atuou em "Arquivo-X", "Eu, Robô", "Constantine", "Transformers" e viverá o filho de Harrison Ford no quarto filme do arqueólogo "Indiana Jones". Com colegas de trabalho como George Lucas, Steven Spielberg e Harrison Ford, Shia não precisa ser tão paranóico assim. Nota 3/5

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007 às 13:21

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007 - Cassino Royale: um filme para salvar a alma de James Bond

Cara, que porrada de filme! Estou abismado com 007 - Cassino Royale (Cassino Royale, 2006). Confesso que não esperava um espetáculo feito esse. E olha que lá se vão 21 filmes protagonizados pelo agente britânico James Bond, dessa vez interpretado pelo xará Daniel Craig.

O Ás de Copas é a destreza como a história foi desenhada por Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade, como sempre, baseado no livro de Ian Fleming. E o grande trunfo ficou por conta do diretor Martin Campbell. O cara já havia dirigido "007 Contra Goldeneye" (1995), mas em Cassino Royale ele conseguiu temperar adrenalina com pequenas doses de sensibilidade. Algumas cenas são inacreditáveis para um 007.

Cassino Royale já começa em grande estilo: todo em preto e branco, com muitas sombras, duelo de olhares e jeitão de clássico policial dos anos 50. Só depois entra a abertura oficial, uma animação usando cartas e figuras coloridas, incrível. Depois somos jogados no meio da savana africana de Uganda, com direito a traficantes, crianças com suas AK-47 e tudo mais que fomos apresentados em filmes como "Diamante de Sangue" (leia a resenha). Na cena seguinte viajamos para Madagascar (esqueça o desenho da Disney).

      

É aqui que começa a cena de perseguição mais incrível que eu já vi. Já ouviu falar em Le Parkour? Esse é um esporte onde os praticantes usam próprio corpo para passar obstáculos. Ele consiste em um homem correndo de alguém e nenhum obstáculo pode pará-lo. A idéia é que os movimentos sejam executados da forma mais natural possível, como se o obstáculo fizesse parte do próprio corpo do praticante.

No filme, o nosso agente 007 empreita uma perseguição ao terrorista Mollaka, interpretado por Sébastien Foucan, um dos criadores do Le Parkour. O cara parece o Homem-Aranha pulando de um lado pra outro no meio de uma construção. A cena foi muito bem dirigida. A perseguição só termina no dentro da embaixada do Mambutu, com direito a explosões, mortes e uma saída triunfal de James Bond.

      

Os 60 minutos seguintes são de muito sol, vilões exóticos, carrões exclusivos e mulheres espetaculares, nada além do DNA jamesbondiano. Então chegamos ao tal Cassino Royale, que dá nome ao filme. A Meca de Belisário fica em Montenegro, uma pequena e montanhosa república situada nos Balcãs, no Sudeste da Europa, recentemente declarado país independente.

Cuidado: spoilers. Nesse paraíso tropical James Bond conhece a espiã Vesper Lynd (Eva Green). A cena do jogo de adivinhações da personalidade vale o ingresso. Depois uma seqüência de cenas marcantes, como Bond consolando Vesper debaixo do chuveiro [sem sexo], nosso agente sendo envenenado na mesa de pôquer e a cartada final com US$115 milhões em jogo. "Full House" versus "Straight Flush", quem leva a melhor?

      

Depois desse intervalo mais calmo, adrenalina outra vez. A cena do possante Aston Martin (veja as fotos) desviando da Vesper amarrada no meio da estrada, é de cair o queixo. Logo depois uma tortura de fazer inveja a Jack Bauer: uma cadeira sem o fundo e o cara dando marretadas nas bolas do... XX7. E o pior é que o Bond ficou morrendo de rir.

E quem diria, Bond também sabe amar. Inclusive desistiu de ser agente para "salvar a sua alma", que meigo. Mas sabemos que um homem apaixonado é um homem otário. E Agente Secreto apaixonado, é o quê? Cassino Royale levou a sério essa história a ponto de "destruir" um casarão em Veneza. Tudo para filmar a melhor cena do filme: o afogamento. Filmão esse. Nota 5/5

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terça-feira, 31 de julho de 2007 às 17:10

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Zodíaco: a história real do serial killer que nunca foi encontrado

Zodíaco (Zodiac, 2007) é um filme baseado na história verídica de um serial killer que aterrorizou os Estados Unidos na década de 70. Durante anos o assassino fez um jogo de gato e rato com as autoridades, utilizando cartas e enigmas.

A história do filme começa com a chegada de três cartas anônimas a jornais de San Francisco. As cartas traziam a confissão detalhada de três assassinatos e uma tentativa de homicídio. Elas traziam também um código, que supostamente revelaria a identidade do autor. Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), um tímido cartunista editorial, decifra o código e encontra uma ligação do assassino com o filme "Zaroff, o Caçador de Vidas" (1932).

Os assassinatos e as cartas se sucedem, provocando pânico na população. A situação faz com que o detetive David Toschi (Mark Ruffalo) e o repórter Paul Avery (Robert Downey Jr.), que trabalham no caso, tornem-se celebridades. Mas o Zodíaco, como o assassino era chamado, estava sempre um passo à frente.

      

O longa é dirigido David Fincher — responsável por "Seven - Os Sete Crimes Capitais" (1995) e "Clube da Luta" (1999) — e roteirizado por James Vanderbilt, baseado em livro de Robert Graysmith. O livro, publicado originalmente em 1986, teve uma continuação em 2003 chamada "Zodiac Unmasked: The Identity of America's Most Elusive Serial Killer Revealed".

Eu não li nenhum deles, mas algumas resenhas apontam que o livro vai a fundo nas investigações do escritor, reunindo imagens interessantes, reproduções de cartas, pistas e códigos. O problema é que Robert Graysmith é um cartunista, não tendo habilidade suficiente para descrever a história de forma interessante. O livro Zodíaco é descrito como um grande relatório policial.

      

Pois o filme sofre do mesmo mal. O foco é a investigação, do ponto de vista do cartunista. A idéia central é o processo de busca da "lógica do assassino". Um quebra-cabeça difícil de ser montado. O cartunista ficou obcecado, envolvendo até os filhos no jogo de deduções. Acabou perdendo a esposa e o trabalho, numa investigação solitária que durou dezenas de anos.

Zodíaco nos faz refletir sobre as dificuldade de comunicação naquela época, as barreiras deixadas pela lei e os erros cometidos pela polícia. Para se ter uma idéia, os investigadores tiveram frente-a-frente com o safado. Ele era o suspeito número 1. Mas por problemas legais ele foi deixado de lado. Incrível. Veja só a descrição das vítimas: sujeito branco, gordo, careca, obcecado por crianças (pedófilo), mancando de uma perna e com um relógio da marca Zodiac, existem quantos desse por aí?

      

Antes do filme, eu li que os críticos apontavam Zodíaco como "mais nova revolução do suspense" feita pelo diretor David Fincher. Exagero. Eu achei foi cansativo, 158 minutos dentro do empoeirado Arquivo Geral da Polícia [pense]. Assustador mesmo é saber que tudo aquilo realmente aconteceu e que nas cidades de Napa, Solano e Vallejo, o caso continua aberto.

Na sua última carta enviada à polícia, o assassino reclama: "Estou esperando um bom filme bom sobre mim. Quem vai fazer o meu papel?". Na época havia sido lançado "The Zodiac Killer" (1971) do diretor Tom Hanson. Posteriormente veio "Dirty Harry na Lista Negra" (1988) de Buddy Van Horn e, mais recentemente, "O Zodíaco" (2005) de Alexander Bulkley. Será que Zodíaco de David Fincher vai satisfazer nosso assassino ou Hollywood continuará tentando agradá-lo? Nota 2/5

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domingo, 29 de julho de 2007 às 19:33

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A Casa Monstro: uma animação assustadoramente sem graça

A Casa Monstro (Monster House, 2006) era a última animação da lista do Oscar 2007 que ainda não tinha assistido. De cara aviso que não gostei do filme. Achei a história dos três amigos que buscam um meio de destruir uma casa mal-assombrada, enfadonha.

O filme é classificado como uma "animação perfeita" pela crítica especializada. De fato o filme resulta do que há de mais recente em tecnologia de animação. A quem diga que os personagens, embora sejam bonecos desenhados, falam, andam e agem fisicamente com a mesma sincronia de seres humanos. A animação conta ainda com a assinatura de Steven Spielberg na produção. Mas eu pergunto: e daí?

Pra mim uma animação tem quer sacana como "Shrek", fazer rir com lágrimas nos olhos como "Procurando Nemo", mostrar-nos um novo universo como "Robôs", fazer-nos transbordar de emoção como "Toy Story" e tudo mais que só a computação gráfica é capaz. Pixel não é tudo.

      

Mas nem tudo é desastre em A Casa Monstro. O começo é muito legal, a cena inicial te faz pensar que mergulharemos num clássico infantil. Achei parecido com a cena do saco de lixo flutuante em "Beleza Americana". Mas o resto da história, assim como seu desfecho, é monótono. Nota 1/5

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sexta-feira, 27 de julho de 2007 às 19:10

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Transformers - O Filme: a quinta-essência do cinema-diversão

Transformers: O Filme (Transformers: The Movie, 2007) é a quinta-essência do cinema-diversão. Um baita blockbuster cheio de ação, comédia e muitas explosões. Ao fim de Transformers, a vontade geral é levantar as mãos para o céu, respirar fundo e gritar: "a computação gráfica é uma bênção!" Fico imaginando como será um filme desses daqui uns 20 anos. Nossa!

Incrível a transformação dos robôs e as delirantes batalhas travadas em plena luz do dia. O trabalho feito pela Industrial Light And Magic, de George Lucas, é perfeito. O acabamento digital foi tão apurado que o tempo de processamento de cada frame durou cerca de 38 horas, foram mais de 18 meses só para fazer os efeitos especiais.

Mesmo com tantos apelos técnicos, entendo que isso só representa metade de um filme desse estilo. Os outros 50% ficam para a destreza do diretor em trabalhar com atores limitados, roteiro ruim e apelação comercial. Nesse quesito, aplausos para Michael Bay. Criticado por "Armageddon" (1998) e "A ilha" (2005), o diretor ganhou em Transformers reconhecimento de público e crítica especializada.

      

O filme começa explicando que durante séculos, duas raças alienígenas robóticas — os Autobots e os Decepticons — estiveram em guerra, colocando em risco o destino do Universo. Até que a batalha finalmente alcança o planeta Terra. Agora, só o que separa os perversos Decepticons do poder total é uma pista guardada pelo adolescente Sam Witwicky (Shia LaBeouf), cujas preocupações estavam relacionadas apenas aos carros e às garotas.

Antes que consigam entender o que está acontecendo, Sam e sua (quase) namorada Mikaela (Megan Fox, pausa para respirar) se vêem bem no meio do confronto dos robôs gigantes. E, depois de conhecerem os Autobots, compreendem o verdadeiro motivo: o garoto guarda consigo a chave de um segredo que pode ser a única chance de sobrevivência da humanidade.

      

Não gostou? Pois saiba que Transformers foi uma série que se tornou febre no Brasil a partir de 1987. No início, era apenas um desenho transmitido nas manhãs de domingo pela Rede Globo, mas depois, a Fábrica Estrela passou a distribuir os brinquedos e a Editora Globo a publicar o gibi, tornando a série ainda mais famosa.

Eu cresci na década de 80, lembro bem dos bonequinhos robôs da Hasbro. Carros, motos e até aviões. Eu colocava os robôs para duelarem arremessando uns contra os outros. Uma quebradeira só. O barato era depois, remontar a carcaça dos coitados. Acho que Michael Bay & Cia fizeram a mesma coisa: remontaram Transformers, tornando-os, mais uma vez, ícones de consumo.

No filme eu contei umas 30 marcas. Entre elas: HP, General Motors, Nokia, Burger King, Camaro, eBay. Aliás, eBay é fundamental para o filme. Os Transformers aprenderam nossa língua e costumes através da World Wide Web. Século XXI meus amigos. O próprio produtor diz ser muito normal a presença de tantas marcas no filme. Ele pergunta: "na vida real não é assim? por que no cinema seria diferente?" O merchandising também é pop.

      

Ponto forte mesmo é a primeira metade do filme. Hilária a gravação de despedida feita no celular, o dono da revendedora de carros, a brincadeira com a virgindade do rapaz, a citação de outros filmes do diretor e, principalmente, o nerd hacker Glen Whitmann (Anthony Anderson). Comédia esse cara. Do meio pro fim é só explosão, não gostei do excesso de barulho. Está mais para uma demonstração do poderio bélico norte-americano do que qualquer outra coisa.

Mas isso não quer dizer que o filme é pró-Bush. As críticas ao governo são apimentadas, como a idéia do ataque surpresa à Coréia do Norte e China, além dos "profundos" segredos guardados pelos militares. Enfim. Produzido por Steven Spielberg e com tanto dinheiro envolvido, Transformers nasceu para brilhar. Ao final, a sensação é que o filme conseguiu capturar a essência da brincadeira infantil: salvar a terra e morrer de rir. Nota 4/5

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quarta-feira, 25 de julho de 2007 às 21:44

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Desbravadores: vikings gloriosos ou bestas do apocalipse?

Desbravadores (Pathfinder, 2007) é um filme cujo enredo é bastante parecido com "Apocalypto" de Mel Gibson. Um povo isolado, um massacre bárbaro e uma frenética perseguição floresta adentro. Desbravadores se passa na época em que os vikings tentavam conquistar a América do Norte. Os vikings eram guerreiros-marinheiros da Escandinávia que tiveram seu apogeu entre o final do século VIII e o século XI.

A história do filme é centrada em Karl Urban (o Éomer de "O Senhor dos Anéis"). Seu personagem é um branquelo filho de vikings, acidentalmente esquecido por seu pai durante uma batalha contra os índios americanos. A tribo aceita a presença do pequeno fantasma e o garoto passa a fazer parte da comunidade indígena como se fosse um dos curumins.

Tudo vai bem até os membros de sua raça voltarem para dizimar os índios remanescentes. O cara então evoca os espíritos dos poderosos ursos americanos para, sozinho, matar toda a tropa chifruda viking. Por falar nisso, o Wikipédia explica que existe um mito em torno desse estereótipo. Dizem que os vikings usavam esses elmos com chifres para que "o céu não caísse em suas cabeças".

      

A realidade é que essa imagem chifruda dos vikings não passa de uma invenção artística das óperas do século XIX, que visavam resgatar a imagem dos guerreiros como bárbaros cruéis. Os capacetes que os vikings verdadeiramente utilizavam eram cônicos e sem chifres. Não existe qualquer tipo de evidência científica, paleográfica, histórica, arqueológica ou epigráfica de que os escandinavos da "Era Viking" tenham utilizado capacetes reginaldorossianos.

Mesmo sabendo disso, os produtores decidiram por caracterizá-los desta forma por ser esta a imagem conhecida no mundo inteiro. Esta decisão visou uma melhor identificação dos personagens pelo público em geral. Na minha opinião ficou parecendo um filme de ficção científica. Deve ser complicado lutar com aqueles trambolhos pendurados.

Com chifre ou sem chifre, gostei mesmo foram das lindas locações escolhidas. É cada tomada que me fez lembrar "O Senhor dos Anéis". E mesmo com esse cenário tão grandioso, o filme é ruim. Muito exagerado. Sangue em demasia, cabeças rolando no quilo, vísceras em queima de estoque, barbárie contra crianças, idosos humilhados e mulheres espancadas. Mais: esse papo de um nobre criado entre selvagens é manjado.

      

E por falar em selvagens, morri de ri quando um viking - com toda sua indumentária: dentes pretos, barba suja e uma espada ensangüentada - chamou os índios de selvagens. E eles, são o quê? Bestas do apocalipse? É impossível não lembrar o que rolou pelo Brasil com a chegada dos portugueses. Fico imaginando o massacre nas terras piauienses pela tropa do major Fidié (gua). Fico pensando na chacina empreitada pelos coronéis do gado que dizimaram a população nativa. Lamento ao recordar praças e ruas que hoje homenageiam esses escrotos.

Com direção de Marcus Nispel e roteiro de Laeta Kalogridis, baseado em história de Nils Gaup, Desbravadores deixa para a perseguição final a melhor parte. Tudo bem que o filme não é programa para ser visto junto com a família, mas é uma história que vale a pena dá uma olhadinha rápida. E só. Nota 2/5

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