Inteligência extraterrestre, eis o tema mais fascinante da história da humanidade. "Star Wars", "Star Trek", "Stargate", várias produções artísticas já nos provocaram com respostas prontas e fáceis. Talvez a de maior sucesso tenha sido "Arquivo X" (1993-2002), uma série de TV que fazia justamente o contrário. Ao invés de respostas, oferecia perguntas. Os dois atores principais faziam papéis de agentes do FBI, encarregados de investigar casos inconclusos envolvendo fenômenos não explicados. Alienígenas, religião, teorias da conspiração, paranormalidade, satanismo, fantasmas, tudo fazia parte de um grande universo de possibilidades.
O filme começa mostrando o desaparecimento da agente do FBI Monica Bannan (Xantha Radley). Eu cheguei a pensar em abdução, um pouco de ufologia para matar a saudade, quem sabe, mas logo de cara percebi que não era esse o caminho. Para investigar o crime o FBI desloca a equipe da agente Dakota Whitney (Amanda Peet). A única pista que possui vem dos poderes psíquicos do padre Joe (Billy Connolly), um homem que abusou sexualmente de 37 coroinhas no passado. Sensacional a forma como o tema é abordado. Diante do padre pedófilo, Scully tem suas melhores participações.
Para interpretar as visões do padre, a agente Whitney apela para a experiência do ex-agente Mulder. Mesmo relutante, ele entra de cabeça na investigação. Scully, que também saiu do FBI, prefere focar sua atenção no hospital católico em que atua como médica. Ela terá de decidir se usa ou não células tronco no tratamento de um doente cerebral. Como se sabe, a Igreja Católica é contra esse tipo de intervenção, alegando que contraria a "vontade divina". Apesar de ficar de fora de boa parte da investigação, Scully é o personagem principal do filme.
Mesmo sendo apenas um suspense mediano, Arquivo X - Eu Quero Acreditar é denso, forte e convidativo, nos provocando a debater questões importantes como: pedofilia, tráfico de órgãos e células tronco. O único momento de descontração é quando Mulder e Scully ficam diante de uma foto do presidente George Bush. Ao fundo surgem as seis notas da saudosa música-tema. Hilário! É nessa levada crítica que Arquivo X recoloca a paranóica fé sobrenatural no centro de questões humanas universais.
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