Só que por baixo dessa vestimenta simples, Star Wars se revela um gigantesco amálgama de arquétipos culturais. Pelo menos foi essa a conclusão que cheguei ao fim do livro Star Wars e a Filosofia (Editora Mandras, 2005). A publicação - coordenada por William Irwin - é uma coletânea de estudos filosóficos de Jason T. Eberl e Kevin S. Decker.
São 17 trabalhos que apresentam novos significados às eternas perguntas da filosofia. Para que serve a guerra? Existe uma força poderosa controlando tudo? O amor leva ao ódio? A república é o melhor caminho? Quais os direitos dos clones, robôs e outros seres? Somos todos maus por natureza? Você pode fugir do seu destino?
Essas provocações nos instigam há séculos, mas o mérito de Star Wars foi combinar essa temática familiar com um ultra-realismo visual. Isso tornou o filme plausível, especialmente em temas subjacentes como a "tecnologia da humanização". Esse – que talvez seja o maior legado do filme – significa tratar produtos mecânicos da tecnologia como se eles tivessem vida, capacidade de pensar, sentir e gerar interações racionais e emocionais com as pessoas.