sábado, 18 de março de 2006 às 11:40

0 [+]

Apocalypse Now: suas opiniões sobre os filmes de guerra nunca mais serão as mesmas

Surreal! Incrivelmente surreal! Não vejo melhor verbete para sintetizar esse clássico do cinema que ficou 27 anos na prateleira da locadora esperando por mim. Apocalypse Now (Apocalypse Now, 1979) nessa nova versão Redux, com 53 minutos inéditos em relação ao original, é o clássico de guerra.

Dirigido por Francis Ford Coppola, o filme se passa em plena guerra do Vietnã. O Capitão Willard (Martin Sheen), oficial do exército americano, recebe uma missão secreta: navegar por um perigoso rio, encontrar e matar Coronel Kurtz (Marlon Brando), que aparentemente enlouqueceu e se refugiou nas selvas do Camboja, onde comanda um exército de fanáticos.

Existem bons motivos para ficar apaixonado pelo filme. O primeiro deles é o delirante e metafórico roteiro. Adaptado do romance de Joseph Conrad pelo próprio Coppola em parceria com John Milius, a história vai ganhando fôlego a cada seqüência. O segundo bom motivo para enlouquecer com o filme é o encontro entre o Capitão Willard e Tenente-Coronel Kilgore (Robert Duvall). Kilgone é louco, lidera um ataque com seu esquadrão de helicópteros ao som da Cavalgada das Valquírias, de Wagner, e comanda um campeonato de surfe mesmo com os inimigos atirando sem parar!!! É ou não é surreal?!

Apocalypse Now      Apocalypse Now

Outro bom motivo para Apocalypse Now entrar na lista dos favoritos é o prazer em assistir o poderoso ator Laurence Fishburne (o Morpheus de "Matrix"), no auge dos seus 14 anos, interpretando Clean, um adolescente negro do Bronx. O legal é que para conseguir o papel ele mentiu sobre sua idade quando a produção de Apocalypse Now teve início, em 1976.

Mais um motivo para viciar no filme é a enigmática interpretação de Marlon Brando como o Coronel Walter E. Kurtz. O filme tem mais de 3 horas de duração, em duas delas Coppola cria uma expectativa tão grande em relação ao encontro final entre o Willard e Kurtz que cheguei a pensar que essa seqüência decepcionaria. Mas não. A chegada na vila dominada por Kurtz é esplêndida. Os nativos curiosos, crânios jogados pelo chão, corpos em decomposição e, finalmente ele, o Coronel Kurtz. Coppola apresentou-o sempre na penumbra. O engraçado é que essa foi uma exigência do próprio Marlon Brando. O ator não queria fazer o filme porque estava 40 quilos acima do seu peso normal, andava freqüentemente bêbado, admitia não ter lido o script e nem o livro em que Apocalypse Now foi baseado. Ele acabou entrando no filme e o resultado é show!

Apocalypse Now      Apocalypse Now

Para completar essa epopéia cinematográfica, o próprio diretor Francis Ford Coppola ameaçou por diversas vezes se suicidar durante as filmagens. Um dos motivos foi o atraso nas gravações. Originalmente estava previsto apenas 6 semanas, mas a produção terminou se estendendo para 16 meses em função de um furacão que destruiu todos os sets de filmagem. Mesmo depois de ter provado seu talento dirigindo "O Poderoso Chefão I e II" (leia meu post), Coppola foi esnobado por vários estúdios. Ele queria provar que era capaz de filmar uma grande produção do tamanho de Apocalypse Now. E provou.

Depois de vê Apocalypse Now, suas opiniões sobre os filmes de guerra nunca mais serão as mesmas. Precisa dizer mais alguma coisa? Grande Coppola! Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 11 de março de 2006 às 01:44

0 [+]

A Marcha dos Pinguins: vida de imperador não é fácil

A Marcha dos Pinguins (La Marche de L'Empereur, 2005) é um documentário francês que conta a saga dos pinguins imperadores para a procriação da espécie na Antártida. A produção venceu o Oscar 2006 como melhor documentário.

Dirigido por Luc Jacquet e com uma linda trilha sonora feita por Emilie Simon, o documentário é como se fosse um episódio do Discovery Channel dirigido por William Shakespeare. Romântico e trágico. Uma história de amor entre um casal de pinguins na luta pela sobrevivência de seu filhote. Sempre que vejo uma produção desse gênero me interrogo sobre a linha tênue entre humanos e os demais animais. Mais do que imagens, o documentário é sobre os valores humanos, amor, vida, traumas e morte. A sensacional mágica da natureza!

A versão americana conta com a narração de Morgan Freeman. No Brasil essa foi feita por Tony Ramos e Patrícia Pillar. No entanto recomendo a versão original em francês. Ah, esqueci de dizer que o documentário é como uma espécie de diário falado dos pinguins, eles "conversam" entre si. Muito legal! Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

domingo, 5 de março de 2006 às 21:31

0 [+]

Johnny & June: a trajetória romântica de Johnny Cash

Johnny & June (Walk The Line, 2005) é uma cine-biografia do cantor Johnny Cash. Para quem não sabe, ele foi um dos pioneiros do rock and roll nos anos 50, considerado uma lenda viva do country alternativo. Johnny & June recebeu 5 indicações ao Oscar: Ator (Joaquin Phoenix), Atriz (Reese Witherspoon), Som, Edição e Figurino.

O filme mostra a trajetória do cantor Johnny Cash (Joaquin Phoenix), desde sua juventude em uma fazenda de algodão até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins. Sua personalidade marginal e a infância tumultuada fazem com que Johnny entre em um caminho de auto-destruição pelo uso de anfetaminas. No final, apenas June Carter (Reese Whiterspoon), o grande amor de sua vida, foi capaz de salvá-lo da morte.

O filme é uma história de amor doentia. Um Johnny que colocou a paixão por uma mulher acima do se amor pela música. Obcecado, só descansou quando conseguiu convencer a amada a tornar-se sua esposa. Para quem assiste atrás do gênio musical, só encontrará o debilóide sentimental. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

0 [+]

Terra Fria: discriminação sexual denunciada com muita simplicidade e pertinência

Terra Fria (North Country , 2005) recebeu 2 indicações ao Oscar, categorias: Atriz (Charlize Theron) e Atriz Coadjuvante (Frances McDormand). Baseado em fatos reais, Terra Fria narra a história de Josey Aimes (Charlize Theron). Depois de um casamento fracassado em que apanhava do marido, ela retorna à sua cidade natal em busca de emprego. Mãe solteira e com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de empregos da região: as minas de ferro. Além do trabalho duro que enfrenta, Josey e as demais mulheres da mina tem que conviver com a discriminação e o assédio sexual dos seus colegas de trabalho. Ignorada pelos empregadores, ela decide levar o caso à justiça.

Os críticos de cinema detonaram quase tudo no filme, incluindo roteiro, direção e elenco. Como não sou especialista e não tenho a obrigação de fazer uma análise técnica, posso emitir a simples opinião de um leigo. O filme é excelente, denuncia a discriminação sexual com muita simplicidade e pertinência. O filme de alguma maneira agrega bastante valor a quem assiste. Um dos melhores de 2005, com certeza. Nota 4/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 4 de março de 2006 às 18:47

0 [+]

O Jardineiro Fiel: demos graças à incrível sensibilidade de Fernando Meirelles

O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2005) é o primeiro longa-metragem em inglês dirigido pelo gênio brasileiro Fernando Meirelles. Para quem não sabe, Meirelles é o pai do projeto que levou "Cidade de Deus" para os cinemas. O Jardineiro Fiel foi eleito o melhor filme inglês de 2005 pela Associação dos Críticos de Cinema de Londres, tendo conquistado ainda o prêmio de melhor ator e melhor atriz. No Oscar, o filme concorre em quatro categorias: Atriz Coadjuvante (Rachel Weisz), Roteiro Adaptado (Jeffrey Caine), Montagem e Trilha Sonora Original.

A história é sobre a luta da ativista Tessa Quayle (Rachel Weisz) contra as práticas ilegais da indústria farmacêutica mundial. Documentos descobertos por Tessa comprovariam o uso de cobaias humanas nos testes com novos remédios no Quênia. A ativista é assassinada e seu marido Justin Quayle (Ralph Fiennes) resolve continuar com a investigação.

O filme começa morno, com os personagens tentando entender as ligações entre três grandes corporações que financiam as experiências farmacêuticas. A própria história de amor entre os protagonistas é fria e indiferente.

O Jardineiro Fiel      O Jardineiro Fiel

No entanto, nos últimos 60 minutos a história se torna um thriller emocionante e perturbador. Destaque para a chacina na tribo africana e o comovente final em que o marido Justin, enfim, entende os motivos da dedicação que sua esposa Tessa tinha junto à causa queniana.

Uma frase percorre todo o longa: "Não podemos salvar o mundo, então por que se preocupar com o problema dessas pessoas? Elas morrerão de qualquer jeito mesmo." Lembrei da célebre frase de Oscar Schindler: "Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro". Demos graças à incrível sensibilidade de Fernando Meirelles que nos mostra o universo miserável de parte do povo africano. O Jardineiro Fiel nos mostra a verdade dos fatos, apenas a verdade. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

0 [+]

Munique: o retrato sangrento de uma guerra sem fim

Munique (Munich, 2005) é o filme mais polêmico da carreira de Steven Spielberg. Para coroar sua ousadia, o longa recebeu 5 indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e Edição. Acredito eu na conquista da estatueta de Melhor Diretor, nada mais.

A marca "Spielberg" é certeza de sucesso. Filmes como "E.T. - O Extra-Terrestre", "Indiana Jones" e "Jurassic Park", levaram-no ao topo das bilheterias mundiais. Entretanto, foi a partir "A Lista de Schindler" e "O Resgate do Soldado Ryan", que Spielberg tornou-se imortal, sendo na minha opinião, o maior diretor de todos os tempos.

Com Munique, Spielberg volta à temática que lhe rendeu os melhores frutos. A trama aborda os acontecimentos terroristas posteriores ao seqüestro e assassinato de 11 atletas israelenses durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Ação essa transmitida ao vivo para 900 milhões de pessoas. A história do filme acontece quando uma equipe secreta, inexperiente e heterogênea, formada por cinco homens, recebe a missão de rastrear e matar os 11 palestinos suspeitos de planejar o ataque na cidade alemã.

Diferente de um documentário jornalístico que mostra o conflito no Oriente Médio em terceira pessoa, o filme inova ao abordar a mesma situação sob a perspectiva dos envolvidos. Mas não espere por heróis e não espere por bandidos. O filme é um retrato sangrento de uma guerra sem fim. Pela intenção, aplausos para Spielberg. Já pelo resultado... Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

quinta-feira, 2 de março de 2006 às 00:21

0 [+]

Boa Noite e Boa Sorte: o difícil é não dormir com tanto assunto gringo

Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, 2005) é um filme de George Clooney, baseado em roteiro de Grant Heslov. Rodado totalmente em preto-e-branco o filme recebeu 6 indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Ator (David Strathairn), Roteiro Original, Direção de Arte e Fotografia.

A história é uma aula sobre o macarthismo americano da década de 50. Diversas cenas reais mostram a obsessão do senador Joseph McCarthy contra supostas redes comunistas que estariam planejando o fim do império norte-americano (ergh!). O filme todo se passa nos bastidores da rede de TV CBS, na qual o apresentador Edward R. Morrow (David Strathairn) inicia uma briga contra os donos da emissora, patrocinadores e políticos.

O filme é chato pra caramba. Difícil é não dormir com tanto assunto eminentemente gringo. Acredito que conquiste a estatueta de Direção de Arte, nada mais. Até agora me pergunto o motivo do filme ter sido rodado em preto-e-branco. Enfim, reprovado pelo conjunto da ópera. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

quarta-feira, 1 de março de 2006 às 21:58

0 [+]

Capote: vale tudo por uma boa história?

Capote (Capote, 2005) é um drama sobre o aclamado escritor americano Truman Capote. O filme não é uma biografia de Capote, na verdade a história mostra o processo de criação do livro "A Sangue Frio" (In Cold Blood). Publicado em 1965 o livro tornou-se um dos maiores romances do século XX.

O filme recebeu 5 indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Ator (Philip Seymour Hoffman), Atriz Coadjuvante (Catherine Keener) e Roteiro Adaptado. A estatueta de melhor ator é garantida. Hoffman se superou, conseguiu capturar todas as nuances físicas e psicológicas do personagem. A voz infantil, os trejeitos afeminados e um ar de eterna superioridade são garantia de Oscar.

A história se passa em novembro de 1959, quando o escritor Truman Capote começa a investigar o assassinato de uma família do Kansas. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Ele ganha a confiança dos assassinos para entender tudo que ocorreu na noite da chacina. Material suficiente para escrever seu livro e entrar para história. Excelentes interpretações e um bom filme! Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006 às 21:23

2 [+]

Crash - No Limite: tente descobrir a moral dessa história

Crash - No Limite (Crash, 2005) é candidatíssimo ao Oscar 2006. O filme disputa seis indicações, são elas: Filme, Direção (Paul Haggis), Roteiro Original (Paul Haggis), Ator Coadjuvante (Matt Dillon), Canção (In the Deep) e Montagem.

O filme é um conjunto de 8 pequenas histórias que no final se completam. O próprio Paul Haggis, roteirista e diretor do filme, confessou que a idéia era transformar essa história numa série de TV, mas fora convencido por Clint Eastwood a filmar o projeto em película.

Crash é um filme para entrar na história! Discriminação racial contra negros, asiáticos, árabes e latinos. O filme é inovador, provocante, surpreendente e emocionante. Impossível descobrir "a moral da história". Totalmente aberto a interpretações.

Crash - No Limite      Crash - No Limite

A melhor história é a do chaveiro David (Michael Peña) com sua filhinha, a pequena Tochter Lara (Ashlyn Sanchez). O filme também marca pelo hilariante personagem interpretado pelo rapper Ludacris. Para mim, o melhor filme do ano. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

0 [+]

O Segredo de Brokeback Mountain: relembrando velhos tabus e denunciando a discriminação sexual dos anos 60

O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005) é um drama sobre um casal de gays. Então por que assistir? Porque acreditei ser um filme similar a "Beleza Americana", ou seja, sutil, inteligente e surpreendente. Brokeback Mountain definitivamente não é nada disso.

O filme recebeu 8 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Heath Ledger), Melhor Ator Coadjuvante (Jake Gyllenhaal), Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams), Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou 4 Globos de Ouro. Ganhou 4 prêmios no BAFTA. Recebeu 4 indicações ao Independent Spirit Awards. E, por fim, ganhou o Leão de Ouro, no Festival de Veneza. Vai entender...

O Segredo de Brokeback Mountain      O Segredo de Brokeback Mountain

O filme é dirigido por Ang Lee (O Tigre e o Dragão) é campeão de bilheterias nos Estados Unidos. Como drama O Segredo de Brokeback Mountain é um filme grotesco e apelativo. No entanto é preciso reconhecer que o filme serviu para relembrar velhos tabus e denunciar a discriminação sexual dos anos 60. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 25 de fevereiro de 2006 às 13:21

0 [+]

1984: Big Brother! Big Brother! Big Brother!

O filme 1984 (Nineteen Eighty-Four, 1984) é baseado no romance de mesmo título. Foram realizados quatro filmes baseados na obra-prima de George Orwell. Já foram feitas duas produções para a TV (uma em 1956 e a outra em 1965), e duas para o cinema. A primeira versão cinematográfica foi em 1956, ainda não pude assistir a essa versão. A que vou comentar aqui é a mais recente, produzida no sugestivo ano de 1984 e dirigida por Michael Radford.

Passar para o cinema um clássico da literatura, embora muito comum, não é tarefa simples. Mas o diretor Radford consegue brilhantemente agregar valor ao livro. É preciso destacar também a excelente interpretação dos atores, principalmente John Hurt no papel principal de Winston Smith e Richard Burton como O'Brien.

Apesar de ser muito bom, o filme não passa de um simples entretenimento para que não conhece o livro por inteiro. No livro, Orwell passa uma grande riqueza de informações que contextualiza o drama. Já no filme, o expectador é jogado no meio da história, sem qualquer tipo de introdução. Isso, sem dúvida, prejudica o entendimento. Sem ter lido o livro o expectador não conseguirá compreender as dezenas de detalhes significativos mostrados na tela.

De maneira geral o diretor foi muito feliz, conseguiu capturar os principais pontos da história. É bem verdade que ele fez pequenas, mas significativas, alterações. A principal delas é o final. O filme termina com a penúltima cena do livro. Acredito que o diretor tenha feito isso para fechar a história com uma perspectiva mais esperançosa, prevendo tempos melhores. Já no livro, o final é pessimista. Achei o diretor covarde, deveria ter mantido o mesmo final.

A grande novidade é que 1984 poderá ir para os cinemas novamente, agora pelas mãos de Tim Robbins (Guerra dos Mundos). Segundo o site Cinema em Cena, o ator e cineasta atualmente dirige uma versão da história para o teatro através da sua compania The Actor’s Gang. "Eu tenho um roteiro e agora estou no processo de tentar juntar tudo", afirmou Robbins ao site Empire Online. De acordo com o diretor, a questão é só conseguir levantar o dinheiro para a realização.

Na minha opinião, quando um livro é levado ao cinema de maneira brilhante, não deve haver regravações. Imagine se alguém resolver re-filmar "O Senhor dos Anéis", ou então "E o Tempo Levou...", difícil de imaginar não é?! Para mim essa versão do Radford é definitiva. Leia e assista. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.



Outros posts sobre o assunto:

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006 às 00:58

0 [+]

1984: o Grande Irmão zela por ti

1984O livro chama-se 1984, ou, originalmente, "Nineteen Eighty-Four" (Mil Novecentos e Oitenta e Quatro). Esse romance foi publicado pela primeira vez em 1949 pelo escritor inglês George Orwell, que na realidade é o pseudônimo de Eric Arthur Blair. Mas vamos chamá-lo de Orwell mesmo, afinal poucas pessoas, mesmo as mais próximas, conheciam o seu verdadeiro nome.

1984 representa o mais famoso dos livros de George Orwell. No enredo, Orwell desenvolve uma metáfora pessimista do pós-guerra. O futuro da humanidade é dominado pelo totalitarismo. Orwell escreve: "Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano, para sempre".

No livro George Orwell mostra-se desencantado com o socialismo stalinista, causa que ele defendia na luta contra o nazi-fascismo. Aliás, muitos dizem que 1984 é "o grande clássico da desilusão de um esquerdista com o comunismo". Outros falam que Orwell colocou o regime de Stalin sob "execração universal". De certo que o livro acalorou o debate ideológico entre comunistas e democratas, dividindo ainda mais o mundo intelectual na época da guerra fria.

Vamos ao romance propriamente dito. A novela narra a epopéia intelectual do cidadão Winston Smith. Ele vive num país dominado por um partido político totalitarista chamado Ingsoc. O líder desse partido é o Grande Irmão (Big Brother). O Grande Irmão é uma espécie de deus vivo. Em todos os lugares da cidade há um cartaz com a foto dele e uns dizeres onde se lê: "O Grande Irmão Zela Por Ti" (Big Brother is Watching You). Sinalizando que tudo que acontece na sociedade ele toma conhecimento. Ele consegue ser onipresente com a ajuda das Teletelas (uma espécie de televisão de mão dupla). Elas estão por toda parte. Sua função é espionar as pessoas e vincular mensagens e músicas de apologia ao Grande Irmão.

Na descrição de Orwell, o Grande Irmão "era uma dessas figuras cujos olhos seguem a gente por toda parte, [...] de cabelos e bigodes negros, cheio de força e de misteriosa calma, [...] rosto pesado e protetor. Mas que espécie de sorriso se ocultava sob o bigode negro?".

Nesse lugar é proibido demonstrar sentimentos. As pessoas não podem, por exemplo, escrever o que sentem. Winston, logo no início do livro, quebra essa regra do Partido, seu primeiro de muitos delitos que viriam. Ele compra um diário e começa a redigir tudo que acontece no seu dia-a-dia. Expõe seus sentimentos e suas frustrações. Uma das passagens mais doentias do livro ocorre durante as "sessões de ódio" promovidas pelo Grande Irmão. Nesses momentos todos na cidade postam-se diante das Teletelas para extravasar suas emoções de ódio e fúria. No painel aparecia a imagem dos inimigos do Partido, geralmente era Emanuel Goldstein, líder de uma suposta aliança rebelde.

O enredo continua através de uma narrativa envolvente, até Winston conhecer Júlia. Essa é a única parte "ruim" do livro. Começa a ficar um conto de amor com toques melodramáticos. Mas é por pouco tempo, logo Winston está de volta com seus pensamentos desafiadores. A medida que Winston vai se envolvendo com Júlia, suas ações vão ficando mais ousadas. É justamente aí que Winston começa a se perder.

Winston conhece O'Brien, um membro do Partido Interno. Ele acredita que seu novo amigo pertence a Fraternidade que age clandestinamente contra o Partido. Mas Winston e Júlia são traídos pelo próprio O'Brien. Presos e torturados. A partir daí começa a ser respondidas todas as questões que o leitor se fez durante todo o livro. Um diálogo excitante entre Winston e O'Brien chega ao clímax. O'Brien conduz um martírio físico e psicológico. Winston cede até perder toda sua capacidade cognitiva.

Além do ótimo romance, o livro permite uma série de análises. Uma delas é a estrutura social. São três classes distintas. A elite, formada pelos ricos membros do Partido Interno. A classe média, formada pelos trabalhadores do Partido Externo. E os Proles, representando o povão, massa mais volumosa da população.

A pergunta é: como controlar os proles diante de tamanhas injustiças daquele universo? Para os membros do Partido isso era fácil. Tudo se dava com o "trabalho físico pesado, o trato da casa e dos filhos, as briguinhas com a vizinhança, o cinema, o futebol, a cerveja e, acima de tudo, o jogo. Mantê-los sobre controle não era difícil. [...] Como dizia o lema do Partido: Os proles e os animais são livres". Percebes que não é diferente da nossa realidade?

E como acabar com a mais forte das instituições, a família? Aí é que está, o Partido não queria acabar com a família, pelo contrário, ele incitava os pais a "gostar dos filhos quase à moda antiga, enquanto as crianças eram sistematicamente atiradas contra os pais, e ensinada a espioná-los e a denunciar os seus desvios. Dessa forma a família se tornava uma extensão da Polícia do Pensamento". Simples e assustadoramente eficiente.

Restava uma coisa, o passado. Não há como mudar o passado, em tese. Mas o Partido achou uma solução, "todos os registros foram destruídos ou falsificados, todo livro reescrito, todo quadro repintado, toda estátua, rua e edifício rebatizados, toda data alterada. E o processo continua, dia a dia, minuto a minuto. A história parou. Nada existe, exceto um presente sem-fim no qual o Partido tem sempre razão. A razão mais importante para o reajuste do passado é a necessidade de salvaguardar a infabilidade do Partido. [...] A mutabilidade do passado é o dogma central do Ingsoc".

Mas e a "realidade"? Essa é imutável. Dois e dois sempre serão quatro!!! Na lógica do Partido não é bem assim. Para eles "qualquer coisa podia ser verdade. Eram tolices as chamadas leis naturais. Era bobagem a leia da gravidade. Se alguém quisesse, poderia flutuar no ar como uma bolha de sabão. Se alguém pensa que flutua no ar, e se eu simultaneamente pensar que o vejo flutuando, então a coisa de fato acontece". Não entendeu? Assista ao filme Matrix.

Como todos os demais escritores da distopia, Orwell era um pessimista que viu o futuro desesperançado. O Estado moderno, particularmente os de regime socialista, o do impessoal Grande Irmão, havia desenvolvido tamanha capacitação de controle sobre o coração e a mente dos indivíduos. Para ele era impossível pô-lo abaixo. Mas a história mostrou que ele estava errado.

George Orwell não foi capaz de imaginar que em 1989, 41 anos após o seu livro, o Estado que ele tanto combatia, seria destruído pela Prole. A mesma massa trabalhadora, herdeira do Grande Irmão, insurgiu-se nas ruas de Gdansk, de Varsóvia, de Berlim, de Praga e de Moscou, e pôs um basta naquilo tudo.

Irônico e ao mesmo tempo eterno. 1984 é um clássico para essa e futuras gerações. Uma obra-prima que influenciou e continuará influenciando os rumos de nossas relações sociais de poder e hierarquia. Nota 5/5

Outros posts sobre o assunto:

domingo, 5 de fevereiro de 2006 às 10:44

0 [+]

Anjos da Noite - A Evolução: vampiros versus lobisomens, a batalha continua

Anjos da Noite - A EvoluçãoAnjos da Noite - A Evolução (Underworld: Evolution, 2006) é a continuação do sucesso de 100 milhões de dólares em bilheteria mundial, "Anjos da Noite - Underworld", lançado em 2003. O primeiro filme mostrou a guerra entre os vampiros e os lobisomens segundo o ponto de vista da protagonista, uma morceguinha chamada Selene (Kate Beckinsale). A heroína tenta evitar que os lobisomens criem uma nova raça mais poderosa.

A Evolução continua a saga da guerra entre os aristocráticos Death Dealers (vampiros) e os bárbaros Lycans (lobisomens). O filme começa com um flashback explicando como a guerra teve início. Segundo a lenda, tudo começou com a briga entre os dois filhos gêmeos de Alexandre Corvinus. Marcus, mordido por um morcego, se transformou no líder dos vampiros. William, mordido por um lobo, se transformou em um lobisomem, o Lycan mais poderoso.

O filme poderia ter explorado mais esses flashbacks. Lobisomens e vampiros não são imortais? Então seria legal vê a guerra em várias épocas diferentes. No entanto a história é centrada na vampira Selene e no lobisomem Michael (Scott Speedmand). Entre um beijo e outro, os dois acham tempo para tentar descobrir os segredos de seus antepassados.

Anjos da Noite - A Evolução      Anjos da Noite - A Evolução

Mas não espere nada de extraordinário nas imagens ou no texto. O filme só é legal pelas cenas de ação. O ponto máximo é a perseguição do poderoso vampiro alado Marcus, à Selene e Michael. Essa seqüência vale o ingresso. Aliás, o vampiro alado é o personagem de maior destaque visual. Um ponto negativo é a baixa habilidade de combate dos lobisomens. Apesar de inferiores estrategicamente, eles deveriam levar vantagem no combate físico, mas não é isso que acontece.

Em Anjos da Noite - A Evolução, Selene faz amor com Michel. Não me espantaria nada se em Underworld 3, o filho híbrido da vampira e do lobisomem pusesse um fim a essa guerra. Há também um outro detalhe. Com a morte do todo poderoso Alexandre Corvinus, Selene ganha mais poderes e novas responsabilidades. Eu apostaria na união entre vampiros e lobisomens, liderados por Marcus e William, contra os híbridos, liderados por Selene e Michael. É esperar para vê. Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

Outros posts sobre o assunto:

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006 às 18:37

0 [+]

Memória de Minhas Putas Tristes: colocando um nó na garganta de Gabriel Garcia Márquez

Memória de Minhas Putas TristesMemória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel Garcia Márquez (autor de "Cem Anos de Solidão" e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982), relata a história de um velho jornalista, que no alto de seus noventa anos reencontra uma velha amiga, Rosa Cabarcas, dona de um prostíbulo que costumava freqüentar.

Entediado de sua vida medíocre e carente afetivamente, o velho jornalista se encanta por uma menina virgem de 14 anos. A história começa a ganhar um elevado teor erótico de conteúdo platônico. Confunde-se realidade e fantasia. No ápice dessa relação, o jornalista já não consegue enxergar a menina como um objeto de fantasias sexuais e sim como um símbolo de veneração a alma feminina.

O livro é um conto erótico, mas não deixa de ser um manual da boa velhice. O segredo parece ser o bom humor. Leia abaixo uma das melhores passagens do livros:

"Comecei por me perguntar quando tomei consciência de ser velho. Aos quarenta e dois anos havia acudido ao médico por causa de uma dor nas costas que me estorvava para respirar. Ele não deu importância: É uma dor natural na sua idade, falou. - Então - disse eu -, o que não é natural é a minha idade. O médico me deu um sorriso de lástima. Vejo que o senhor é um filósofo, disse ele.

Foi a primeira vez que pensei na minha idade em termos de velhice, mas não tardei a esquecer o assunto. E me acostumei a despertar cada dia com uma dor diferente que ia se mudando de lugar e forma, à medida que passavam os anos. A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.

Na quinta década havia começado a imaginar o que era velhice quando notei os primeiros ocos da memória. Revirava a casa buscando meus óculos até descobrir que os estava usando, ou entrava com eles no chuveiro, ou punha os de leitura sem tirar os de ver de longe. Um dia tomei duas vezes o café da manhã porque me esqueci da primeira".

Com uma narrativa repleta de inspirações poéticas, citação de grandes clássicos mundiais, Memórias de Minhas Putas Tristes prende o leitor pela excelente qualidade textual. Porém, confesso que não gostei da história. Nas últimas páginas um nó na garganta é inevitável. Ficar imaginando um velho de 90 anos sucumbindo ao desejo de possuir uma menina de 14 é demais para mim. Ainda bem que o coroa se contentou em apenas olhar... Nota 1/5

sábado, 28 de janeiro de 2006 às 16:16

0 [+]

Lost - 1ª Temporada: um seriado de drama? Ação? Suspense? Romance? Ficção científica?

Lost - 1ª TemporadaLost é uma série de televisão produzida pela Bad Robot Production e Touchstone Television, sendo exibida originalmente pela rede americana ABC. A história começa com a queda de um avião numa pequena ilha tropical em algum lugar do Oceano Pacífico. Os sobreviventes desse desastre passam a se organizar e explorar a ilha. A série mistura drama, ação, suspense, romance e ficção científica. Na verdade é difícil classificar a série dentro de algum padrão.

A idéia é velha. O que você faria se estivesse preso numa ilha deserta? Você conseguiria sobreviver dependendo apenas de suas habilidades? Muita gente já tentou responder a essa velha pergunta. Rapidamente eu lembro das "Aventuras de Robinson Crusoé", de Daniel Defoe, que conta a história de um marinheiro que fica preso numa ilha. Lembro também do filme "Náufrago" estrelado por Tom Hanks, lembra? O personagem passa o filme inteiro conversando com uma bola de vôlei. Sem contar os diversos outros filmes que têm como pano de fundo uma ilha.

Lost é diferente em todos os aspectos. Basta vê o primeiro episódio para ser contaminado pelo vício. Os criadores da série, J.J. Abrams e Damon Lindelof, conseguiram fazer tantas conexões entre os episódios que é impossível deixar de se envolver. Não é à toa que Lost venceu o Globo de Ouro 2006 e é o número 1 da audiência nos Estados Unidos.

Lost - 1ª Temporada      Lost - 1ª Temporada

Não é minha intenção tentar explicar o fenômeno Lost. Trabalhos televisivos com esse nível de qualidade narrativa estão cada vez mais raros, então é curtir e aproveitar. A série já está no 12º episódio da 2ª temporada. No Brasil a rede a cabo AXN já transmite Lost há algum tempo. A novidade é que a Globo comprou os direitos e irá mostrar Lost em rede aberta a partir do dia 5 de fevereiro até 10 de março.

Quer saber o maior segredo de Lost? A surpresa. Não leia nada sobre Lost. Não converse com ninguém sobre Lost. Não escute nada sobre Lost. Não pesquise nada sobre Lost. Apenas garanta sua passagem no vôo 815 da Oceanic Airlines e segure-se na poltrona. Nota 5/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.