quarta-feira, 27 de junho de 2007 às 23:04

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Atirador: exército de um homem só

Atirador (Shooter, 2007) foi uma grata surpresa. Dirigido por Antoine Fuqua e escrito por Jonathan Lemkin, com base em livro de Stephen Hunter, o filme transformou-se numa ferramenta moderna e corajosa para abordar a podridão do sistema de governo norte-americano e o lado obscuro do FBI.

Na história, Bob Lee Swagger (Mark Wahlberg) é um ex-atirador de elite do exército dos EUA, que se afastou do trabalho após uma traição do Governo. Isolado em um refúgio remoto nas montanhas, Bob é encontrado pelo coronel aposentado Isaac Johnson (Danny Glover). O coronel lhe diz que o país precisa de sua ajuda, já que a vida do presidente está em risco e apenas suas habilidades em tiro de longa distância podem impedir que a ameaça se concretize.

Bob aceita o trabalho, porém descobre que tudo fazia parte de uma grande conspiração patrocinada por um poderoso senador americano. Daí começa uma grande perseguição. Bob se torna uma espécie de Rambo. O cara não dispensa ninguém, só helicóptero ele derruba dois. Justiça como no velho oeste: vingança com as próprias mãos.

      

Claro que o filme não defende que você pegue uma arma e saia disparando contra os políticos corruptos (até porque não iria ter munição suficiente), a história apenas te deixa sedento. Lembra aquela música do Gabriel?! hoje eu tô feliz, matei o presidente. Atirador é mais ou menos isso. Chega uma hora que não tem outro caminho. No cerne da questão, as violentas investidas americanas ao redor do mundo, como uma chacina na África para construção de um oleoduto e "probleminhas" com o povo do Equador.

Além de nos oferecer essa polêmica visão política, Atirador é adrenalina do começo ao fim. Tudo banhado com uma linda fotografia feita por Peter Menzies. E se não bastasse, ficamos sabendo os detalhes de um tiro perfeito. Tem que medir a elevação, temperatura, vento, além de levar em conta que num tiro de longa distância, a bala faz uma trajetória de 6 a 10 segundos. O artilheiro tem que atirar onde o alvo vai estar. Mesmo com tantos argumentos, ainda prefiro idéias a balas. Quem sabe um dia encontro essa tal felicidade grabrielense. Nota 3/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 23 de junho de 2007 às 17:17

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100 Autores que Mudaram a História do Mundo: material para me entreter pelo resto da vida

100 Autores que Mudaram a História do MundoA literatura é o maior tesouro da raça humana. Ela define a verdadeira alma e o espírito da humanidade. A literatura encanta em nossa busca de felicidade e nos fornece metáforas que dão vida à língua. Com tamanha responsabilidade, a escritora Cristine N. Perkins selecionou 100 Autores que Mudaram a História do Mundo (Editora Prestígio, 2003 - Ediouro, 2004).

O livro é uma coletânea de breves biografias de um pequeno grupo de grandes autores que fizeram história. Uma verdadeira celebração de toda a nossa herança literária. Um manual que nos oferece uma visão global da nossa rica e diversificada cultura.

Há algum tempo desejava possuir um livro desses. Chega um momento na vida que você olha sua bagagem literária e sente a necessidade de ampliar horizontes. Então encontrei uma meta de vida: conhecer todas as obras clássicas. Mas era preciso um caminho, uma direção. 100 Autores que Mudaram a História do Mundo oferece essa bússola. Já arrumei material para me entreter pelo resto da vida, e você?

1) Homero (850? a.C.) - "Ilíada" e "Odisséia"
2) Esopo (620-565? a.C.) - "A Tartaruga e a Lebre" e "A Raposa e as Uvas"
3) Virgílio (70-19 a.C.) - "A Eneida"
4) Li Po (701-762) - "Poemas Chineses"
5) Omar Khayyam (1048-1131?) - "Rubayat"
6) Dante Alighieri (1265-1321) - "A Divina Comédia" e "O Banquete"
7) Giovanni Boccaccio (1313-1375) - "O Decamerão" e "Filóstrato"
8) François Rabelais (1494?-1553) - "Pantagruel" e "Quart Livre"
9) Luís de Camões (1524?-1580?) - "Os Lusíadas"
10) Miguel de Cervantes (1547-1616) - "Dom Quixote" e "A Galatéia"
11) Christopher Marlowe (1564-1593) - "Tamberlaine" e "A Trágica História do Doutor Fausto"
12) William Shakespeare (1564-1616) - "Hamlet" e "Romeu e Julieta"
13) Daniel Defoe (1660-1731) - "Robinson Crusoé"
14) Jonathan Swift (1667-1745) - "As Viagens de Gulliver"
15) Voltaire (1694-1778) - "Édipo" e "Cândido, ou O Otimismo"
16) William Blake (1757-1827) - "Canções da Inocência" e "Canções da Experiência"
17) Robert Burns (1759-1796) - "Poems, Chiefly in the Scottish"
18) William Wordsworth (1770-1850) - "Lyrical Ballads"
19) Sir Walter Scott (1771-1832) - "O Talismã"
20) Jacob e Wilhelm Grimm (1785-1863) (1786-1859) - "Os Contos de Grimm"
21) Victor Hugo (1802-1885) - "O Corcunda de Notre Dame" e "Os Miseráveis"
22) Nathaniel Hawthorne (1804-1864) - "O Fauno de Mármore" e "A Letra Escarlate"
23) George Sand (Aurore Dupin) (1804-1876) - "Indiana" e "Valentina"
24) Ralph Waldo Emerson (1803-1882) - "Conduta da Vida"
25) Edgar Allan Poe (1809-1849) - "O Corvo" e "Contos de Terror, de Mistério e de Morte"
26) Alfred Tennyson (1809-1892) - "Poems of 1842"
27) Charles Dickens (1812-1870) - "Oliver Twist", "Nicholas Nickleby", "David Copperfield" e "Our Mutual Friend"
28) Charlotte Brontë (1816-1855) - "Jane Eyre"
29) Emily Brontë (1818-1848) - "O Morro dos Ventos Uivantes"
30) Harriet Beecher Stowe (1811-1896) - "A Cabana do Pai Tomás"
31) Henry David Thoreau (1817-1862) - "A Vida nos Bosques"
32) George Eliot (Mary Ann Evans) (1819-1880) - "Adam Bede"
33) Walt Whitman (1819-1892) - "Folhas de Relva"
34) Herman Melville (1819-1891) - "Moby Dick"
35) Fiodor Dostoiévski (1821-1881) - "Os Irmãos Karamazov"
36) Júlio Verne (1828-1905) - "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias", "20.000 Léguas Submarinas" e "Viagem ao Centro da Terra"
37) Léon Nikolaievitch Tolstoi (1828-1910) - "Guerra e Paz" e "Ana Karenina"
38) Emily Elizabeth Dickinson (1830-1886) - "Uma Centena de Poemas"
39) Louisa May Alcott (1832-1888) - "Mulherzinhas"
40) Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson) (1832-1898) - "Alice no País das Maravilhas" (leia a resenha)
41) Mark Twain (Samuel Clemens) (1835-1910) - "As Abeturas de Huckleberry Finn"
42) Machado de Assis (1839-1908) - "Dom Casmurro", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Helena" e "Papéis Avulsos"
43) Thomas Hardy (1840-1928) - "The Dynasts" e "Tss of the D'Ubervilles"
44) Robert Louis Stevenson (1850-1894) - "A Ilha do Tesouro" e "O Médico e o Monstro"
45) Oscar Wilde (1854-1900) - "A Importância de ser Prudente"
46) Lyman Frank Baum (1856-1919) - "O Mágico de Oz"
47) Joseph Conrad (1857-1924) - "O Coração das Trevas"
48) Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) - "As Aventuras de Sherlock Holmes"
49) O. Henry (William Sydney Porter) (1862-1910) - "Caminhos do Destino"
50) Rudyard Kipling (1865-1936) - "Histórias Assim"
51) William Butler Yeats (1865-1939) - "A Vision"
52) H.G. Wells (1866-1946) - "História Universal", "A Máquina do Tempo" e "A Guerra dos Mundos"
53) Laura Ingalls Wilder (1867-1957) - "Uma Casa na Campina"
54) Robert Frost (1874-1963) - "The Witness Tree"
55) Gertrude Stein (1874-1946) - "Três Vidas"
56) W. Somerset Mausham (1874-1965) - "Servidão Humana" e "Um Conto e Seis Vinténs"
57) Edgar Rice Burroughs (1875-1950) - "Tarzan of the Apes"
58) Hermann Hesse (1877-1962) - "O Lobo da Estepe" e "O Jogo das Contas de Vidro"
59) Virginia Woolf (1882-1941) - "O Quarto de Jacob", "Mrs. Dalloway" e "Orlando"
60) James Joyce (1882-1941) - "Finnegan's Wake: Finnicius Revém"
61) D.H. Lawrence (1885-1930) - "Filhos e Amantes"
62) Sinclair Lewis (1885-1951) - "Rua Principal"
63) Fernando Pessoa (1888-1935) - "Obra Poética" e "Mensagem"
64) T.S. Eliot (1888-1965) - "A Terra Inútil" e "Notas Para uma Definição de Cultura"
65) Agatha Christie (1891-1976) - "O Misterioso Caso de Styles"
66) Graciliano Ramos (1892-1953) - "São Bernardo", "Angústia" e "Vidas Secas"
67) Pearl Buck (1892-1973) - "A Boa Terra"
68) Mário de Andrade (1893-1945) - "Paulicéia Desvairada", "Amar, Verbo Intrasitivo" e "Macunaíma"
69) Dashiell Hammett (1894-1961) - "O Homem Magro" e "O Falcão Maltês"
70) Aldous Huxley (1894-1963) - "Admirável Mundo Novo" (leia a resenha), "A Ilha" e "Contraponto"
71) F. Scott Fitzgerald (1896-1940) - "O Grande Gatsby"
72) William Faulkner (1897-1962) - "Uma Fábula"
73) Jorge Luis Borges (1899-1986) - "História Universal da Infância"
74) Ernest Hemingway (1899-1986) - "O Sol Também se Levanta", "Adeus às Armas" e "Nada de Novo no Front"
75) Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) - "Antologia Poética", "Alguma Poesia" e "Farewell"
76) John Steinbeck (1902-1968) - "As Vinhas da Ira"
77) George Orwell (Eric Blair) (1903-1950) - "Lutando na Espanha", "A Revolução dos Bichos" (leia a resenha) e "1984" (leia a resenha)
78) Pablo Neruda (Neftalí Ricardo Reys Basoalto) (1904-1973) - "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"
79) Isaac Bashevis Singer (1904-1991) - "Collected Stories"
80) Erico Verissimo (1905-1975) - "O Tempo e o Vento", "Caminhos Cruzados", "Música ao Longe" e "Incidente em Antares"
81) Guimarães Rosa (1908-1967) - "Grande Sertão: Veredas", "Magma" e "Sagarana"
82) Jorge Amado (1912-2001) - "Capitães de Areia", "Mar Morto", "Terra Sem Fim"
83) Clarice Lispector (1920-1977) - "Perto do Coração Selvagem", "Alguns Contos" e "A Cidade Sitiada"
84) José Saramago (1922-) - "Levantado do Chão", "Memorial do Convento", "Ensaio Sobre a Cegueira" (leia a resenha) e "Jangada de Pedras"
85) Kurt Vonnegut, Jr. (1922-2007) - "Matadouro nº 5" e "A Cruzada das Crianças"
86) Norman Mailer (1923-) - "Os Nus e os Mortos"
87) Gabriel García Márquez (1928-) - "Cem Anos de Solidão"
88) Tom Wolfe (1931-) - "O Teste do Ácido do Refresco Elétrico"
89) Toni Morrison (Chloe Anthony Wofford) (1931-) - "A Canção de Solomon"
90) Mario Vargas Llosa (1936-) - "A Cidade e os Cachorros"
91) Joyce Carol Oates (1938-) - "Eles" e "Mysteries of Winterhorn"
92) Paul Theroux (1941-) - "A Costa do Mosquito"
93) Anne Rice (1941-) - "Entrevista com o Vampiro"
94) Erica Jong (1942-) - "Medo de Voar"
95) Michael Crichton (1942-) - "O Parque dos Dinossauros" e "O Enigma de Andrômeda"
96) John Irving (1942-) - "O Mundo Segundo Garp"
97) Sam Shepard (1943-) - "Louco de Amor"
98) Alice Walker (1944-) - "A Cor Púrpura"
99) Stephen King (1947-) - "Carrie"
100) Amy Tan (1952-) - "O Clube da Felicidade e da Sorte"

O resto é com você. Nota 2/5

quarta-feira, 20 de junho de 2007 às 00:48

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O Albergue: uma comédia sanguinária

Para um filme que tem a assinatura do Quentin Tarantino, O Albergue (Hostel, 2005) é uma tremenda decepção. Tudo bem que o mestre só foi o produtor executivo, o responsável mesmo é Eli Roth (diretor, roteirista e produtor), ainda assim achei o filme ruim.

Nesse gênero terror-violência-gratuita, o grande filme é "Jogos Mortais". E o que difere os dois filmes é a inteligência com que a história se desenrola. "Jogos Mortais" é transgressor, te envolve num labirinto cheio de possibilidades. Já O Albergue é um filme menor, sem emoção, sem drama, sem jogos.

O Albergue conta a aventura dos mochileiros americanos Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson), que na companhia do islandês Oli (Eythor Gudjonsson) resolvem viajar pela Europa em busca de sexo e drogas. Essa obsessão por sexo faz do filme um grande painel de seios e bundas. Pornografia mesmo.

      

Seduzidos pelos relatos de outros viajantes, eles decidem ir a um albergue particular em uma cidade desconhecida da Eslováquia, descrita como o "paraíso das xavascas". Lá eles conhecem Natalya (Barbara Nadeljakova) e Svetlana (Jana Kaderabkova), duas beldades locais. Empolgados, logo descobrem outros costumes bizarros dos habitantes locais.

Os "coitados" são seqüestrados por membros de um "SPA". Mas não aqueles como massagens anti-stress e terapias com abacaxi. O que relaxa os clientes desse "SPA" é a carnificina. Ricaços pagam milhares de dólares para torturar, espancar e esquartejar seres humanos. Um parque de horrores no coração da Europa.

Okay, o argumento não é lá essas coisas, mas há outro problema. As cenas que deveriam ser o ápice do terror, que deveriam chocar, que deveriam mostrar imagens para nunca mais esquecer, que deveriam nos fazer vomitar na companheira ao lado, nos fazer repugnar os responsáveis pelo filme, as cenas que deveriam nos fazer sair correndo do cinema... simplesmente não acontecem. Pior, são cômicas.

      

Mas veja só que interessante. Lendo um pouco mais, acabei descobrindo que a proposta é essa mesmo, ou seja, ser um filme-B. Você sabe: filme comercial de baixo orçamento, com atores pouco conhecidos, cheio de exageros, trash. Nessa perspectiva, assistindo O Albergue como um filme propositalmente bizarro e mal feito, ele cumpre bem o seu papel.

Uma das cenas mostra um cidadão torturando um refém. O cara acaba escorregando e sendo triturado por uma serra elétrica. Nem o Pateta faria melhor. Outra: uma turminha de trombadinhas eslovacos espanca até a morte os vilões em troca de um saco de pirulitos. É ou não uma comédia sanguinária? Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

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sábado, 9 de junho de 2007 às 16:09

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O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel: o primeiro livro da fantática aventura

Nota 5/5
O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel
Lembro do natal de 2001 como se fosse hoje. Bin Laden no centro das atenções depois do golpe no coração da América. Mas na faculdade o assunto era outro, falava-se no megalançamento do filme "O Senhor dos Anéis". Um amigo que conhecia o livro que inspirou o filme, comentou que Hollywood iria destruir a magia da obra de J.R.R.Tolkien.

Na visão dele, a trilogia do Anel era complexa demais para ser mostrada em imagens. Mais do que isso, o rapaz elegeu Peter Jackson - diretor do filme e um estreante em matéria de superproduções - como o algoz de sua infância. Eu nunca havia lido nada sobre Tolkien, mas criei expectativa.

Todavia, ao invés de deitar numa rede e lê o livro, fui no caminho mais fácil, peguei minha namorada e fui ao cinema. O filme tinha 178 minutos de projeção, no final da segunda hora a menina já roncava ao meu lado. Coitada, eram tantos ambientes diferentes, músicas incompreensíveis, nomes difíceis de pronunciar, magos, dragões, anões, elfos, tantas quebras de ritmo, tantas conexões no roteiro, tantas coisas diferentes. Um universo novo. E o novo é difícil mesmo.

A princípio o filme também não me chamou atenção. Nem final a porra tinha (eu esqueci que era uma história contada em três partes). Chatice também ter que esperar um ano inteiro para assistir a continuação. Somente depois de algum tempo, comecei a entender a história. O homenzinho hobbit deveria pegar o Um Anel, atravessar o mundo (deles) caminhando e jogá-lo nas larvas de um vulcão ultrapoderoso. Comecei a gostar.

Pesquisei tudo sobre a história. No ano seguinte assisti "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres", segunda parte dessa história, com outros olhos. E finalmente em 2003, com o lançamento de "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei", eu já era um fanático. Passei o natal na fila do cinema para ser o primeiro a descobrir o desfecho da jornada do Um Anel.

Mas tudo que eu admirava eram os filmes. O livro permaneceu guardado por um longo tempo em meu armário. Nunca havia lido sequer uma página. O medo de me decepcionar com o texto de Tolkien era grande. Tenho esse defeito. Muitas vezes fantasio tanto com um livro que prefiro não lê-lo. Graças a Huxley tenho conseguido superar esse medo.

Assim como Frodo, na dúvida sobre qual o melhor momento para sair do Condado, peguei meu livro O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (Editora Martins Fontes, 2000) e comecei a caminhada solitária. Linha após linha eu começava uma jornada de 1.229 páginas, dividida em três volumes. A primeira já foi vencida. Foram 434 páginas de descobertas incríveis. Achei que o livro seria uma espécie de déjà vu, mas me enganei. Quase tudo é novo.

Responda: você que assistiu ao filme e não leu o livro, sabia que Frodo viveu dos 33 aos 50 anos com o Um Anel? Eu não sabia nem que ele tinha 50 anos! Não só isso, são muitos os acontecimentos entre Frodo ter recebido o Um Anel e o início de sua jornada heróica, com direito a perseguição feita por Gandalf e Aragorn à criatura Gollum. O tempo da maioria dos acontecimento é longo, para se ter uma idéia, Frodo demora duas semanas apenas pensando se vai ou não para a aventura do Um Anel, e depois decide que vai, mas somente após seu aniversário de 50 anos! No filme todo esse processo ocorre em menos de 5 minutos.

No livro, Frodo vendeu o Bolsão, local que morava antes de partir. Pippen, Merry e Sam fizeram uma conspiração, os três sabiam tudo sobre o Um Anel mágico muito antes da aventura começar. Sobre eles, há muitas diferenças entre livro e filme. Você deve lembrar que no filme Frodo, Sam, Pippen e Merry se encontram por acaso num milharal, no livro não ocorre nada disso, apenas Frodo, Sam e Pippen saem juntos do Condado.

Os hobbits vivem várias aventuras não contadas no filme, como um encontro com elfos e uma visita aos campos de cogumelos do senhor Magote. Merry só vai encontrar os amigos numa balsa às margens do rio Brandevin, ainda muito longe da aldeia Bri. De igual só os Cavaleiros Negros no encalço dos pequenos.

Os quatro então entram na Floresta Velha e enfrentam as árvores carnívoras. O livro conta ainda o encontro dos hobbits com Tom Bombadil, um extraordinário e misterioso personagem, considerado o Senhor da Floresta. É Tom quem livra os hobbits das Criaturas Tumulares. Sim, a passagem pelos túmulos é muito importante para a história. Lá os hobbits conseguem tesouros, espadas e Frodo torna-se mais confiante de sua força.

Tom conduz os hobbits até "O Pônei Saltitante". O filme já nos joga direto aqui. Livro e filme ficam parecidos nesse capítulo da história, mesmo assim uma série de detalhes e espremida para entrar naquela caixinha luminosa do cinema. Os roteiristas Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, são gênios, mudaram a história e deixaram o espírito. Achei fantástico o trabalho que fizeram na adaptação do livro, mas hoje penso que os três livros mereciam seis filmes.

Voltando para a história, já com Passolargo como companheiro de viagem, os hobbits enfrentam os Cavaleiros Negros no Topo dos Ventos. Frodo se fere, mas não é Arwen quem o carrega no cavalo branco contra os Espectros do Anel. Aliás, Arwen, neta de Galadriel e filha de Elrond, até agora não participa da história. Nada de romance com Aragorn.

O processo de formação da Sociedade do Anel também é bem diferente do que ocorre no filme. Eu não sabia que Bilbo havia participado do Conselho de Elrond. Ah, essa reunião no livro demora semanas até que a turma dos nove resolva partir. Nesse ponto achei mais legal a dinâmica do filme. Outro detalhe: a espada Andúril (A Chama do Oeste) de Aragorn, acompanhou o guardião por toda a jornada, diferente do que ocorreu no filme.

Já na frente de combate, quando nossos heróis enfrentavam os poderes do mago Saruman na montanha congelada do Passo do Chifre Vermelho, não foi Frodo que sugeriu as Minas Mória, foi Gandalf, com apoio do anão Gimli. No livro a descida da montanha também é diferente, no caminho tiveram que enfrentar lobos gigantes. Outra coisa, nas Muralhas de Mória, frente ao portão élfico, não foi Frodo que decifrou o enigma do "diga, amigo, e entre", foi o próprio Gandalf.

Em Lothlórien, terra dos elfos, no episódio do Espelho de Galadriel, Sam também teve uma participação importante. A Comitiva demorou dias na mordomia da morada élfica. No último capítulo, diferente do filme, não houve confronto com os orcs. Mas a Sociedade se rompeu. Frodo e Sam foram para as Fendas da Perdição, enquanto Aragorn, Boromir, Legolas, Gimli, incluindo Pippen e Merry - que não foram seqüestrados - seguiram para Minas Tirith. Enfim, todos iremos continuar a jornada. Até o próximo volume.

Outras resenhas sobre o assunto:

O Senhor dos Anéis - As Duas Torres: o segundo livro da trilogia Tolkien (26/11/07)
O Hobbit: um prelúdio da trilogia "O Senhor dos Anéis" (14/01/07)
As Crônicas de Gelo e Fogo - A Guerra dos Tronos: uma intrigante aventura épica de poder e conquista (04/03/12)

quinta-feira, 7 de junho de 2007 às 15:44

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Por Água Abaixo: quando os gatos saem os ratos fazem a festa

Por Água Abaixo (Flushed Away, 2006) é uma animação da DreamWorks, o mesmo estúdio responsável por "Shrek" e "Madagascar". No entanto o filme não se apóia nisso, o longa possui personalidade própria. A história é sobre um ratinho playboy chamado Roddy (voz de Hugh Jackman) na descoberta do mundo dos esgotos.

Criado como bichinho de estimação de uma garotinha, Roddy vive numa luxuosa casa de uma cidadezinha da Inglaterra. Sozinho, nosso rato acredita ser feliz, mesmo possuindo apenas bonecos e bonecas como companhia. O começo é muito legal, ele curtindo a casa depois que seus donos saem de viagem.

Tudo ia bem até o ratão asqueroso Sid (voz de Shane Richie) invadir a casa e mandar o mauricinho privada abaixo. Roddy é jogado pelos tubos imundos dos esgotos até chegar na cidade de Ratópolis. Lá ele encontra Rita (voz de Kate Winslet), uma ratazana que trabalha em um barco e que é a única que pode ajudá-lo a voltar para casa.

Os dois unem forças conta Toad (voz de Ian McKellen, o Gandalf de "O Senhor dos Anéis"), um sapão rabugento que tenta acabar com todos os ratos de Ratópolis e infestar a cidade de girinos. Sensacional! O filme ainda conta com Spike (voz de Andy Serkis, o Gollum de "O Senhor dos Anéis"), um rato estilo mafioso que trabalha para Toad, e outros personagens divertidos.

      

Curiosamente Por Água Abaixo é o 1º filme feito pela Aardman inteiramente digital. A empresa se especializou em produzir desenhos animados em stop-motion. No currículo animações como "Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais" e "A Fuga das Galinhas". O estúdio preferiu usar animação computadorizada ao invés da animação com massa de modelar devido ao grande número de cenas com água.

Tecnicamente o filme é muito bom, mas a mensagem também é bem bacana. É possível ser feliz sozinho? Vivemos num mundo cada vez mais individual. Somos independentes, nos comunicamos pelo computador, lutamos por nosso espaço, por nossas coisas, tudo deve ser do nosso jeito. Por Água Abaixo questiona isso e mostra a Roddy o valor de uma família bagunceira, maluca, briguenta e cheia de amor; uma família normal. Nota 3/5

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domingo, 3 de junho de 2007 às 19:53

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Os Intocáveis: a queda do império de Al Capone

Os Intocáveis (The Untouchables, 1987) é um filme dirigido por Brian De Palma e escrito por David Mamet, baseado em livro de Oscar Fraley, Eliot Ness e Paul Robsky. A história se passa na Chicago da década de 30, dominada por Alphonsus Gabriel Capone, vulgo Al Capone. Nascido em Nova York, Al - como era chamado pelo seu círculo íntimo - é considerado por muitos como um dos maiores gângsters dos Estados Unidos.

Al Capone é uma figura mítica que permeia nossas mentes graças ao clássico rock de Raul Seixas: "Hei, Al Capone, vê se te emenda / Já sabem do teu furo, nego / No imposto de renda / Hei, Al Capone, vê se te orienta / Assim desta maneira, nego / Chicago não agüenta." E lá se vão 34 anos desde Krig-Ha, Bandolo.

Raulzito sintetizou bem a história contada nos 119 minutos do filme. Em Os Intocáveis, Eliot Ness (Kevin Costner) é um jovem agente investigador que tenta acabar com o império de Al Capone (Robert De Niro), mas se vê cercado pela corrupção de policiais, políticos, comerciantes e da imprensa. Para isso, ele recruta um pequeno time de corajosos e incorruptíveis homens, formado por Jim Malone (Sean Connery), Giuseppe Petri (Andy Garcia) e Oscar Wallace (Charles Martin Smith).

O mais interessante em Os Intocáveis é conhecer um pouco da dinâmica social em tempos de Lei Seca. Nos Estados Unidos a proibição do uso de bebidas alcoólicas, ocorrida no período de 1920 a 1933, incentivou o contrabando, tornando esse negócio bastante lucrativo. Muitos gângsters foram atraídos pelo lucro desse contrabando e começaram a burlar as leis, subornar policiais e fomentar o comércio de armas.

      

Graças aos esforços dos "intocáveis", em 1931 Al Capone foi condenado pela justiça americana por sonegação de impostos, com 11 anos de reclusão. Sua pena foi revisada em 1939, em decorrência de seu estado de saúde; ele tinha sífilis e apresentava traços de distúrbios mentais. Não era o que os "intocáveis" queriam, Capone deveria ser condenado pelos assassinatos e atrocidades que cometera, mas foi um passo importante para moralização da cidade de Chicago.

O filme é muito bom. Quem nos dias de hoje, começaria um filme explodindo uma menina de 10 anos? Quem faria Sean Connery estourar os miolos de um cadáver? Quem faria uma trilha sonora tão emblemática? Afinal, quem teria o cacife de ser comparado com "O Poderoso Chefão"? Só mesmo Os Intocáveis.

Agora vem a parte mais legal. O diretor Brian De Palma anunciou que irá filmar "Capone Rising" (Os intocáveis: A Ascensão de Capone), um prelúdio do clássico de 1987, e mostrará a juventude de Al Capone e os motivos que o levaram a ser o maior contraventor da máfia italiana nos EUA.

O longa já tem parte do elenco escolhido. O primeiro a ser anunciado foi Nicolas Cage no papel de Al Capone. Agora é a vez de Gerard Butler (o Leônidas de 300) entrar para o time, ele fará o papel do detetive Jimmy Malone, o policial irlandês que persegue o mafioso. O filme está em fase de pré-produção e suas filmagens começam nesse mês de junho. O lançamento está previsto para 2008. Hei, Al Capone, dessa vez, vê se te orienta! Nota 4/5

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quarta-feira, 23 de maio de 2007 às 04:25

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Hotel Ruanda: 800 mil seres humanos assassinados

Ruanda é um pequeno país montanhoso da África, encravado entre o Uganda, Tanzânia e Congo. O episódio mais marcante de sua história ocorreu em 6 de abril de 1994, quando o então presidente Juvénal Habyarimana foi assassinado. Segundo o Wikipédia, o avião em que viajava foi atingido por fogo quando aterrissava em Kigali, capital de Ruanda. Durante os três meses seguintes, os militares e milicianos ligados ao antigo regime, mataram cerca de 800.000 tutsis e hutus oposicionistas, naquilo que ficou conhecido como o "Genocídio de Ruanda".

E de quem é a culpa? Historiados contam que depois da derrota da Alemanha na 1ª Guerra Mundial, Ruanda foi entregue à Bélgica. Utilizando a Igreja Católica, os belgas manipularam a classe alta dos tutsi para reprimir o resto da população (majoritariamente hutus), incluindo a cobrança de impostos e o trabalho forçado, aumentando ainda mais o abismo social existente no país.

Sabe o que é mais cretino nisso tudo? Foram os colonizadores belgas que classificaram os ruandeses em hutus e tutsis. Apesar de absolutamente iguais, os europeus diziam que os tuties eram mais tolerantes e elegantes. Então criaram essa divisão. Escolhiam as pessoas com narizes mais finos e pele mais clara. Costumavam medir os narizes das pessoas. E para piorar, quando os caras foram embora, deixaram o poder na mão dos hutus, que se vingaram dos tutsis pela repressão.

      

Hotel Ruanda (Hotel Rwanda, 2004) é um filme que revela um pouco dessas atrocidades. O longa dirigido por Terry George e escrito em parceria com Keir Pearson, relata a história real de Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que salvou a vida de 1.268 pessoas durante o genocídio. E sabe qual o maior barato? Os maiores heróis são aqueles que nunca pensaram em ser heróis. Paul Rusesabagina é gerente do Hotel des Mille Collines, propriedade da empresa belga Sabena. Sempre preocupado em não perder o emprego, o cara é individualista e visa a proteção apenas de sua família, os vizinhos que se danem.

Os belgas fizeram Paul acreditar que ele era um deles. Mas quando a guerra estoura, Paul é abandonado feito lixo. O Coronel Oliver (Nick Nolte) diz: "Paul, você é o homem mais inteligente aqui. Você comanda tudo, poderia ser o dono desse hotel! Exceto por um detalhe. Você é preto! Não é nem um crioulo. É um africano". Dessa forma, todos os brancos abandonam Ruanda. Franceses, italianos e até os belgas da ONU.

Ninguém mais para deter a carnificina. Perguntinha: como o mundo pode não intervir com tantas atrocidades? Sabe o que eu penso? acho que as pessoas assistem ao noticiário, vêem as imagens da guerra, acham horrível, desligam a TV e vão jantar. Ou será que não foi isso que você fez quando viu ontem no Jornal Nacional as tropas libanesas metralhando islâmicos num campo de refugiados palestinos no Líbano?

      

Nada se faz. As imagens do massacre irão chamar a atenção, mas nada será feito. A velha lógica humana: tudo que não me toca, não me diz respeito, é descartável, para alguns até entretenimento. Eu não estou fora disso. O filme passou, e aí? O que vou fazer? Nada, assim como você. E a vida passa. Amanhã tem outro filme, outro en-tre-te-ni-men-to. Uma sugestão para minimizar a dor: não veja TV.

Apesar disso, vale destacar alguns pontos. A cena da estrada de corpos é impressionante. Os rebeldes esquartejando as pessoas também. A fraqueza das Nações Unidas no combate aos rebeldes é absurda. Gostei da atuação emblemática de Don Cheadle. Bom vê mais um filme abordando a loucura de uma guerra civil. Interessante também a idéia de um oásis no meio do mar de sangue e a estratégia de comunicação via rádio usada pelos rebeldes.

No final das contas, Paul foi um herói. Incrível a coragem do cara em trocar a própria família por pessoas que ele tinha acabado de conhecer. Quem conhece o filme "A Lista de Schindler" (1993), logo faz uma analogia. O longa recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias: Ator (Don Cheadle), Atriz Coadjuvante (Sophie Okonedo) e Roteiro Original. Paul Rusesabagina e Oscar Schindler, verdadeiras personificações do altruísmo humano. Nota 3/5

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segunda-feira, 21 de maio de 2007 às 00:40

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O Labirinto do Fauno: uma fábula de gente grande

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006) é um conto de fadas aterrorizante. No começo achei que fosse uma fábula infantil, mas me enganei. E o bom do filme é justamente a maldade dos personagens dessa história.

O grande astro é o vilão Capitão Vidal (Sergi López), oficial fascista que luta contra os últimos guerrilheiros resistentes ao fim da Guerra Civil Espanhola, em 1944. A brutalidade do Capitão é de arrepiar, principalmente quando contracena com a frágil Ofélia (Ivana Baquero), de 10 anos.

Em um de seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofélia descobre um labirinto, um portal para um mundo de fantasias. Dentro a garotinha encontra um Fauno. Segundo a mitologia greco-romana, o Fauno é um deus romano cultuado no monte Palatino, sendo o deus protetor dos pastores e rebanhos. Mas segundo o Wikipédia, ao logo dos anos o Fauno foi perdendo seu caráter divino e passou a ser tido como uma divindade do campo, que protegiam as culturas de trigo e cuidavam dos rebanhos.

      

Esse monstrengo bizarro desafia a menina a realizar três missões. E na última delas ocorre algo inesperado. Tire as crianças da sala, por favor. A cena é forte e interessante, levantando vários pontos para serem debatidos. O primeiro deles: isso é real? O segundo: o que é real?

Escrito e dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro, O Labirinto do Fauno foi ganhando fama de cool pelo mundo afora. Cultuado como um dos melhores filmes de 2006, o longa ganhou 3 Oscar (Direção de Arte, Fotografia e Maquiagem), recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, ganhou um Independent Spirit Awards, venceu 3 prêmios no BAFTA e faturou 7 prêmios no Goya.

Apesar de todas essas conquistas, confesso que fiquei incomodado com O Labirinto do Fauno. Imagine a seguinte cena: um bebê brincando com uma faca no meio de um tiroteio. É assim que o filme foi se construindo em minha cabeça. Infelizmente a história está um degrau acima de minha capacidade digestiva. Mas recomendo, sem dúvida. Nota 3/5

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segunda-feira, 14 de maio de 2007 às 23:49

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Homem-Aranha 3: a maior de todas as aventuras

Até que enfim me deixaram assistir Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3, 2007). Fui na estréia mas não consegui ingresso, lotação esgotada ao meio-dia. E para completar tive que agüentar uns carinhas na fila vestidos com a roupa do Aranha. Fenômeno parecido eu só tinha visto com "Matrix" e "O Senhor dos Anéis". Um amigo disse que deve ser o mesmo cara. Neo cresceu as orelhas e virou Frodo, que foi picado por uma aranha radioativa e transformou-se em Homem-Aranha. Tosco.

Mas não é para menos, a equipe de marketing do filme armou um tremendo circo. Estréia mundial, expectativa de quebra de todos os recordes, capa de tudo que foi revista, foto nas caixas de cereal, trailer espetacular, casamento com Mary Jane, roupa preta e três vilões de uma só vez, incluindo Venom. Pobre Parker.

O capítulo três dessa trilogia traz um Homem-Aranha muito mais divertido do que foi visto no episódio 1 e com problemas muito mais sérios que o episódio 2. Para mim, esse foi o melhor filme de super-herói já feito. Blasfêmia! blasfêmia! gritarão os fãs do Super-Homem dos tempos de Christofer Reeve. Mas Homem-Aranha 3 é uma mistura de comédia, humor, aventura e efeitos tão grandisos, que o homem-de-aço nunca sonhou ser. Tudo montado de uma maneira irresistivelmente contagiante.

      

No longa, mais uma vez dirigido por Sam Raimi e escrito por Alvin Sargent, Peter Parker (Tobey Maguire) consegue encontrar um meio-termo entre seus deveres como o Homem-Aranha e seu relacionamento com Mary Jane (Kirsten Dunst). Porém o sucesso como herói e a bajulação dos fãs faz com que Peter se torne auto-confiante demais e passe a negligenciar as pessoas que realmente se importam com ele.

Quando o mundo do aracnídeo começa a desabar, Peter vira hospedeiro de uma estranha forma alienígena, deixando seu uniforme negro e muito mais poderoso. Bem legal essa seqüência. O mauricinho nerd Peter Parker torna-se uma espécie de Emo. Melhor ainda, Parker virou Alex, personagem principal do filme "Laranja Mecânica". O negócio é que o cara fica louco de pedra. Um tremendo sacana cheio de estilo.

A situação muda quando Peter se livra da roupa preta. Tendo que lidar com o sentimento de vingança, Peter agora enfrenta outros quatro desafios. O primeiro é recuperar a confiança de Mary Jane. A segunda é reconquistar a amizade de Harry Osborn (James Franco), o Duende-Verde Júnior. A terceira é acabar com a força alien, agora hospedada na pele do fotógrafo Eddie Brock (Topher Grace), o famoso Venom. E por fim, enterrar Flint Marko (Thomas Church), o Homem-Areia.

      

Eu achei Homem-Aranha 3 espetacular. Claro que depois de algumas horas conversando com uns amigos mais chatos, eles vão colocar defeitos. Mas acredite, isso não existe. Vale cada centavo gasto no cinema, no cereal, no bonequinho, na máscara azul e vermelha, na revista e em todos os trecos que você venha a comprar.

Vamos aos recordes. O filme é o mais caro da história do cinema (US$ 300 milhões). Homem-Aranha 3 bateu o recorde de arrecadação durante o primeiro final de semana no mundo (US$ 227 milhões em 105 países), golpeando com sabre de luz "Star Wars III - A Vingança de Sith". No Brasil bateu bateu o recorde de número de salas em exibição. O mesmo recorde também foi quebrado nos EUA (4.252 cinemas).

Cansado de números? Homem-Aranha 3 também bateu o recorde de melhor bilheteria para um sexta-feira (US$ 59.3 milhões), afundando "Piratas do Caribe - O Baú da Morte" e melhor bilheteria para um sábado (US$ 51 milhões), escarrando "Shrek 2", fazendo desse o melhor fim de semana da história. É ou não é um circo com direito a palhaços, mágicos e trapezistas?! Nota 4/5

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segunda-feira, 23 de abril de 2007 às 00:39

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Cartas de Iwo Jima: os horrores da guerra na visão dos inocentes

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006) mostra a "versão japonesa" da guerra envolvendo Estados Unidos e Japão pela conquista da ilha de Iwo Jima, durante a 2ª Guerra Mundial em 1944. O diretor Clint Eastwood foi muito feliz ao contar a mesma história sob duas perspectivas. A primeira foi mostrada no filme "A Conquista da Honra" (leia meu post), em que o foco é a crítica à criação dos "heróis de guerra americanos".

Em Cartas de Iwo Jima o papo é outro. Clint explora a fragilidade do comando militar japonês. Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe) é um tenente-general do Exército Imperial. Muito respeitado por ser um hábil estrategista e profundo conhecedor da capacidade tecnológica do exército ocidental, o Japão colocou em suas mãos o destino de Iwo Jima, considerada a última linha defesa do país. O problema é que os militares japoneses mais tradicionais não aceitavam o fato de serem comandados por um general "americanizado". Resultado: quebra de comando.

Mas o que chamou mesmo minha atenção foi a vontade que os caras tinham de "morrer com honra". Os malucos nipônicos dão de pau na tropa de Leônidas do filme "300" (leia meu post). Os caras preferem o suicídio a lutar. Na cena mais forte do filme uma guarnição inteira se mata. Um a um os caras vão estourando granadas no próprio peito. Eles acham lindo decidir sobre a própria morte. Grande merda.

      

Cartas de Iwo Jima me deixou meio perturbado. Difícil entender o raciocínio deles. Fiquei entusiasmado para assistir aos clássicos de Akira Kurosawa. Quero vê se compreendo essa tradição que vêm desde os Samurais. Em decorrência disso, o Japão tem hoje a mais alta taxa de suicídio do mundo industrializado (02,1 por 100.000 habitantes, segundo a AFP).

Outra coisa que não entendo é a dinâmica da guerra. Como pode, dois povos com culturas tão ricas e de características tão excepcionais como Japão e Estados Unidos, guerrear? Jovens matando uns aos outros, famílias destruídas pela intolerância humana, sangue a troco de nada. Eu realmente não entendo.

Mas no final das contas, o bom mesmo foi mudar de lado nessa batalha. Mesmo derrotado, gostei da tática militar das cavernas. Os orientais pareciam uns tatus correndo entre as grandes escavações. E olha que o filme começa meio sonolento, mas a história vai ganhando dramaticidade a cada minuto. Cartas de Iwo Jima mostra os horrores da guerra a partir dos olhos inocentes do padeiro Saigo (Kazunari Ninomiya), um soldado cujo único objetivo é voltar vivo para sua família.

Com roteiro de Iris Yamashita, baseado em livro de Tadamichi Kuribayashi e em história de Paul Haggis. Cartas de Iwo Jima contou com produção do mestre Steven Spielberg. Não por acaso o longa ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e o Oscar de Melhor Edição de Som, além de ser indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Nota 4/5

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terça-feira, 17 de abril de 2007 às 01:35

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Firewall - Segurança em Risco: um filme altamente previsível

Firewall - Segurança em Risco (Firewall, 2006) é um bom suspense. Recheado com brinquedinhos tecnológicos, o filme ganhou minha simpatia. Apesar de repetitiva, a história é legal. Jack Stanfield (Harrison Ford) é um dos mais respeitados especialistas em segurança de computadores. O sistema antifraude desenvolvido pelo cara é praticamente impenetrável.

Mas em casa de ferreiro, espeto de pau. O assaltante Bill Cox (Paul Bettany) sabe desse ditado e passa a monitorar a vida de Jack. Tudo é hackeado, desde suas atividade na internet até suas conversas telefônicas. Para dá conta disso tudo, os assaltantes usam uma rede de câmeras digitais e microfones parabólicos.

      

Por saber tudo da vida de Jack, Bill e uma equipe de mercenários conseguem invadir sua casa e manter Beth e seus filhos como reféns. Para que sua família sobreviva, Jack precisa participar de um esquema para roubar US$ 100 milhões. Com todas as rotas de fuga possíveis tendo sido bloqueadas por Bill, Jack é obrigado a encontrar uma falha em seu próprio sistema de segurança que possibilite a transferência da quantia desejada para uma conta no exterior.

Eu confesso: Firewall é um filme altamente previsível. Nem mesmo as fracas reviravoltas surpreendem. Mas um bom espectador não deve levar o filme muito a sério. Pensa bem, vê o Indiana Jones acessando internet wireless num laptop no meio do deserto é ou não tremendamente legal?! Nota 2/5

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domingo, 15 de abril de 2007 às 23:07

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Filhos da Esperança: apesar das excelentes referências, um filme chato

Quem me conhece sabe: bastar falar em distopia para fisgar minha atenção. Sociedades futuristas com governos totalitários é meu tema predileto. Acho que isso ainda vai render um bom trabalho acadêmico, quem sabe.

Filhos da Esperança
(Children of Men, 2006), filme que recebeu 3 indicações ao Oscar (Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição), fala desse assunto. No futuro retratado no filme, as mulheres não conseguem engravidar, com isso a humanidade corre o risco de extinção. Até que surge, em Londres, uma jovem refugiada africana grávida, isso dá início a perseguições e disputas entre governo, rebeldes e ativistas.

Dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, escrito pelo mesmo em parceria com Timothy J. Sexton e baseado no romance "The Children of Men" (1992), da inglesa P. D. James, Filhos da Esperança prometia povoar minha mente com perguntas e idéias. Prometeu, mas não cumpriu. Mergulhar na idéia que as mulheres não conseguem mais engravidar é tosco.

      

No livro "Admirável Mundo Novo" (leia meu post) de Aldous Huxley, as mulheres também não engravidam. A questão é que não o fazem por opção. Os bebês são "cultivados" em laboratórios. Tudo bem que Filhos da Esperança se passa em 2027, mas ainda assim é um enredo difícil de engolir. Até mesmo hoje, nossa ciência já seria capaz de criar clones humanos.

Partindo dessa premissa, ficou difícil gostar do filme. A idéia foi legal, a intenção merece aplausos, a fotografia é nebulosa, os movimentos de câmera criam um clima legal, gostei das referências ao Pink Floyd, ao George Orwell, gostei das críticas políticas e do engajamento social. Mas o filme é chato e sem graça. Nota 2/5

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