sábado, 7 de novembro de 2009 às 01:13

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O Exterminador do Futuro - A Salvação: a guerra pós-apocalíptica perdeu a essência

O Exterminador do Futuro - A SalvaçãoOutro dia fiz uma viagem no tempo. Voltei 25 anos para assistir "O Exterminador do Futuro" (1984), a história que até hoje mexe com nosso imaginário. As máquinas dominarão o planeta? A raça humana está condenada à extinção? Haverá um Juízo Final? O filme nos apresentou uma esperança: John Connor, o messias que comandaria uma aliança rebelde capaz de destruir as máquinas e retomar o controle da Terra.

Pois bem, o futuro chegou! O Exterminador do Futuro - A Salvação (Terminator Salvation, 2009) nos leva ao ano de 2018. John Connor (Christian Bale) está crescido. Ele é o líder da resistência humana ao domínio das máquinas. Todas as profecias da sua mãe estavam certas. A Skynet agora é o Big Brother. Ela mantém um exército de Exterminadores que percorre o planeta em busca dos últimos vestígios de vida humana.

O Exterminador do Futuro - A Salvação O Exterminador do Futuro - A Salvação

No meio dessa guerra surge Marcus Wright (Sam Worthington), um misterioso personagem que entra na história e rouba toda a atenção. O Exterminador do Futuro - A Salvação gira em torno da dúvida: Ele é homem ou máquina? O que de certa forma nos leva a outra discussão bem mais profunda: O que torna alguém humano? É carne? É osso? Ou seria um conjunto de valores éticos e morais? Alguns dizem que isso não basta, somente o sentimento seria capaz de humanizar. O filme acaba se tornando piegas.

Por tudo isso, achei A Salvação um filme chato. Foge muito à trilogia precedente. Fiquei um pouco decepcionado. Esperava assistir algo mais divertido, empolgante. Faltou ação, adrenalina, confrontos com as máquinas. O começo até que diverte, mas não foi suficiente para saciar a sede depois de tantos anos de expectativa. Sequer nos foi explicado a lógica de funcionamento da guerra nesse futuro pós-apocalíptico. O que realmente estava em jogo entre homens e máquinas? É poder? É terror? É o quê?

O Exterminador do Futuro - A Salvação O Exterminador do Futuro - A Salvação

Evidente que O Exterminador do Futuro vai muito além daqueles minutinhos de projeção. A história nos obriga a entrar em diversos universos paralelos. Partindo do visual sujo de "Mad Max" (1979), passando pelo clássico sucesso "You Could Be Mine" dos Guns n’ Roses, até chegar em Philip K. Dick, autor do livro "Do Androids Dream of Electric Sheep". O objetivo, em todos esses casos, é passar ao expectador a melhor visão possível da desoladora realidade.

Um sujeito que entendeu foi Christian Bale. O Batman está muito bem no papel de John Connor. Sua caracterização nos fez esquecer aquele frangote magrinho dos primeiros filmes. Destaque também foi a participação especial do Arnold Schwarzenegger. A face dele foi incluída digitalmente no corpo de um outro ator. O resultado é interessante. Pelo menos assim o T-800 pôde aparecer, afinal, ele é a alma dessa história. Não faria sentido um filme – contemporâneo ao andróide – ignorar o fato. Estranhices dessa guerra sem futuro. Nota 3/5

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terça-feira, 3 de novembro de 2009 às 23:09

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Ice Age - Dawn of the Dinosaurs: o universo pré-histórico ganha vida nos games

Ice Age - Dawn of the DinosaursSou filho do Super Mario Bros. No vídeo-game gosto dessas aventuras inocentes e meio nonsense. Tiros e carnificina eu até experimento, mas geralmente abandono no meio do caminho. Talvez seja uma forma que o cérebro encontra de me transportar para esses divertidos universos paralelos. Com Ice Age: Dawn of the Dinosaurs (Activision, 2009), versão do filme "A Era do Gelo 3" para PlayStation 2, aconteceu amor à primeira vista.

Logo que peguei no joystick e comecei a controlar o estabanado Sid, percebi um jogo extremamente fácil. É divertido rodar, pular, deslizar, interagir com os outros personagens. Tudo propositalmente muito simples. De cara parece um jogo bem infantil. Logo nas primeiras fases o jogador comanda Manny, Diego, Scrat e outros personagens do filme. Evidente a jogabilidade de um mamute é menor que dos demais. Os movimentos são curtos e demorados. O tigre dente-de-sabre é o oposto. De tão ágil é quase incontrolável.

Ice Age - Dawn of the Dinosaurs

As fases de Ice Age: Dawn of the Dinosaurs vão ficando mais difíceis quando o ambiente muda da neve para floresta dos dinossauros. É de longe a etapa mais divertida do game. Nesse cenário quem comanda é Buck, uma doninha cara-de-pau. O sujeito tem um molejo diferenciado, ajudando a escapar das dezenas de dinossauros que aparecem pelo caminho. Em alguns momentos é possível até subir em alguns desses monstros. Buck é o astro desse game, sem dúvida o personagem mais importante.

O jogo requer boa habilidade no comando da câmera e certa paciência para repertir os movimentos. O bom é que existem muitos checkpoints pelo caminho, nunca deixando o jogador sem uma segunda chance. O que mais achei divertido em Ice Age: Dawn of the Dinosaurs é a exigência de habilidades diferentes para completar o jogo. É preciso ser rápido deslizando em cipós, forte para escalar paredes, equilíbrio para andar sobre pedras, concentração na mira de alvos ambulantes. Até voar é exigido.

Ice Age - Dawn of the Dinosaurs

Gostei também das fases curtas. Nada de muita dor de cabeça. Quando o dedo começa a calejar, desligo e continuo amanhã. Ótimo para quem não tem muito tempo. O resultado é que acabei zerando Ice Age: Dawn of the Dinosaurs meio sem querer. Passei de uma fase chata e logo estava ajudando Manny a enfrentar o grande dinossauro final. Derrubei a caverna na cabeça dele e pronto, zerei!

Foi bom jogar Ice Age: Dawn of the Dinosaurs, estou louco para assistir ao filme, mesmo sabendo que o game vai tirar um pouco o sabor das surpresas. De todo modo, deu para notar que os desenvolvedores conseguiram transportar os fãs ao universo pré-histórico dos heróis de "A Era do Gelo". Só espero que no próximo capítulo do pobre Scrat ganhe mais espaço. O joguinho 2-D (bônus dentro da história, estrelado por ele e a namorada) é extremamente divertido, merecia mais atenção. Nota 4/5

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009 às 23:21

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G.I. Joe - A Origem de Cobra: uma volta ao mundo encantado dos "Comandos em Ação"?

G.I. Joe - A Origem de CobraHoje, quando estava chegando do trabalho, observei dois garotos brincando na escada do condomínio. Um deles segurava um boneco de borracha multicolorido. Ele gritava pro amiguinho: "Cara, cadê o seu Max Steel? Vai buscar logo, o mundo depende de nós". Eram moleques, no máximo sete anos, ainda imunes à esquizofrenia virtual. Senti um pouco de nostalgia. Encostei na parede e observei a cena por alguns segundos. Quase sentei naqueles degraus azulejados para ajudá-los no fardo.

O encontro me trouxe lembranças. Na idade deles, a febre era uma linha de pequenos bonecos articulados chamada "Comandos em Ação" (G.I. Joe). Produzida pela empresa americana Hasbro e comercializada no Brasil pela Estrela, a série fez muito sucesso entre os anos de 1984 e 1995. Para quem não foi garoto naquele tempo, talvez seja difícil compreender a força dos "Comandos em Ação", mas para nós aquilo era religioso.

G.I. Joe - A Origem de CobraG.I. Joe - A Origem de Cobra

Lembro das muitas tardes de domingo que passei brincando deitado no chão gelado da casa dos meus pais. Eu era um estrategista militar. Preparava minha equipe ao custo de rigorosos exercícios de guerra. Hoje acho isso politicamente incorreto, mas naquele tempo... Eu tinha um tanque preto, lindo, com um esconderijo secreto e tudo. Fundamental também eram as naves. A minha era cinza, com dois canhões giratórios nas asas e alavanca central.

Aproveitando essa memória da geração anos 80, a Paramount Pictures lançou o filme G.I. Joe - A Origem de Cobra (G.I. Joe: The Rise of Cobra, 2009). Na história, a equipe de elite da G.I. Joe luta contra o corrupto traficante de armas Destro (Christopher Eccleston). Pra isso eles usam o que há de mais recente em equipamentos de espionagem militar. Ao mesmo tempo a equipe vê a crescente ameaça da misteriosa organização Cobra, que planeja a criação de uma nova ordem mundial.

G.I. Joe - A Origem de CobraG.I. Joe - A Origem de Cobra

Logo no começo do filme já percebemos que se trata de um algo diferente e inventivo. Os combates fogem ao padrão, transformando homens e supersoldados invencíveis. No meio disso tudo os candidatos a herói ganham vaga no esquadrão de elite. Para nós é uma oportunidade de conhecer as técnicas e princípios que transformam simples humanos em "joes". Destaque para os personagens Snake Eyes (Ray Park) e Storm Shadow (Byung-hun Lee). Yin-yang.

Acho que o filme só ficou devendo na construção dos personagens centrais. Tentou-se criar uma motivação trágica para o casal romântico da história, mas não deu certo. Faltou química e talento. Fora isso, G.I. Joe - A Origem de Cobra é muito divertido, um ótimo filme de ação e aventura. Mas nada além. Não espere voltar ao mundo encantado dos "Comandos em Ação". Para nossa tristeza, os heróis estão cada dia mais cínicos e menos lúdicos. Nota 4/5

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009 às 00:06

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Star Trek - O Futuro Começa: um grande amálgama político da nossa civilização

Star Trek - O Futuro ComeçaNão sou trekker. Admiro profundamente o culto semi-religioso dos fãs de "Star Trek", mas confesso nunca ter me imaginado membro da Enterprise. O que é bem estranho vindo de alguém como eu: geek, fanático por sci-ci e um quase nerd colecionador de cacarecos espaciais. Um amigo disse que esse meu afastamento do universo "Jornada nas Estrelas" é por conta da minha incapacidade manual de fazer o (ordinário) "V" do Spock.

De repente é isso. Mas acredito que o motivo seja um pouco mais engenhoso. "Star Trek" sempre me pareceu uma cópia de "Star Wars". Na minha cabeça, eles haviam se aproveitado do sucesso de George Lucas. Assim, acabei criando uma rivalidade entre as franquias. Fiquei longe de tudo que envolvia "Star Trek". Mas de uns meses pra cá comecei a pesquisar um pouco mais sobre o assunto. Culpa? Dele, J.J. Abrams - o pai da série "Lost".

Star Trek - O Futuro ComeçaStar Trek - O Futuro Começa

J.J. assumiu a direção do projeto que tinha por objetivo a revitalização da marca "Star Trek". As primeiras imagens do filme me pareceram toscas, com um visual plastificado e brega. O próprio contexto da história parecia complexo. Como entrar numa aventura que tem 10 filmes na bagagem? Ainda assim, fui de espírito aberto assistir Star Trek - O Futuro Começa (Star Trek, 2009). A promessa era recomeçar a história do zero, revelando o início da jornada heróica, mas sem desprezar tudo que já foi feito até agora.

O que fizeram? O mesmo que George Lucas na segunda trilogia de "Star Wars", contaram o passado dos personagens principais. No caso de Star Trek o foco é James T. Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto). Os dois são mostrados em rascunho, garotos descobrindo os tortuosos caminhos da vida através do rebelde espírito da juventude. Cada um a seu modo, eles se mostram os cadetes mais espertos da Frota Estelar. Tornam-se adversários nesse jogo de poder e amor.

Star Trek - O Futuro ComeçaStar Trek - O Futuro Começa

É no meio dessa disputa pelo comando da Enterprise que o destino da galáxia é lançado. Nero (Eric Bana), tem um engenhoso plano de vingança contra Spock, fazendo o vilão brincar com o espaço-tempo. O gancho permitiu inclusive a participação especial de Leonard Nimoy (o Spock original). O que pra mim foi o ponto alto da história. Nele repousa a serenidade e sabedoria de toda uma civilização. Espero que ele volte em novos filmes e tenha uma vida longa e próspera!

Pois é, adorei Star Trek - O Futuro Começa. Realmente um excelente filme. Muita ação, tecnologia, drama, humor, tudo condensado de maneira ágil, espeta e simples. Pena que a Enterprise tenha roubado a cena mais do que deveria. A disputa pela cadeira de "chefe" é quase uma obsessão entre os tripulantes. Querendo ou não, no fundo Star Trek é um grande amálgama do desenho político desse nosso mundo de canibalismo funcional. Quem sabe repousa nisso o motivo de tanto sucesso e fanatismo. Nota 5/5

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terça-feira, 27 de outubro de 2009 às 15:00

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Wii Sports Resort: uma nova e divertida simulação esportiva

Wii Sports ResortCom o lançamento do Wii, o mundo foi apresentado a uma nova forma de interagir com jogos eletrônicos. Como a Nintendo vinha em gerações anteriores perdendo em vendas para a marca Playstation, eles tiveram que criar um produto diferente para competir com seus concorrentes, que no caso seria a Sony e a Microsoft.

A estratégia usada pela Nintendo é conhecida como Oceano Azul, existindo até um livro chamado "A Estratégia do Oceano Azul", por W. Chan Kim. Ainda não li e por isso não tenho muito a escrever sobre essa estratégia. Mas foi a partir desse pensamento que o foco da empresa passou a ser os não-jogadores, ou jogadores eventuais e criou-se o Wii com uma meta bem modesta de vendas e um jogo que se tornou o carro chefe do console, o Wii Sports (2006).

Wii Sports Resort

O Wii foi lançado em 2006 e o Wii Sports virou um sucesso absoluto e a empresa viu que tinha um bom produto nas mãos. Como a estratégia de venda foi sub-dimensionada, faltou produto para o natal daquele ano. Mas a empresa viu que a estratégia de controles com sensores de movimento daria certo e que a tão procurada imersão que ela tanto procurava, desde o lançamento (e fracasso absoluto) do VirtualBoy, estava próximo.

O Wii Sports atraiu os olhares da mídia e logo os pontos negativos começaram a ser apontados. Como a não precisão do sensor e os movimentos mostrados não darem a impressão de realidade que o jogador esperava, era divertido, mas ainda faltava algo e esse algo foi anunciado pela empresa na E3 de 2008. Com um novo acessório chamado Wii MotionPlus, que é um adaptador contendo um sensor giroscópio que capta melhor os movimentos, deu início ao surgimento do Wii Sports Resort.

Wii Sports Resort

A alma desse novo jogo se encontra no Wii Sports, porém ele não é apenas uma continuação, pois apenas dois esportes do antigo jogo foram mantidos (boliche e golfe). Foram adicionados vários outros como: tênis de mesa, wakeboard, basquete, arco e flecha, um jogo de espadas dentre outros, num total de 12 modalidades.

Para ter acesso a esse jogo a pessoa é obrigada a ter o acessório, sem ele o jogo não roda, faz até sentido, pois ele foi criado para mostrar a capacidade de captação do sensor de movimento que agora passa a ser próximo de 1:1. Os projetistas dizem não ser mais preciso para que os jogos não fiquem difícil demais, o que acabaria frustrando os jogadores. Mas posso afirmar que o nível de captação ficou perfeito e o jogo é muito divertido, principalmente quando se desafia seus amigos. Nota 4/5

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009 às 00:45

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Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados: sem história, a brincadeira perdeu a graça

Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados"Transformers: O Filme" (leia a resenha) foi legal! Além de todo o saudosismo lúdico, a aventura dos robôs da Hasbro conseguiu nos divertir e impressionar com a qualidade dos efeitos visuais. Sucesso estrondoso, não demorou muito para os executivos de Hollywood financiarem a sequência: Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados (Transformers: The Revenge of the Fallen, 2009). Mantiveram Michael Bay na direção e todo o elenco original. Os caras devem ter pensado: "Duplicando tudo que deu certo no filme anterior, faremos muito mais sucesso".

Eles começaram aumentando o número de robôs. No primeiro filme eram apenas 14, agora são 46!!! O resultado é uma grande bagunça. Transformers 2 parece a prateleira do meu quarto: uma fila imensa de robôs brilhantes, mas todos sem personalidade. Com tanta máquina brigando por espaço na tela, ficou até difícil compreender o que se passava nas imagens. A cena inicial, por exemplo, é vertiginosa. Fiquei tonto com a rapidez dos movimentos. Entendi patavinas do que acontecia.

Transformers 2 - A Vingança dos DerrotadosTransformers 2 - A Vingança dos Derrotados

Outra coisa foi tirar Sam Witwicky (Shia LaBeouf) do papel de nerd coitadinho para fodão porra-louca. Fracasso total. A mudança pareceu artificial e sem sentido. Um dos piores momentos do filme é quando o jovem herói ingressa na faculdade e deixa para trás a família de [forçadamente] malucos, seu "transformer de estimação" Bumblebee (voz de Mark Ryan) e a namorada Mikaela Banes (Megan Fox). Ela é um caso a parte. Abusaram tanto do apelo sexual que a pobre virou uma [quase] boneca inflável: boca aberta e vontade de ser feliz.

Mas o principal defeito de Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados é falta de argumentos convincentes para a história. Fato que deixa o filme sem graça e muito sonolento. Nem mesmo a disputa política entre os Autobots e o governo dos EUA conseguiu dinamizar o roteiro. Fiquei até o último segundo esperando a tal vingança prometida no título. Ela não veio. Pior do que isso foi vê toda a mitológica altivez dos Decepticons jogada ao lixo, como se fosse um brinquedo velho que não tem mais valor. Nota 2/5

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domingo, 11 de outubro de 2009 às 00:32

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Ano Um: monótona comédia sobre proibições e excentricidade dos deuses

Ano UmDesde pequeno cultivo uma curiosidade sobre a pré-história. Tudo começou na longínqua sexta série do primário. De lá pra cá pouca coisa apareceu de interessante. As exceções são "Os Flintstones" e "Família Dinossauros", em especial essa última, que conseguia fritar meu cérebro a cada "querida, cheguei". Recentemente tivemos a divertida aventura "10.000 A.C." (leia a resenha), mas é pouco para o enorme potencial desse universo.

Ano Um (Year One, 2009), comédia produzida por Judd Apatow – responsável pelo sucesso de "Superbad - É Hoje" (leia a resenha) – não nasceu com a responsabilidade de preencher essa lacuna criativa da pré-história. Porém, desde o começo entendi que esse seria um filme sobre as desventuras dos homens das cavernas. E fazer humor numa sociedade tão bizarra não deve ser difícil. "A Guerra do Fogo" (1981) conseguiu isso sem esforço.

Ano UmAno Um

Mas ao contrário do que imaginei, Ano Um não se resume à dinâmica social das cavernas. Na verdade a comédia explora o tema apenas como argumento para "recontar" o Velho Testamento. Os protagonistas são Zed (Jack Black) e Oh (Michael Cera), dois caçadores trapalhões de uma comunidade primata. Expulsos da tribo, eles acabam conhecendo Caim, Abel, Isaac, Abraão e outras figuras bíblicas. Juntos tentarão organizar a bagunça e escrever um novo capítulo no livro sagrado.

De forma geral a comédia faz uma severa crítica às proibições e excentricidades divinas, incluindo os sacrifícios físicos que os deuses costumam pedir, como: matança de virgens, assassinato de filhos e circuncisão em crianças. Fora isso Ano Um é monótono, sem graça e de extremo mau gosto. Um total e absoluto desrespeito à cristandade e seus agentes. Para brincar com um assunto tão complexo é preciso um pouco de inteligência e muita responsabilidade, duas coisas estranhas ao filme. Nota 1/5

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terça-feira, 6 de outubro de 2009 às 23:57

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Arrasta-me para o Inferno: divertido terror sobre a volta triunfal do satanismo

Arrasta-me para o InfernoEm 2002 a revista Superinteressante escreveu: "O Diabo chega ao século XXI deitado sobre a fama arrecadada ao longo do tempo. O Diabo teve que ceder aos progressos da ciência, à liberdade de pensamento e ao avanço da razão sobre a superstição. Mas é inegável que, mesmo reduzido à idéia original que o criou, ele continua influente em nossos dias, qualquer que seja a classe social, o nível cultural ou a nacionalidade das pessoas. Não é exagero dizer que, de certa forma, o velho e mau Satã tem sido revalorizado nos últimos tempos."

É tão verdade que ontem passou um documentário no "History Channel" justamente sobre isso. O programa citava a influência da ira (pecado capital favorito do Tinhoso) nas relações sociais. O texto explorava o organograma do inferno, citando os demônios e sua estrutura de poder. Como uma verdadeira empresa, cada atividade fica a cargo de um dos chifrudos. A reportagem não citou Baphomet, uma espécie de bode humanóide, mas nele reside uma das representações mais importantes do satanismo.

Arrasta-me para o InfernoArrasta-me para o Inferno

Sam Raimi (diretor dos três filmes do Homem-Aranha) pegou essa figura mitológica e criou uma nova lenda: Lamia. No filme de terror Arrasta-me para o Inferno (Drag Me To Hell, 2009), o demônio é invocado pela velha maluca Sylvia Ganush (Lorna Raver), que lança a maldição na pobre Christine Brown (Alison Lohman). A menina então tem três dias para se livrar desse encosto. Com ajuda do namorado Clay Dalton (Justin Long) ela precisará de muita coragem (e dinheiro) para enfrentar a besta antes de ser tragada para o inferno.

Arrasta-me para o Inferno é divertido. Fiquei surpreso com a qualidade no acabamento visual. O ritmo da história é outro ponto forte, mantendo o clima tenso o tempo todo. Gostei também das cenas durante o dia, com demônios atacando sob a luz do sol. O roteiro, apesar de simples, propicia alguns subtramas interessantes, tentando tornar o filme mais próximo da vida real. Cheguei a pensar numa espécie de volta triunfal do satanismo, mas não chega a tanto. Arrasta-me para o Inferno está longe da supervalorização que a mídia especializada anda fazendo. Nota 4/5

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domingo, 20 de setembro de 2009 às 06:00

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Lie To Me - 1ª Temporada: o seriado da mentira

Lie To Me – 1ª TemporadaQuantas mentiras você disse hoje? De acordo com esse seriado o homem não conversa durante muito tempo sem contar alguma. Lie To Me – 1ª Temporada (Lie To Me - Season One, 2009) é um seriado investigativo, como tantos outros que permeiam os canais atualmente, porém ele trás um tempero diferente, não o uso de alta tecnologia, nem provas forenses partindo de perícias e corpos putrefatos e sim o homem.

O homem em si não é o foco da série, mas as palavras que dizemos e a atitude corporal que temos e nesse contexto que entra em cena o Lightman Group, uma equipe especializada em detectar sem a necessidade de polígrafo o que as pessoas estão sentindo num momento de interrogatório e assim avaliar se a pessoa em questão diz a verdade ou não.

Na série esse grupo é criado pelo Dr. Cal Lightman (Tim Roth), que varreu o mundo estudando vários povos e trazendo a tona o conceito de universalização da microexpressão, provando que um mesmo sentimento universal apresenta as mesmas características corporais independente da cultura.

Lie to Me - 1ª TemporadaLie to Me - 1ª Temporada

E como não deixaria de ser diferente a formula do C.S.I se repete. Um grande investigador, fica no foco enquanto outros personagens fazem alguns trabalhos secundário para ajudar no desenrolar da trama. Por isso temos a Dra. Foster (Kelli Williams), psiquiatra treinada por Lightman para identificar microexpressões e ajudar nos perfis psicológicos.

Eli Locker (Brendan Hines) outro estudioso das microexpressõe que tem uma doença de sempre falar a verdade, um glichê até perdoável pelo trocadilho de seu nome que seria numa tradução livre: cadeado. Caixão (lembra a frase "levar seu segredo para o túmulo"). E por fim temos Ria Torres (Monica Raymund), uma descendente latina que mesmo sem estudo tem o dom de ler microexpressões das pessoas.

Lie To Me não traz uma fórmula nova, mas o contexto e as histórias são bons. Pra mim a série ganha ponto ao mostrar celebridades mundiais e suas microexpressões em momentos chave. Será difícil depois de assistir essa série não tentar captar as microexpressãoes das pessoas no dia-a-dia. Nota 3/5

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009 às 15:20

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Força Policial: a desconstrução familiar de um velho sonho de criança

Força PolicialA instituição família está falida! Talvez não completamente, mas boa parte do antigo código de honra não existe mais. A defesa intransigente dos pares, por exemplo, hoje é considerada desvio de caráter. Seguindo esse ritmo, certamente chegaremos ao dia em que pais, filhos e irmãos, serão inimigos íntimos vivendo sob eterna e mútua vigilância. Nesse admirável mundo novo, enfim, "1984" (romance de George Orwell, leia a resenha), deixará de ser ficção.

Infelizmente, eu e você vivemos numa era de transição. De um lado nossos avós, clamando pela volta dos velhos e bons tempos do paternalismo religioso. De outro nossos filhos, jogados aos leões na competitiva, violenta e individual sociedade do consumo. Nesse seara de utopias e distopias, nosso caráter é diariamente colocado à prova. A questão não é mais se devo obediência ao interesse individual ou coletivo. A dúvida é o que significa "interesse individual" e "interesse coletivo".

Força PolicialForça Policial

Nesse sentido, uma das provações mais viscerais dos últimos tempos viveu Ray (Edward Norton), no filme Força Policial (Pride and Glory, 2008). O sujeito faz parte de uma dinastia de policiais, que inclui seu pai Francis Tierney (Jon Voight), o irmão Francis Jr. (Noah Emmerich) e o cunhado Jimmy Egan (Colin Farrell). Nomeado a conduzir uma investigação para apurar um escândalo de corrupção na polícia, Ray acaba descobrindo indícios do envolvimento de familiares, dando início ao conflito moral.

Força Policial é selvagem. Muito, muito violento. O ponto culminante é a cena em que uma dupla de policiais corruptos tortura uma família inteira. O alvo é um bebê de poucos meses. A criança passa alguns segundos sendo ameaçada com um ferro de passar quente em seu rosto. Até que ponto você mentiria para proteger seus familiares? Pois garanto que Força Policial consegue ultrapassar esse seu ponto. É um filme de pura estupidez e anarquismo ético.

Força PolicialForça Policial

Ainda assim achei Força Policial um filme ruim. Pro meu paladar faltou emoção, drama, adrenalina, principalmente na primeira metade. A segunda parte do filme é mais interessante, principalmente por conta da desconstrução daquele velho "sonho" das crianças de se tornarem policiais. Partindo do respeito imposto pela arma/distintivo, até chegar à dura realidade das ruas, banhadas por corrupção e disputa política por cargos diretivos. Quem sabe o fim da família esteja justamente ligado a esse mesmo choque existencial. Não, Força Policial não é tão forte assim.Nota 2/5

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009 às 21:35

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Distrito 9: Peter Jackson no que sobrou do game "Halo"

Distrito 9Os games há algum tempo vêm tomando o espaço (e o dinheiro) do cinema no lucrativo mercado do entretenimento. Sabiamente, ao invés de se tornarem rivais, essas indústrias uniram forças. Games adaptam filmes. Filmes adaptam games. O problema é que a balança anda pendendo pra um lado, pois a grande maioria dos filmes fracassou ao tentar transportar para a tela a dinâmica do joystick. Isso até Peter Jackson – o mago responsável pela trilogia O Senhor dos Anéis – anunciar o "projeto Halo".

Para quem não sabe, "Halo" é um jogo de tiro em primeira pessoa produzido para o console Xbox 360 da Microsoft. Nele o jogador assume o papel de um supersoldado, tendo que enfrentar uma aliança de raças alienígenas. Extremamente premiado e com uma legião de fãs fervorosos, "Halo" talvez seja o maior jogo da história. Não só pela absurda qualidade dos gráficos ou jogabilidade extrema, mas sim porque "Halo" é um dos jogos mais inovadores já criados.

Distrito 9Distrito 9

Por tudo isso, Peter Jackson era a pessoa certa para tentar filmar essa magia. Mas infelizmente o projeto não foi aprovado pelos estúdios. "Halo" então pareceu que iria morrer. Mas até que surgiu a idéia de usar o orçamento que restou para gravar Distrito 9 (District 9, 2009). Jackson ficou com a produção e chamou o sul-africano Neill Blomkamp, responsável pela publicidade do game na televisão, para assumir a direção. Juntos criaram um filme "independente" ao estilo "A Bruxa de Blair".

No mesmo dinâmica do game, o filme conta a história de um nave alienígena que misteriosamente paira sobre Johannesburgo, África do Sul. Os humanos capturam dezenas de aliens e os coloca numa área chamada "Distrito 9". Depois de quase 30 anos, o lugar se transforma numa espécie de favela. Os extraterrestres inclusive traficam armas e drogas (na verdade é apenas comida de gato). O governo então emite uma ordem de despejo (?!), visando alocá-los numa área afastada e confiscar suas poderosas armas. É quando o pau começa.

Distrito 9Distrito 9

Distrito 9 é um filme toscamente incrível. Os aliens entram na história com extrema naturalidade, sem mistérios ou delongas. Nus e crus. Ao final é quase inevitável a comparação com o Apartheid, em que brancos cerceavam a liberdade dos negros. O estilo documental também ajuda a ressaltar essa despretensiosa analogia. Distrito 9 só peca pelo estilo pastelão do protagonista. Ficou divertido, mas o filme acabou perdendo em seriedade. O resultado é uma farofa conceitual ao modo alienígena. Nota 4/5

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