quinta-feira, 26 de janeiro de 2006 às 22:50

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O Senhor das Armas: um mundo de sangue, mutilações e carnificina

O Senhor das ArmasO Senhor das Armas (Lord of War, 2005) é um filme com cara de documentário. A história retrata o submundo do tráfico de armas. Nicolas Cage é Yuri Orlov, um traficante de armas que não se importa com a moralidade de seu trabalho. Para ele armas são como cigarros, ou seja, apenas negócios não importa a conseqüência. Sangue, mutilações e carnificina espalhada pelas guerras que assolam o mundo. Um mercado que se alimenta de morte.

E o que isso tem haver conosco? O índice de mortes por armas de fogo registrado no país nos últimos 10 anos superou o número de vítimas de 26 conflitos armados no mundo, entre eles a Guerra do Golfo e a disputa territorial entre Israel e Palestina. Nesse período, morreram no Brasil 325.551 pessoas por armas de fogo, uma média de 32.555 mortes por ano, segundo estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O Senhor das Armas      O Senhor das Armas

Além de enfrentar riscos, Yuri tem de lutar contra sua própria consciência e a pressão de sua família para largar esse ofício que causa tanto medo e desgraça. Outro destaque é o pôster do filme (veja em tamanho 1340x2000). Nota 2/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 7 de janeiro de 2006 às 19:37

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Aeon Flux - Operação Terminus: uma distopia estrelanda Charlize Theron

Aeon FluxAeon Flux é baseado em um desenho animado produzido pela MTV desde 1991. Em 2005 o desenho foi transformado em filme, mas o criador da série, Peter Cheung, parece que ainda não está muito convencido do resultado do longa. De acordo com o site Sci Fi Wire, ele desde o princípio quis que a adaptação para os cinemas se fizesse por meio de animação.

Segundo o site Cinema Em Cena, Cheung ainda demonstra um grande interesse em realizar um filme animado com seus personagens. O diretor afirmou que apesar de gostar de Charlize Theron e de sua interpretação, ainda está se acostumando com a idéia de que os personagens do longa estão diferentes do que ele havia idealizado.

O filme Aeon Flux - Operação Terminus (Aeon Flux, 2005) se passa num futuro 400 anos à frente, quando uma epidemia exterminou a maioria da população da Terra, exceto por uma cidade bem protegida chamada Bregna, governada por um congresso de cientistas.

Aeon Flux      Aeon Flux

Theron interpreta o papel da personagem Aeon Flux, principal agente de um movimento rebelde conhecido como "Monikan", liderado por The Handler (Frances McDormand). Quando Aeon é enviada numa missão para matar o líder do governo, ela descobre muitos outros segredos, o que a faz questionar tudo em que acreditava até então.

Há alguns meses quando vi algumas fotos do filme e o primeiro trailer. Encontrei algumas semelhanças entre Aeon Flux e "Matrix". Pensei que aquele seria um filme cujo personagem principal não seria Neo, mas sim Trinity. O corte de cabelo de Aeon e Trinity é o mesmo. A roupa preta colada ao corpo é a mesma. A habilidade com as artes marciais parecia ser a mesma. O uso das armas de fogo é o mesmo [nas devidas proporções]. A missão de salvar o mundo é o mesma.

Aeon Flux      Aeon Flux

Mas o que chama a atenção não são as semelhanças e sim as diferenças. Ao contrário de Trinity, Aeon faz mais pose do que briga de verdade. O diretor abusou dos closes na Theron (Aeon), afinal ela é bem mais bonita que Carrie-Anne Moss (Trinity). O "Morpheus" de Aeon Flux é a personagem "The Handler", mas ela perde de feio para o poderoso Laurence Fishburne de "Matrix".

Mas Aeon Flux me ajudou a descobri uma coisa, esse negócio de ficar comparando filmes não é legal. Cada um tem seu próximo sentido, seu próprio universo, seu público-alvo, seus defeitos, suas qualidades, cada filme representa algo positivo. Entretenimento, aprendizagem, massificação, informação e cultura, Aeon Flux tem um pouco de cada coisa. Em síntese é um filme interessante, vale a pena. Nota 2/5

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domingo, 1 de janeiro de 2006 às 19:23

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O Exorcismo de Emily Rose: um atentado à paciência dos espíritos

Sabe aquela dúvida: "e se o exorcismo não funcionar e a garota morrer?". O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, 2005) tenta responder a essa pergunta. Emily é possuída por seis demônios (entre eles o próprio Lúcifer) e morre durante o exorcismo, o que faz com que o padre Richard Moore (Tom Wilkinson) seja acusado de assassinato. A partir daí o filme acontece dentro de um tribunal do júri, com aquelas velhas retóricas de advogados.

O idéia é inovadora, mas o filme em geral é muito ruim. A história começa a ficar mirabolante, com direito a um encontro entre Emily e a Virgem Maria. A garota quer saber o porquê de tanto sofrimento e a Virgem explica que seu sofrimento servirá para provar aos homens que os espíritos existem!

O Exorcismo de Emily Rose      O Exorcismo de Emily Rose

O filme também peca ao tentar desqualificar os agnósticos. O termo agnosticismo foi cunhado pelo Professor Thomas Henry Huxley em 1876. Ele definiu o agnóstico como alguém que nega tanto o Ateísmo como o Teísmo e que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (Deus) não foi e nunca será resolvida. Em outras palavras, um agnóstico é alguém que acredita que nós não sabemos, nem poderemos saber, se um deus existe. Se o Professor Huxley não decifra esse mistério, o que dirá um filmeco de bosta feito esse. Vade retro! Nota 1/5

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2005 às 19:54

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Mapas Estratégicos - Balanced Scorecard: a terceira parte da série de livros sobre Balanced Scorecard

Mapas Estratégicos - Balanced ScorecardMapas Estratégicos - Balanced Scorecard: convertendo ativos intangíveis em resultados tangíveis (Editora Campus, 2004) é a terceira parte da série de livros sobre Balanced Scorecard. Essa ferramenta estratégica é fruto de um abrangente estudo dos autores Robert Kaplan e David Norton. A motivação dos estudiosos era descobrir uma maneira de mensurar os ativos empresariais, até então usava-se apenas a contabilidade financeira.

O problema é que tais relatórios não forneciam fundamentos para a mensuração e gestão do valor criado pelo aumento das habilidades dos ativos intangíveis. Kaplan e Norton então lançaram o livro "Balanced Scorecard: A Estratégia em Ação", propondo um sistema balanceado de mensurações em que se preservaria os indicadores financeiros de resultado e acrescentaria indicadores não-financeiros sob três perspectivas: clientes, processos internos/aprendizado e crescimento.

O segundo livro da série foi "A Organização Orientada para a Estratégia", os autores buscaram racionalizar o uso dos indicadores priorizando os mais significativos e relacionando os princípios gerenciais das organizações orientadas para a estratégia. São eles: traduzir a estratégia em termos gerenciais; alinhar a organização à estratégia; transformar a estratégia em tarefa de todos; converter a estratégia em princípio contínuo; e mobilizar a mudança por meio de liderança executiva.

Em Mapas Estratégicos, o terceiro e último livro, Kaplan e Norton aprofundam o estudo do Balanced Scorecard e apresentam um modelo de correlação dos indicadores. Para os autores não se consegue gerenciar o que não se pode medir, e não se consegue medir o que não se pode descrever. O mapa estratégico tenta resolver este problema, ao fornecer um modelo para uma representação simples, numa única página, das relações de causa e efeito entre os objetivos tanto das dimensões aprendizado/crescimento e processos internos (vetores do desempenho), quanto das dimensões mercadológica e econômico-financeira (resultados) da estratégia.

Os objetivos dessas quatro perspectivas são conectadas uns com os outros por relações de causa e efeito. A partir do topo, parte-se da hipótese de que os resultados financeiros só serão alcançados se os clientes-alvo estiverem satisfeitos. Kaplan e Norton entendem que "a proposição de valor para os clientes descreve como gerar vendas e aumentar a fidelidade dos clientes-alvo. Os processos internos criam e cumprem a proposição de valor para os clientes. Os ativos intangíveis que respaldam os processos internos sustentam os pilares da estratégia". A conclusão dos autores é que o alinhamento dos objetivos nessas quatro perspectivas seria a chave para a criação de valor e, portanto, para uma estratégia focada e dotada de consciência interna.

"Essa arquitetura de causa e efeito, interligando as quatro perspectivas, é a estrutura em torno da qual se desenha o mapa estratégico. A construção do mapa estratégico força a organização a esclarecer a lógica de como e para quem ela criará valor", concluem.

Kaplan e Norton explicam que o mapa estratégico acrescenta uma segunda camada de detalhes ao Balanced Scorecard, ilustrando a dinâmica temporal da estratégia. "O mapa estratégico fornece uma maneira uniforme e consistente de descrever a estratégia, que facilita a definição e o gerenciamento dos objetivos e indicadores. Em síntese, ele representa o elo perdido entre a formulação e a execução da estratégia".

O livro aponta alguns princípios que norteiam o mapa estratégico, são eles: a estratégia equilibra forças contraditórias; a estratégia baseia-se em proposição de valor diferenciada para os clientes; cria-se valor por meio dos processos internos; a estratégia compõe-se de temas complementares e simultâneos; e o alinhamento estratégico determina o valor dos ativos intangíveis.

Para Kaplan e Norton o Balanced Scorecard traduz os objetivos do mapa estratégico em indicadores e metas. Mas os autores avisam que os objetivos e as metas não serão alcançadas apenas porque foram identificados; a organização deve lançar um conjunto de programas que criarão valor condições para que se realizem as metas de todos os indicadores.

"Os mapas estratégicos fornecem fotografias da estratégia do negócio, por tanto, algo estático. A quantificação de metas, o estabelecimento de horizontes de tempo para as realizações e o planejamento e a aprovação de programas criam condições para que o mapa estratégico converta-se em representação dinâmica da criação de valor ao longo do
tempo".

Mapas Estratégicos é uma gostosa aula de planejamento. Mas como toda aula, com o passar das páginas o livro vai ficando pouco repetitivo e cansativo. Um pouco pelo excesso de auto-promoção e outro pela tentativa de responder às críticas feitas pelos mais céticos. Terminando o livro, a vontade é sair fazendo mapa estratégico para tudo que é lado. Já fez o seu planejamento para os próximos 5 anos? Nota 3/5

sábado, 17 de dezembro de 2005 às 14:49

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King Kong: a oitava maravilha do mundo renasce pelas mãos de Peter Jackson

King KongPeter Jackson é a bola da vez. Depois de presentear o mundo com os três tesouros da trilogia "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (2001), "As Duas Torres" (2002) e "O Retorno do Rei" (2003) - ele vem com mais um filme para conquistar o mundo, King Kong (King Kong, 2005).

Jackson parece gostar de "caminhar sobre ovos". Quando resolveu levar para o cinema os livros de J.R.R. Tolkien, muita gente duvidou de sua capacidade de traduzir a magia dos anéis. Sua nova idéia foi re-filmar King Kong (1933), um clássico consagrado, e mais um vez o resultado é de tirar o fôlego.

Tive o prazer de assistir King Kong no dia da estréia, com direito a virar a madrugada na sala do cinema. O ponto negativo ficou por conta do fraco público presente. Esse parece não ser um fenômeno restrito a Teresina. O remake fez "apenas" 18 milhões de dólares na estréia mundial, sendo que apenas metade disso no lucrativo mercado norte-americano. Para uma rápida comparação, os aproximadamente 9 milhões obtidos nos Estados Unidos e Canadá ficaram longe dos 18 milhões do primeiro dia de "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", do mesmo Peter Jackson.

King Kong      King Kong

Mas vamos ao que interessa. O filme é ótimo. O começo é um pouco cansativo, mas assim que os personagens chegam à Ilha da Caveira, a ação começa. Nativos numa espécie de transe religioso oferecem a Ann Darrow (Naomi Watts) ao Torê Kong. O macaco se apaixona pelo seu "lanche" e a leva para selva. A partir daí é correria para tudo que é lado. Destaque para o estouro de uma manada de Brontossauros, o ataque dos insetos e, principalmente, a batalha entre King Kong e os três Tiranossauros Rex!!! Espetacular.

Depois disso é só dramaticidade. O gorila é capturado e levado para Nova York. Apresentado como a Oitava Maravilha do Mundo numa casa de espetáculo, o macaco consegue quebrar as correntes e dá início a mais uma nova seqüência de ação empolgante, culminando com a escalada ao Empire State Building.

King Kong      King Kong

No topo dos 440 metros do prédio o expectador é presenteado com um cena fabulosa. King Kong sendo metralhado pelos aviões e despencando para a morte. Um final carregado de emoção mas que não conseguiu me comover, talvez pela péssima trilha sonora. King Kong merecia mais. De maneira geral King Kong agrada e satisfaz as expectativas dos mais exigentes. Mas por favor, não se deixe contaminar pela notícia-vírus sugerindo que o filme irá superar o recorde de 11 Oscar de "Ben-Hur" (1959), "Titanic" (1997) e "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (2003), não chegará a tanto. Nota 4/5

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2005 às 18:07

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Todo Marqueteiro é Mentiroso!: porque a arte de disseminar idéias é o emblema mais importante de nossa civilização

Todo Marqueteiro é Mentiroso!Seth Godin é um autor diferenciado, lançou livros inovadores como A Vaca Roxa, Marketing de Permissão e Marketing Idéia Vírus. O seu último livro, entitulado Todo Marqueteiro é Mentiroso! (Editora Campus, 2005), não passa despercebido. Brochura vermelha, nariz de pinóquio na capa e texto provocativo. A priori parece um livro sobre ética no Marketing [pelo menos foi isso que pensei]. Esperava histórias sobre campanhas fracassadas por promessas não cumpridas e um desfecho motivando os mercadólogos a uma correta linha de conduta na profissão.

Logo na orelha no livro vê-se que a conversa é outra. Nada de "mentir leva ao fracasso". Godin é enfático ao afirmar que todo mundo é mentiroso. "Nós contamos histórias para nós mesmos porque somos supersticiosos". Ele explica que o título correto livro seria "Todo Marqueteiro é um Contador de Histórias!". Mas afinal, que graça isso teria?

Godin acredita que os marqueteiros devem desistir de qualquer tentativa de narrar apenas os fatos. Eles devem, em vez disso, se concentrar no que as pessoas acreditam, passando então, a trabalhar na elaboração de histórias que acrescentem algo à visão de mundo dos consumidores. Os marqueteiros não são mentirosos, são contadores de histórias. Os consumidores sim, mentem para si mesmos. O Marketing apenas se aproveita disso.

Dessa maneira, todo consumidor carrega consigo uma visão de mundo, isto é, uma maneira pela qual examinam todas as decisões que devem tomar. Até aí não tem novidade. Peter Senge no clássico "A Quinta Disciplina" (1990) denominava isso de modelos mentais. No livro, Senge explica que modelos mentais são como uma vidraça que emoldura ou distorce sutilmente nossa visão. Os seres humanos não podem navegar através dos ambientes complexos do nosso mundo sem esses modelos mentais cognitivos. Os modelos mentais citados por Senge, correspondem a uma estruturação racional das influências culturais e sociais que determinam nossa personalidade, nossa visão de mundo.

Nessa mesma linha de pensamento Seth Godin segue afirmando que a estratégia adotada por marqueteiros inteligentes é não tentar mudar a visão de mundo das pessoas. "Não procure usar os fatos para mostrar um ponto de vista diferente e forçar seu público a se despir de um preconceito. Você não terá tempo nem dinheiro para tentar". Para Godin, as empresas lucram porque os consumidores compram aquilo que querem e não o que precisam. Necessidades são pragmáticas e objetivas, desejos irracionais e subjetivos. Os consumidores são mentirosos ao transformarem seus desejos em necessidades.

Você aceitaria o convite para tomar vinho num copo de plástico de 10 centavos? E se o convite fosse para degustar um bom vinho numa taça de 50 reais? O consumidor engana a si mesmo ao acreditar que o segundo convite é melhor que o primeiro. Marketing é a arte de disseminar idéias e isso é o emblema mais importante de nossa civilização. Tim-Tim. Nota 3/5

domingo, 11 de dezembro de 2005 às 01:20

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As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: um filme proibido para maiores de 10 anos

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-RoupaAs Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, 2005) é baseado no primeiro volume da série de sete livros que o escritor irlandês C.S. Lewis criou há mais de 50 anos.

Veja só, eu não li o livro, então meus comentários serão simplesmente baseados no filme. Inclusive, só fiquei interessado no filme quando soube que C.S. Lewis fez faculdade com J.R.R. Tolkien, e como amigos conversavam muito sobre suas obras. J.R.R. Tolkien é criador da premiadíssima saga "O Senhor dos Anéis". Mas ao contrário do amigo, a série de Lewis é pouco conhecida no Brasil. Já no hemisfério norte é um sucesso, são 85 milhões de livros vendidos.

Fui ao cinema na expectativa de vê As Crônicas de Nárnia como um novo "O Senhor dos Anéis". Vale ressaltar que a obra de Lewis foi escrita um pouco antes da jornada do anel. Pois bem, relação com a obra de Tolkien só em poucas situações. Primeiro, a equipe que criou os efeitos especiais foi a mesma de "O Senhor dos Anéis".

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa      As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Segundo, no filme há animais mitológicos com unicórnios, faunos, gigantes, ciclopes, feiticeiras e animais falantes. Por fim, o filme termina com a promessa de tempos de paz com a ascensão de um novo rei e uma batalha, em tese, tão feroz quanto a guerra de Minas Tirith, em "O Retorno do Rei" [na prática não chega nem perto].

Mas fiquemos por aí, As Crônicas de Nárnia é um filme extremamente infantil. A história tem início na cidade de Londres, durante um ataque aéreo feito pelas forças nazistas. Isso leva a Sra. Lúcia Pevensie (Georgie Henley) a tomar a decisão de enviar seus quatro filhos para o interior do país, onde estariam mais seguros. Já na mansão do recluso Prof. Digory Kirke (Jim Broadbent), as crianças Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, entram em um guarda-roupa enquanto fogem da mal-humorada governanta e vão parar em Nárnia (um mundo habitado por criaturas fantásticas).

Esse mundo paralelo vem enfrentando um inverno terrível há cem anos em função do domínio da cruel Feiticeira Branca (Tilda Swinton). Porém, logo eles descobrem que há uma profecia que garante que o reinado da vilã chegará ao fim graças aos "dois filhos de Adão e as duas filhas de Eva". Em seguida, conhecem o sábio leão Aslam, que passa a protegê-los e a orientá-los.

As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa      As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

No meio dessa história toda você verá umas coisas estranhas como um castor ninja, uma raposa camarada, um feiticeira sem grandes poderes, um mini-herói covarde, uma garotinha chorona e, pasmem, um papai noel guerrilheiro. Realmente é muita bobagem para um só filme. Mas sabe qual o maior barato?! Ninguém morre na guerra. Alguns bebem uma bebida mágica e renascem. Outros levam uma baforada do leão e voltam a vida. O cartaz dizia "censura 10 anos", mas tenho uma versão melhor. Seria assim: "filme proibido para maiores de 10 anos". Nota 1/5

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sábado, 10 de dezembro de 2005 às 15:41

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Ben-Hur: a epopéia da vida

Ben-HurEu sempre gostei de "Gladiador", de Oliver Stone, vendedor do Oscar de melhor filme em 2000. Para mim aquilo sim era um clássico do cinema, um épico dramático de fazer história. Pois é, eu me enganei. Pior que isso, passei anos me enganando. É duro reconhecer mas o verdadeiro cinema não está nos filmes que virão e sim naqueles que já foram.

Ben-Hur (Ben-Hur, 1959) é o ícone máximo daquilo que costumam chamar de clássico. Um filme impecável. Coloca no chinelo qualquer superprodução milionária. Ben-Hur ganhou 11 Oscar, são eles: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Charlton Heston), Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhores Efeitos Especiais, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som. Foi ainda indicado na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. Em termos de prêmio ninguém supera Ben-Hur. "Titanic" (1997) e "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003) apenas igualam com 11 estatuetas. Ben-Hur ganhou também 3 Globos de Ouro, sendo: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator Coadjuvante (Stephen Boyd), além de ter recebido um prêmio especial, dado a Andrew Marton, devido à sua direção na cena da corrida de bigas.

Ben-Hur      Ben-Hur

Falando nisso, muita gente costuma reduzir Ben-Hur a essa famosa corrida de bigas. Realmente é uma cena espetacular, sendo emocionante e engraçada ao mesmo tempo. Mas Ben-Hur é muito, mas muito mais que isso. A história contada nas quase 4 horas é sobre Judah Ben-Hur, um rico mercador judeu, mas o pano de fundo é a trajetória de Jesus Cristo. E esse é o grande trunfo. Surpreendentemente, num certo momento do filme as histórias se confundem, tornam-se uma só. Infelizmente me falta competência para traduzir em palavras o misticismo e dramaticidade dessa obra-prima. Se ainda não viu, corra para locadora!

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domingo, 13 de novembro de 2005 às 18:24

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Cruzada: Orlando Bloom estragou o filme de Ridley Scott

Nota 1/5
Cruzada
Um filme de Ridley Scott. Isso já bastaria para transformar qualquer filme em sucesso. Lançado há alguns dias em DVD, Cruzada (Kingdom of Heaven, 2005) não fica atrás de "Gladiador" (2000) e "Hannibal "(2001). Mas vamos com calma, Ridley Scott ainda não conseguiu superar o clássico de ficção "Blade Runner: O Caçador de Andróides" (1982).

Cruzada tinha tudo para ser um clássico épico. A história é espetacular, o orçamento de US$ 130 milhões foi bem gasto, a trilha sonora de Harry Gregson-Williams é linda, mas o resultado final não convence. Tudo por conta de Orlando Bloom (o Legolas de "O Senhor dos Anéis").

Orlando Bloom não nasceu para ser protagonista. Pelo menos não para filmes épicos. Fraco, com cara de mulher e voz de criança, Bloom é um fracasso. Ele passa o filme quase todo calado. Nem chega perto de outros heróis épicos como Mel Gibson (Coração Valente, 1995), Russell Crowe (Gladiador, 2000) e Viggo Mortensen (O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, 2003). Deve ser por isso que não gostei tanto de Cruzada.

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domingo, 6 de novembro de 2005 às 02:02

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Jogos Mortais 2: antes de morrer, faça sua escolha

Jogos Mortais 2 (Saw II, 2005) é um filme totalmente doentio, repleto de cenas repugnantes e incrivelmente atraente. No primeiro filme, lançado em 2004, a sala de cinema estava praticamente vazia. Sentei na poltrona e não consegui ficar tranqüilo. A cada novo ataque do serial killer Jigsaw, eu olhava para os lados com receio que a vida imitasse a arte. Com o acender das luzes surgiu um misto de alívio e depressão. Meu olhar ao sair da sala de cinema estava baixo, as mãos geladas, estômago embrulhado, dor de cabeça, garganta seca e permaneci economizando nas palavras.

Um ano depois, Jogos Mortais 2 foi uma grata surpresa para mim. Novamente veio aquele sentimento. Dessa vez a sala de cinema estava lotada. A agonia do primeiro filme deu lugar a um sarcasmo famigerado. Jigsaw, o assassino, continua criativo em suas armadilhas humanas. O clímax do filme, ao contrário do que possa parecer, não é nenhuma cena de carnificina. O momento máximo ocorre quando o expectador vê-se envolvido numa teia de raciocínio seqüencial e indutivo. O assassino joga a isca ao público quando fala:

"O conhecimento da morte muda tudo. Se eu te dissesse o dia e a hora exata de sua morte, seu mundo ficaria completamente em pedaços. Pode imaginar como é alguém lhe dizer que você está morrendo? Sabe a gravidade disso? Em um segundo, o mundo se abre. Você vê as coisas de uma maneira diferente. Você saboreia tudo, desde um copo de água até um passeio no parque. A maioria das pessoas tem o luxo de não saber quanto tempo ainda lhes resta. E a ironia é que isso as impedem de viver suas vidas. As impedem de beber aquele copo de água e realmente saboreá-lo. Aqueles que não apreciam a vida, não merecem viver."

A partir dessa tese o assassino ganha novos jogadores, nós. E se te restasse 5 anos, o que você faria? E se tivesse apenas 1 ano de vida? O que você faria com 6 meses? 1 mês? E se tua vida acabasse em alguns dias? Com certeza tudo mudaria. Jogos Mortais é assim. Um assombroso suspense que te faz pensar algo mais que simplesmente "manter-se vivo". Nota 3/5

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terça-feira, 18 de outubro de 2005 às 23:20

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Dossiê Brasília - O Segredo dos Presidentes: mostrando que teoria e prática não andam juntas

Dossiê Brasília - O Segredo dos PresidentesTodas as vezes que leio o título desse livro escuto a voz do Cid Moreira. O livro Dossiê Brasília: os Segredos dos Presidentes (Editora Globo, 2005) derivou de uma série de reportagens apresentadas no Fantástico. O jornalista Geneton Moraes Neto entrevistou os quatro últimos ex-presidentes do Brasil (José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso), objetivando descobrir quais os segredos que os presidentes tiveram que guardar quando estavam no poder, mas que hoje poderiam revelar ao país. A princípio, fascinante. Geneton explica que ao final da maratona de gravação e edição dos depoimentos, ele tinha um tesouro em mãos: dez fitas de vídeo com todas as entrevistas na íntegra. O jornalista transcreveu integralmente o conteúdo, o que acabou sendo transformado num livro.

Sem dúvida alguma, a melhor entrevista foi a de José Sarney. O mais aberto, mais maduro e intelectualmente o mais completo em suas respostas. O ex-presidente cita seu amigo Afonso Arinos de Melo Franco, que dizia: "há uma grande diferença entre os presidentes nordestinos e os presidentes do Sul. Quando o presidente é de Minas Gerais, os mineiros vêm e pedem a embaixada em Paris. Quando presidente é de São Paulo, os paulistas vêm e pedem o Ministério da Fazenda, o Banco do Brasil ou o Banco Central. Quando o presidente é do Nordeste, os parentes vêm e pedem um lugar de ascensorista". Sarney governou de 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990.

Fernando Collor de Mello (ergh!), de andar empertigado, olhar desafiador e peito estufado, que olhava os outros mortais com ar de olímpica superioridade, segundo Geneton, já não existe mais. Descobriu tarde que o poder é efêmero. Collor tentou mostrar na entrevista que foi um injustiçado, pois foi traído e punido sem o devido processo legal. Mas uma coisa ele deixa de lição: "não se pode julgar um presidente como se fosse um líder de grêmio estudantil". Ele foi presidente entre 15 de março de 1990 a 29 de dezembro de 1992, quando sofreu o processo de impeachment. Segundo ele, "política nunca mais". Saravá!

E quem entrou no lugar de Collor? O mineirinho Itamar Franco. Governou entre 2 de outubro de 1992 a 1º de janeiro de 1995. A entrevista foi extremamente chata. Ele é cheio de traumas, rancores e mágoas. Vive repetindo que não foi presidente por sorte, que o Plano Real é criação dele, que elegeu FHC e que São Paulo não o ama. A única coisa boa da entrevista é sua defesa do regime parlamentarista. Nisso eu concordo com Itamar.

A famosa e recente "Era FHC" começou em 1º de janeiro de 1995 e terminou em 1º de janeiro de 2003. Vade retro. A entrevista é de um intelectual, com respostas bem estruturadas. Fernando Henrique Cardoso mostrou que, ao contrário do que muitos dizem, nunca abandonou seus princípios da época que lecionava sociologia. FHC constata: "a fisiologia do Congresso Nacional é uma tragédia". O ex-presidente refere-se à conduta de certos representantes públicos que visa à satisfação de interesses pessoais e partidários, em detrimento do bem comum. Infelizmente teoria e prática não andam de mãos dadas.

O livro Dossiê Brasília: os Segredos dos Presidentes ainda trás um bônus que eu não esperava. Uma entrevista com Luís Inácio Lula da Silva, em 1979. Memorável, surpreendente e emocionante. Parabéns ao jornalista Geneton Moraes Neto pelas descrições esmiuçadas durante suas entrevistas, pela categoria nas perguntas e competência de um verdadeiro arqueólogo. Nota 2/5

sábado, 15 de outubro de 2005 às 12:52

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Franz Ferdinand - Franz Ferdinand: a volta dos Beatles

Franz Ferdinand - Franz FerdinandVeja só a blasfêmia que vou falar: nessas próximas linhas você pode até me chamar de insano, mas vou correr o risco mesmo assim. Franz Ferdinand são os Beatles do século XXI. Escutando o novo álbum reforcei meu pensamento a esse respeito. A banda deixou o baixo um pouco de lado e aumentou o som guitarra, que agora reina absoluta. Destaque para "The Fallen"; e "You Could Have It So Much Better". Então o rock começa a ficar mais cadenciado em "You're The Reason I'm Leaving"; "Well That Was Easy"; e "Outsiders".

Os caras tocam duas baladas românticas "Walk Away"; e "Fade Together". Mas como falei no início, eles "estão Beatles" nesse novo álbum. Feche os olhos e escute "Do You Want To"; "Eleanor Put Your Boots Back On"; e "What You Meant". Você pensará que entrou dentro de um álbum inédito de John, Paul, George e Ringo. Nota 5/5

segunda-feira, 10 de outubro de 2005 às 21:30

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Freakonomics - O Lado Oculto e Inesperado de Tudo Que nos Afeta: prepare-se para ser confundido

Freakonomics - O Lado Oculto e Inesperado de Tudo Que nos AfetaEu estava alucinado para lê Freakonomics - O Lado Oculto e Inesperado de Tudo Que nos Afeta (Editora Campus, 2005). Número 1 em todas as listas nos Estados Unidos, assunto de milhares de fóruns na internet, tema de diversas reportagens e comentadíssimo nas rodas de bate-papo das mentes brilhantes de economia. O autor Steven Levitt tornou-se um popstar da noite para o dia. Em 2004 Levitt recebeu a medalha John Clark, entregue a cada dois anos ao melhor economista com menos de 40 anos de idade. Dono de um inacreditável poder de análise sobre dados, Levitt é um excepcional argumentador. Seus pensamentos giram em torno dos dados estatísticos. Ele mesmo deixa claro que não faz análise política, moral ou religiosa, é pura e simplesmente estatística.

Para quem vai lê Freakonomics, a primeira atitude deve ser abandonar qualquer paradigma, preconceito ou sabedoria convencional. Freakonomics exige uma capacidade de leitura quase que espiritual. Como num rito sagrado, o leitor deve envolver-se, ri das inesperadas análises de causa-e-efeito, brincar com a sabedoria popular e aproveitar todas as lições que o livro oferece. Não que Levitt seja um papa, ou que tudo que está ali seja verdade. Para ser sincero, ao final das 272 páginas, o que menos importa é a resposta. Perguntas são sempre mais importantes. Não foi Levitt que inventou isso, mas é disso que fala o livro.

Na capa do livro tem uma citação que resume o conteúdo brilhantemente, está escrito: "prepare-se para ser confundido". Perfeito! É isso mesmo que acontece. A Revista IstoÉ Dinheiro (edição 410) faz uma analogia ótima, "se Indiana Jones fosse um economista, ele seria Steven Levitt".

O livro é dividido em quatro capítulos. Em cada um ele trás um tema excêntrico. São ótimas histórias. Como a de um vendedor de bolinhos que todos os dias deixava uma caixa de seu produto em dezenas de empresas e no final do dia passava recolhendo o dinheiro. Depois de anos confiando apenas na honestidade das pessoas, o vendedor mensurou o índice de honestidade de seus clientes em 87%, ou seja, 13% das pessoas comiam e não pagavam. E mais, ele notou que os chefes eram os que mais comiam os bolinhos sem pagar. Outra estatística mostrou que em alguns feriados específicos, os índices de desonestidade cresciam anormalmente.

Freakonomics conta a história dos corretores de imóveis e suas táticas para vender rapidamente as casas, pois para eles não vale a pena negociar por muito tempo já que as comissões não valem o esforço. Levitt aponta o perfil dos internautas que mais fazem sucesso nas salas de romance virtual. O autor também mostra que os sagrados lutadores japoneses de sumô praticam uma corrupção velada, onde em alguns momentos deixam-se vencer em função do corporativismo. Junte a isso a corrupção de professores que fraudam as notas de seus alunos para conseguir promoções e aumentos salariais. Levitt chega ao extremo ao relacionar as características que, estatisticamente, tornam um pai perfeito. Ele avisa que "a preparação para ser um bom pai é feita antes do filho nascer, pois muito do que ele será é reflexo do próprio pai. De qualquer forma, 50% do sucesso de um filho é culpa da genética", explica Levitt.

Todos esses questionamentos são interessantes, mas o que despertou maior polêmica foi a explicação de Levitt para queda da criminalidade de Nova York na década de 90. Só para contextualizar: nos anos 80 uma onda crescente de crimes assolou os Estados Unidos. Peritos criminais faziam previsões catastróficas sobre o futuro das cidades. Os homicídios não paravam de crescer. Até que no início da década de 90, precisamente entre 1994 e 1997, os índices de homicídio de Nova York caíram 23%, mais que os dos outros estados americanos.

Até o lançamento de Freakonomics todos acreditavam na teoria que essa queda deu-se em função do aumento do número de policiais, legislação mais dura e políticas modernas de combate ao crime do prefeito Rudolf Giuliani e seu chefe de polícia William Bratton. Levitt então solta a bomba: "a queda da criminalidade nos Estados Unidos ocorreu devido a legalização do abordo ocorrida nos anos 70". Segundo o autor, os jovens que seriam os bandidos da década de 90, simplesmente não nasceram. Essa análise dos dados fez Levitt ser criticado por todos os lados. Clemente Nóbrega escreveu quatro ótimos artigos sobre esse tema, vale a pena conferir (1, 2, 3 e 4).

Passada a euforia de ter lido Freakonomics, posso replugar meu cérebro e tirar uma conclusão final. Steven Levitt é um mestre em análise de correlações. Ele esmiúça todas as hipóteses possíveis de um problema. Causa-e-efeito. Para pesquisadores essa é uma característica preciosa. O ser humano possui uma tendência natural a buscar por respostas de derivem da ação humana. Exemplo: viajar de avião causa mais medo do que viajar de carro. Mesmo sabendo-se que a chance de morrer durante um vôo é infinitamente menor que morrer em um carro. Acontece que o carro está sob o domínio nosso domínio, enquanto no vôo dependemos do piloto. Tudo que foge do nosso controle gera angústia e desconfiança.

Irrefutavelmente a liberação do aborto foi o maior responsável pela diminuição drástica da criminalidade americana na década de 90, ou seja, causa-e-efeito. Veja bem, a questão aqui não é acreditar ou não acreditar. O que está em jogo é a análise de causa-e-efeito. Levitt argumenta que "coincidentemente", todas as cidades que legalizaram o abordo na década de 70 tiveram quedas da criminalidade acima da média durante os anos 90. Fica a dúvida: até que ponto uma encurralada ética e moral pode parar o caminho das mudanças significativas? Simplificando: você legalizaria o aborto na expectativa da criminalidade cair 20 anos depois? Eu digo sim. Nota 4/5

sexta-feira, 7 de outubro de 2005 às 19:17

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Vôo Noturno: um suspense desagradável e turbulento

No Brasil o filme é chamado de Vôo Noturno (Red Eye, 2005), mas o título original é "Red Eye". Procurei o que significava dessa expressão e veja o que descobri. Red Eye é o nome que se dá aos vôos noturnos que atravessam as diferentes cidades dos Estados Unidos. É um vôo desagradável e turbulento. Legal né?! O filme é exatamente isso.

O filme conta uma história bem simples. Lisa (Rachel McAdams) embarca nesse tal vôo Red Eye rumo a Miami. Pouco depois de decolar, Jack (Cillian Murphy), o homem que está sentado na poltrona ao lado, revela-se um assassino frio e calculista. Lisa é então chantageada a ajudar esse assassino a matar um influente empresário, senão seu pai será morto.

O suspense até que é legal, com alguns momentos angustiantes, principalmente para quem costuma viajar de avião. Com o decorrer do filme, fica claro a incompetência de Jack para executar tarefas banais. Sua missão: fazer Lisa telefonar para o hotel que trabalha e mudar o apartamento de um dos hóspedes. Simples não? De tão simples, bobo. Nota 1/5

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 1 de outubro de 2005 às 17:12

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Penetras Bons de Bico: uma comédia-romance repleta de clichês

Era para ser uma comédia, mas o resultado não foi lá dos melhores. Penetras Bons de Bico (Wedding Crashers, 2005) é um filme campeão de bilheteria nos Estados Unidos e também no Brasil. O sucesso foi tamanho que a produtora já garantiu a seqüência do filme para o próximo ano. Realmente não entendi o porquê de toda essa fumaça.

A história mostra dois amigos que penetram festas de casamento procurando mulheres solteiras. A estratégia é legal. Segundo eles, durante os casórios as mulheres ficam amorosamente disponíveis, abertas a novos relacionamentos. Para quem tiver estômago forte, funeral é outro bom momento para conquistas. Numa das festas eles se envolvem com as filhas de um influente político. A comédia então vira um romance repleto de clichês.

Mas o que vale a pena ser destacado aqui é a Estratégia Viral que a New Line usou para divulgar o Penetras Bons de Bico. No site oficial da produção, você pode colocar o seu próprio rosto, ou o de um amigo, no trailer do filme. É incrível, experimente! Basta fazer o upload de uma foto, ajustá-la de acordo com o modelo e pronto. Você aparece no lugar de Owen Wilson, Vince Vaughn ou outro ator/atriz de sua preferência. Clique aqui para conferir a brincadeira! Depois volte comente o resultado.

Confira o trailer clicando no botão play da imagem abaixo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2005 às 20:57

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2 Filhos de Francisco: é o amor, que mexe com minha cabeça e me deixa assim...

"...que faz eu pensar em você e esquecer de mim, que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver". Que ninguém me escute, mas eu vi o filme do Zezé. Para quem ainda não sabe, 2 Filhos de Francisco conta a história da dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano e irá representar o Brasil no Oscar 2006. Depois de 132 minutos de filme, posso testemunhar que a vida deles é uma bela história.

O filme conta com ótimas atuações, boa trilha sonora, fotografia grandiosa, um roteiro dinâmico, recheado de humor e muita emoção [que o diga o cidadão que passou o filme todo cafungando ao meu lado]. Mas como Administrador de Marketing, irei abordá-lo sob o prisma mercadológico. E nesse quesito, 2 Filhos de Francisco é uma pequena aula de Marketing. Veja o porquê.

O filme foi muito bem distribuído. Exibido em centenas de salas de cinema do Brasil e em vários horários diferentes. Além disso, percorreram os principais programas de auditório da TV brasileira, usando minutos preciosos de exposição. A dupla também fez um excelente merchandising durante novelas, programas humorísticos e atrações das mais diversas, até mesmo durante o GP Brasil de Fórmula 1. A produção também adotou uma bela estratégia de divulgação através de testemunhais. Dezenas de celebridades comentaram sobre o filme, enfatizando sempre o lado emocional da história.

Como um jingle daqueles bem chatos que grudam na cabeça do consumidor, os expectadores saem da sala de cinema cantarolando as músicas do filme. Ainda mais sucesso que o próprio filme, está fazendo o disco com a trilha sonora. Atribuo boa parte desse sucesso a maneira como o roteiro abordou a criação da música "É o Amor". O diretor Breno Silveira nos fez sentir co-autores da letra. Ele nos mostrou o ambiente de criação desse mega-hit, toda a dificuldade, a pressão e as variáveis que desafiam até mesmo os mais esperançosos.

Depois de gravado o disco, para que a música da dupla fosse tocada na rádio, o pai da dupla, Sr. Francisco (Angelo Antonio), distribui fichas telefônicas entre seus amigos, pedindo que cada um ligasse para a rádio pedindo a música. Não demorou e a música já estava na parada de sucesso. É ou não é um velhinho bom de Marketing Boca-a-Boca?

Até mesmo o Marketing Viral "está sendo usado" pela dupla. Recentemente a ex-esposa de Luciano o chamou de homossexual em um programa matinal de TV. Ela não gostou da forma com que foi retratada no filme. Esse tipo de notícia cria uma grande curiosidade nos consumidores, convertendo-se em salas de cinema lotadas, todos em busca das tais cenas polêmicas.

O Marketing Subliminar foi estrategicamente adotado durante todo o filme. Estudos mostram que 95% de nossa atividade cognitiva ocorrem abaixo dos níveis de compreensão do indivíduo. Dentro desse percentual estão as emoções. Arnaldo Jabor já falou que a publicidade devastou o amor, falando na "gasolina que eu amo", no sabonete que "faz amar", na cerveja que "seduz". Mesmo assim, quando bem usada, a emoção produz ótimos resultados.

O filme 2 Filhos de Francisco trabalha sutilmente com diversas emoções. O consumidor é bombardeado subliminarmente pela dor e sofrimento da família de Zezé. Os consumidores passam a torcer desesperadamente pelo sucesso da dupla. Voalá! Eis o pulo do gato. Os expectadores, passam a ter a responsabilidade de provar para o mundo e, principalmente, para eles mesmos, que uma típica família pobre brasileira pode vencer na vida.

O insucesso da dupla passa a ser o insucesso de todos nós. Depois de tanta luta, vê-los sofrer destruiria nossa esperança de vencer na vida através do trabalho honesto. Eis o mistério da fé meus amigos. Depois de 132 minutos de marketing, descubro que minha vida depende desse produto chamado Zezé di Camargo & Luciano. Nota 3/5

Confira uma passagem do filme clicando no botão play da imagem abaixo.

sábado, 3 de setembro de 2005 às 18:19

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Marcelo D2 - Acústico MTV: à procura da batida perfeita

Marcelo D2 - Acústico MTVSalve, salve, Marcelo D2, o verdadeiro arquiteto da música brasileira. No CD/DVD Acústico MTV, gravado em julho de 2004, D2 continua sua peregrinação à procura da batida perfeita. A poligamia musical de sua batida, parece ter encontrado o casamento perfeito. Hip Hop com Samba. Mas para quem acompanha Marcelo D2 desde os tempos do Planet Hemp, isso não é novidade. A grande sacada é a nova sonoridade obtida com a mistura de novos estilos. São 23 músicos ao som de agogô, pandeiro, vibrafone, tamborim, cravo, reco-reco, violino, sax, trombone, trompete, violões, viola, violino e violoncelo. Destaque para o piano conduzido pelo mestre João Donato.

O casamento do Hip Hop com o Samba ganhou a cadência da Bossa Nova e a virtuosidade do Jazz. Essa união de hits trás bons resultados. Durante a década de 90, a união entre Hard Core e Xaxado fez surgir a Nação Zumbi. Nos anos 70, os Secos e Molhados reinventaram a MPB com suas baladas hippies. No Piauí o Narguilê Hidromecânico ganhou projeção nacional ao mesclar Rock com Forró. O próprio Rock nasceu do Blues. O mais importante é não tornar essa mistura gratuita, forçada, descompassada, como o estupro musical da união do Forró com o Eletrônico.

O grande trunfo do Acústico MTV foi desplugar os scratches e samplers. A batida tradicional do Hip Hop ficou por conta de Fernandinho Beat Box. O cara transforma a boca numa verdadeira pick-up. Ele faz batidas precisas ao mesmo tempo, sons de caixas, bumbo, baixo e guitarra. Nesse Acústico MTV, Marcelo D2 não abandona aquilo que os fãs mais gostam, sua tendência ao anarquismo. Como ele mesmo canta: "Marcelo D2, sinônimo subversão". De fato, sua letras continuam apimentadas. Não tanto como nos tempos de Planet, é verdade, mas com a mesma malandragem carioca. Nota 2/5