sábado, 14 de março de 2015 às 22:48

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O Juiz: a natureza do amor paterno em uma sensível, forte e inspiradora lição de vida

Nota 4/5
O Juiz
Muito se comenta que estamos vivendo uma geração de crianças sem limites. Criadas em famílias cada vez menores, com mais apelo ao consumismo e terceirização do processo de interação social. A consequência disso podemos observar com facilidade. Está no noticiário da TV, nas revistas, na internet, na escola e dentro de nossa casa. Filhos mimados, adolescentes cada vez mais agressivos e adultos imaturos. O que fazer? Há um caminho? Quem é o responsável? Qual o custo de transformar essa realidade?

Joseph Palmer (Robert Duvall) mostra que há saída. No filme O Juiz ele é o magistrado que dá nome ao título. Seu filho é Hank Palmer (Robert Downey Jr.), um advogado de muito sucesso. Eles não se falam há anos. Mas quando a matriarca morre, o filho pródigo é obrigado a voltar à pequena cidade em que cresceu para participar do velório. O clima é de hostilidade mútua. Mas pouco antes de ir embora, ocorre um fato que muda o destino de todos.

O Juiz O Juiz

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014 às 10:13

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Guardiões da Galáxia: a aventura espacial mais divertida desde Star Wars

Nota 4/5
Guardiões da Galáxia
Você é responsável por suas atitudes! Essa talvez seja uma das maiores verdades universais. Tudo que fazemos ou deixamos de fazer, molda nosso caráter e ressoa no infinito. Tive uma prova disso essa semana. Sete anos atrás escrevi um e-mail infeliz insinuando a um amigo que ele havia tido um comportamento preconceituoso. Depois de todo esse tempo, ele retornou minha mensagem encerrando a amizade e cortando o diálogo. Claro, se pudesse voltar no tempo, não teria apertado o botão enviar. A história seria reescrita.

Com esse mesmo dilema, logo na primeira cena do filme Guardiões da Galáxia, o menino Peter Quill (Chris Pratt) tem a chance de abraçar a mãe pela última vez. Deitada no leito de morte, a despedida não acontece. O garoto hesita. Essa chance perdida acaba forjando seu espírito para sempre. Daquele momento em diante, o rapaz joga-se de forma inconsequente em todas as aventuras. Certamente influenciado pela ideia da passividade, ele assume um comportamento imprudente em suas decisões.

Guardiões da Galáxia Guardiões da Galáxia

domingo, 22 de setembro de 2013 às 11:40

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Inferno: uma peregrinação malthusiana pelo ponto turístico criado por Dante Alighieri

Nota 4/5
Inferno - Uma Nova Aventura de Robert Langdon
Acabamos de chegar à marca de 7,2 bilhões de pessoas vivendo na Terra. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as projeções de crescimento demográfico apontam que esse número será de 8,1 bilhões em 2025. É matemática: o consumo de recursos naturais hoje excede em 50% a capacidade da natureza de se renovar. Mantendo esse padrão de vida, em 20 anos serão necessários dois planetas Terra. Esse é o resultado do ritmo de crescimento da população mundial a partir da Revolução Industrial.

A explosão demográfica foi abordada de forma contundente em 1968, através da publicação do livro "A Bomba Populacional", do biólogo americano Paul Ehrlich. Naquela época a população era de apenas 3,5 bilhões. O problema da superpopulação estava só decolando. Desastres envolvendo a escassez de alimentos, a destruição da natureza e riscos biológicos, eram apenas enredos de ficção científica. A revista Superinteressante de maio de 1993 (ed. 068) abordava o tema: "O argumento de Ehrlich era simples: se o crescimento da população não fosse contido, a própria natureza se incumbiria de contê-lo."

Esse assunto volta à pauta global por culpa do livro Inferno - Uma Nova Aventura de Robert Langdon, sexto romance policial do escritor americano Dan Brown. Em teoria, debater um tema tão complexo através das peripécias de um professor de simbologia que usa relógio do Mickey, chega a ser patético. Na prática, os recursos estilísticos empregados têm compromisso apenas com a beleza estética do texto e com o nível de imersividade na história. A ficção termina na ficção. Mas o que não podemos negar é a plasticidade da Teoria Populacional Malthusiana, argumento que sustenta o romance.

domingo, 21 de julho de 2013 às 15:00

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O Homem de Aço: antropologicamente uma das mais completas e instigantes alegorias sobre família e poder

Nota 4/5
O Homem de Aço
"O que é um homem? Um homem não é nada. Sem sua família, ele é de menor importância que aquele inseto que atravessa a trilha, de menor importância que a saliva, que as exúvias. Pelo menos, elas podem ser usadas para ajudar a envenenar um homem. Um homem deve estar com sua família para ter alguma importância conosco. Se ele não tem ninguém para ajudá-lo, na primeira dificuldade em que se meter será morto pelos seus inimigos, porque não terá parentes a ajudá-lo a combater o veneno do outro grupo."

O kryptoniano Kal-El, no filme O Homem de Aço, certamente concordaria com essa filosofia soliloquiada por um velho índio pomo, da Califórnia, citado por Hoebel & Frost no livro "Antropologia Culural e Social". A família é fundamento de todas as sociedades existentes. É impossível entender o funcionamento da maioria das sociedades passadas e presentes, sem compreender o parentesco. Esse pra mim é o tema central da nova adaptação para o cinema da história do Superman. A jornada de provações mentais de nosso herói exerce mais importância que o processo de aprendizagem dos superpoderes físicos.

O Homem de Aço O Homem de Aço

domingo, 11 de novembro de 2012 às 11:51

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Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa: domesticação zumbi no caminho do bicho homem

Nota 4/5
Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa
Ir ao supermercado, levar as crianças à escola, pagar as prestações do carro. Pequenas atividades que em conjunto formam nossa rotina. E no exercício dessa dinâmica social, o homem se mantém em segurança e assume a condição de civilizado. Mas... e se não existisse essas regras? E se uma doença contaminasse os sete bilhões de habitantes do mundo, transformando todos os mortos em zumbis? Nesse caso, sobreviver não seria apenas uma reflexão filosófica; sobreviver seria o pão de cada dia. Pra mim é difícil imaginar que novo humano nasceria desse cenário.

Uma possibilidade está na história em quadrinhos Os Mortos-Vivos (Vol. 5) - A Melhor Defesa. Ela nos apresenta um cardápio de arquétipos do bicho homem forjados nos extremos entre razão e loucura. Aqui nesse ponto da saga, Rick e sua pequena comunidade estão estabelecidos em um presídio abandonado. No local encontram tranquilidade suficiente para voltar a sentir o gostinho humano das intrigas e vaidades. Momentos só abalados com a misteriosa queda de um helicóptero nas redondezas, obrigando a divisão da equipe e a descoberta do processo de domesticação zumbi.

O material diz respeito aos volumes mensais de 25 a 30 da premiada grafic novel "The Walking Dead", publicados originalmente nos EUA entre os meses de janeiro e agosto de 2006. Esse arco coincide com o início da terceira temporada do famoso seriado televisivo. O tom entre essas duas obras é o mesmo, porém com significativas diferenças de roteiro. Personagens mortos no programa da TV ainda vivem na HQ. O relacionamento entre eles também difere, assim como o humor/comportamento, como exemplo o da Lori. Mas realmente brutal é a discrepância entre os "Governadores", especialmente na introdução do personagem ao enredo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012 às 13:49

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Batman - O Filho do Demônio: a história que nos desafia a decifrar o mistério da paternidade do Cruzado Encapuzado

Nota 4/5
Batman - O Filho do Demônio
Desde o primeiro dia de nascimento de seu filho, o inglês Ian McLeod vem registrando fotos diárias do menino. Depois de 21 anos e mais de 7500 registros, esse disciplinado pai compilou tudo em um vídeo. Qual a explicação para tamanha dedicação? O que motivou esse homem? O que acontece conosco diante do nascimento de um filho? Não é difícil explicar. A experiência da paternidade reconstrói a escala de valores, tornando a vida linear, com missão, objetivo e estratégia bem definida: a segurança do filho.

Com a maioria das pessoas é assim. Mas com algumas é difícil imaginar a figura paterna. A grafic novel Batman - O Filho do Demônio tenta quebrar esse preconceito, mostrando que até os super-heróis se curvam diante do milagre da vida. Aqui a história central é a união de forças entre o Homem-Morcego e seu lendário inimigo Ra's al Ghul, contra um terrorista genocida chamado Qaym. Mas a grande trama é o romance de Bruce Wayne e Talia. É na união do morcego com o demônio que surge o laço eterno sob a benção de um filho: Damian.

Batman - O Filho do Demônio foi publicada originalmente nos EUA em 1987, tornando-se um clássico ao longo dos anos. A maior parcela do sucesso é atribuída ao texto de Mike W. Barr, que realmente construiu muito bem a história. Desde a primeira sequência -- em o herói salva uma mulher grávida -- até a última, há sempre uma conexão simbólica que nos leva à reflexão. Há também uma sagacidade cômica que salta aos olhos, como na recomendação de Batman: "Uma criança precisa dos pais. É terrível que tenha que crescer sozinha".

sábado, 29 de setembro de 2012 às 13:22

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Prometheus: a busca por respostas no Jardim do Éden termina na origem da Quadrilogia Alien

Nota 5/5
Prometheus
Nessa quinta-feira a humanidade testemunhou uma descoberta que pode mudar o curso da nossa história. A sonda Curiosity encontrou na superfície de Marte evidências de que, no passado, houve água corrente no planeta vermelho. A NASA explicou que o cascalho aponta um curso d'água que "corria vigorosamente" pela área, localizada entre a borda norte da cratera Gale e a base do Monte Sharp. E esse é o ingrediente que faltava para provar a existência de vida extraterrestre. E agora, quais as implicações dessa descoberta?

Prometheus, novo filme Ridley Scott, tem as respostas. Nele dois cientistas encontram uma conexão entre pinturas de diferentes eras. A partir desse achado, desenvolvem uma teoria sobre a existência de vida em um planeta de outro sistema solar. Eles então iniciam uma expedição interestelar na nave Prometheus, composta por mercenários, bilionários e um robô humanóide. Depois de uma longa hibernação, a tripulação chega ao planeta em 2093, encarando de frente os perigos e descobertas desse Jardim do Éden.

Prometheus Prometheus

terça-feira, 21 de agosto de 2012 às 18:08

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Hatfields & McCoys: a sangrenta e histórica rixa familiar do faroeste americano

Nota 5/5
Hatfields & McCoys
Certa vez fui vaiado por uma plateia inteira quando falei da Batalha do Jenipapo. O pessoal ficou espantado porque chamei de evento mais importante na luta pró-independência do Brasil. Desconhecida de boa parte das pessoas, a data 13 de março de 1823 se transformou em um símbolo da resistência contra as tropas portuguesas lideradas pelo temível Major Fidié. Em outro cenário, a coragem daqueles heróis poderiam inspirar gerações de brasileiros. Já dizia meu professor: conhecer nossa história significa descobrir quem realmente somos.

E uma excelente fonte de informação é o canal por assinatura The History Channel. Além dos documentários que nos desafiam a entender o passado sob diversos pontos de vista, eles agora também estão produzindo séries de ficção. O exemplo mais recente do sucesso dessa empreitada é Hatfields & McCoys, minissérie de faroeste dividida em três episódios. A produção bateu o recorde de maior audiência da TV a cabo nos EUA.

Hatfields & McCoys Hatfields & McCoys

sábado, 18 de agosto de 2012 às 09:38

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O Ditador: uma comédia livre de moralismos que questiona os rumos da democracia americana

Nota 3/5
O Ditador
Os ditadores estão em extinção. Saddam Hussein, Kim Jong-il, Muammar Kadhafi, Augusto Pinochet, Slobodan Milošević, todos mortos. Até mesmo o maluco do Osama bin Laden já bateu as botas. Não sobraram líderes opressores para conduzir as ovelhas órfãs. E agora que a democracia impera em todo o mundo, já podemos bater no peito e comemorar? Esse é o melhor regime de governo? A tirania da maioria representa o melhor caminho? O poder realmente emana do povo? Quais os interesses ocultos desse novo cenário?

A comédia O Ditador promove uma reflexão sobre esse assunto. Em seu peculiar estilo, o britânico Sacha Baron Cohen emula um ditador de um país fictício do norte da África. Em visita ao EUA, ele sofre um golpe de Estado patrocinado pelo interesse externo nas riquezas do país. Com aval da ONU, o país inicia o processo de democratização. A tarefa do personagem título é provar que a ditadura é o melhor regime para o povo.

O Ditador O Ditador

quinta-feira, 16 de agosto de 2012 às 18:38

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O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida: uma distopia psicodélica sobre ativismo ambiental

Nota 2/5
O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida
Dizem que toda pessoa carrega três missões ao longo da vida: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. A primeira vez que escutei isso estava na altura de meus 10 anos. Sem idade para filhos e conteúdo para livros, resolvi plantar uma mangueira. Em pouco tempo as ramificações ornamentavam a frente de minha casa. Era um orgulho. Mas ao longo dos anos as raízes começaram a invadir a casa. Um dia, quando cheguei da escola, a pobre mangueira havia sido derrubada. O vazio deixado desconfigurou a imagem sentimental que tinha de minha casa.

Ficou a lição: uma árvore é tão importante quanto qualquer outra vida. E é justamente essa a ideia que a animação O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida planta em nossa mente. O tal "Lorax" é um defensor da natureza. Originalmente a história é baseada no conto homônimo de 1971, escrita por Dr. Seuss, um popular escritor e cartunista americano. O filme é uma distopia clássica, bem ao estilo do livro "1984" de George Orwell. A estrutura é a mesma: uma cidade isolada, um ditador totalitarista e um regime opressor. Tudo é que chega ao cidadão é controlado e artificial.

O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida

domingo, 12 de agosto de 2012 às 15:23

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Battleship - A Batalha dos Mares: apesar da carga ideológica, uma exuberante invasão alienígena

Nota 4/5
Battleship - A Batalha dos Mares
O cinema é uma ferramenta usada pelo EUA para exercer dominação cultural em todo o mundo. Em alguns países esse poder ultrapassa a fronteira do interesse público. Como mostrado no livro "A Invasão Cultural Norte-Americana", o Tio Sam usa tanto pressões diplomáticas, sanções econômicas e campanhas publicitárias, como ainda operações secretas e intervenções militares. Nesse cenário, os filmes têm o importante papel de implantar subliminarmente em nossas mentes uma espécie de homologação ideológica.

Uma pitada desse método é Battleship - A Batalha dos Mares, um filme claramente financiado pelas Forças Armadas americanas. A história praticamente nos convoca ao alistamento militar. O protagonista é Alex Hopper (Taylor Kitsch), um rebelde oficial naval da marinha. Ele é noivo de Sam (Brooklyn Decker), filha do severo almirante Shane (Liam Neeson). Ao lado dela, do irmão Stone (Alexander Skarsgaard) e da especialista em armas Cora Raikers (Rihanna), o rapaz tentará combater uma misteriosa força alienígena que desembarca na Terra em pleno alto mar.

Battleship - A Batalha dos Mares Battleship - A Batalha dos Mares

quinta-feira, 26 de julho de 2012 às 18:00

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Bussunda - A Vida do Casseta: histórias de bastidores do humorista multiplataforma erradamente certo

Nota 3/5
Bussunda - A Vida do Casseta
Tenho dificuldade com despedidas. Muitas vezes demoro a processar a morte de um parente, um amigo. E esse sentimento transfiro a alguns ídolos. No esporte, por exemplo, até hoje sinto o vazio deixado pelo Senna. Na música senti bastante a tragédia com os Mamonas Assassinas. Na literatura sofri com o adeus ao português José Saramago. Em todos esses casos procuro conhecer o legado deixado. Venho tentando fazer isso com um grande personagem da televisão: Cláudio Besserman Vianna, o homem em tempo integral no papel de Bussunda.

É interessante dizer isso logo no início pois foi a primeira coisa que aprendi lendo a biografia Bussunda - A Vida do Casseta, escrita pelo jornalista Guilherme Fiuza. O livro poderia facilmente se chamar "Bussunda, o errado que deu certo", pois ele era aquele universitário típico. Passava trotes, promovia sacanagens com professores, comandava brincadeiras com mendigos e todo tipo de putaria que alguém possa imaginar. Ele literalmente foi dado como caso perdido. A família fez até pacto para que os irmãos sustentassem o vagabundo até o fim.

Mas como todo moleque esculhambado, Bussunda era popular. Foi nesse período que conheceu o companheiro Hélio de la Peña. Achei muito legal a relação entre os dois. O autor soube descrever com detalhes histórias curiosas daquele período. Inclusive o livro tem uma espécie de mini-biografia do Hélio. Bem emocionante por sinal. Na mesma época os outros malucos foram se juntando: Reinaldo, Cláudio Manoel, Beto Silva, Marcelo Madureira, Hubert. Pirados e cheios de ideias anarquistas, fundaram o Casseta & Planeta.

terça-feira, 24 de julho de 2012 às 21:54

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Superman #1 - Os Novos 52: nesse novo recomeço, o herói exige um exercício de paciência ao leitor

Nota 2/5
Superman #1 - Os Novos 52
Quase um ano após a publicação nos EUA, comprei a edição #1 do Superman. Quem poderia imaginar que uma série com mais de 70 anos fosse resetar a contagem. É realmente uma decisão muito polêmica, especialmente para os fãs que acompanham -- e colecionam -- as HQs da DC Comics. Eu não gosto de radicalismos, especialmente envolvendo personagens consagrados. Mas ao mesmo tempo entendo que a adaptação ao novo modelo de mercado (tablets), passa necessariamente por um reposicionamento de marca.

Em Superman #1 - Os Novos 52 temos a oportunidade de conhecer um homem de aço mais "homem" do que "aço". São três histórias. A primeira é "Qual é o preço do amanhã". Gostei da dinâmica na transição entre os quadros pela arte de Jesús Merino. O desenhista conseguiu desenvolver simultaneamente três ambientes -- incluindo flashbacks -- sem confundir o leitor. Méritos também para a densidade moral do roteiro de George Pérez.

Eles conseguiram transparecer a emoção da destruição do Planeta Diário. Ou melhor, a venda da marca para a megacorporação de Morgan Edge. Ele inclusive mudou o nome do veículo para RGP - Rede Global Planeta. Legal também foi a disputa entre as mídias na abordagem das notícias, retrata bem o momento que os veículos de informação estão vivendo hoje. O vilão é um alien flamejante um pouco confuso e sem propósito, mas gostei bastante do duelo.

sábado, 21 de julho de 2012 às 00:00

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NBA Jam: o "boomshakalaka" agora em dispositivos móveis

Nota 3/5
NBA Jam
Essa franquia nascida no ano de 1993 traz boas recordações a muitos marmanjos mundo a fora, pois trouxe como proposta uma disputa em quadra de basquete em duplas, enterradas alucinantes, quebra de tabela e personagens inusitados como políticos e celebridades em quadra, num momento em que os jogos de esportes estavam muito sérios. Ela foi ressuscitada no Wii, porém trouxe algumas decisões de projetos que desanimou muitos possíveis compradores (multiplayer on-line) e também surgiu nas plataformas da Apple e Android.

No Android (provavelmente o mesmo valor na Apple Store) o jogo custa R$10,04, não sendo caro, pois serão horas de diversão garantida com direito a um sistema de conquista que cria um replay value muito bom. Nessa versão, diferente da versão para Wii, existe multiplayer on-line, tentei encontrar alguma partida, mas não consegui, pois o jogo não encontrava participante, provavelmente o on-line se restrinja a dispositivos conectados numa mesma rede.

NBA Jam

quarta-feira, 18 de julho de 2012 às 00:10

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A Nova Desordem Digital: o mais poderoso método de conhecimento que a humanidade já teve acesso

Nota 3/5
A Nova Desordem Digital
Em meados de 1995 recebi em casa através de mala direta, um catálogo diferente. Ao invés de telefones, ruas ou bairros da cidade, a lista trazia uma série de URLs. Através de um computador ligado a um telefone, eu poderia navegar por inóspitas homepages espalhadas pelo mundo. Nessa época Internet era um terreno a ser desbravado. Naturalmente não haviam tantas ferramentas para exploração desse novo conhecimento. Por isso o catálogo foi útil. Através daquele modelo informativo consagrado em outras mídias, consegui enxergar um sentido na grande miscelânea.

Esse último verbete, por sinal, é o mote usado pelo escritor David Weinberger na condução do livro A Nova Desordem Digital. O dicionário Houaiss traduz miscelânea como uma "mistura de várias coisas". E nada mais confuso, bagunçado, anarquista e misturado que a World Wide Web. Apesar disso, incrivelmente essa grande rede mundial transformou nossa sociedade. O mundo agora está conectado e a informação democratizada. Mas isso só não basta. É preciso entender o que está acontecendo com o conhecimento que já temos e seu papel na teia externalizada que estamos tecendo.

Talvez Tim Berners-Lee não tivesse ideia da importância disso quando inventou essa tal Web. A premissa original era de assegurar que a grande rede fosse uma zona de livre acesso, onde "qualquer um poderia colocar nela o que quisesse, e qualquer um poderia fazer um link para qualquer coisa, tudo sem alertar um registro central, sem ter de obter aprovação e sem ninguém ter de dizer exatamente onde armazenar o novo material." Com essa presunção, a Web cresceu sem um plano, e possivelmente por isso sua evolução foi tão fenomenal.

quarta-feira, 11 de julho de 2012 às 00:52

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As Crônicas de Gelo e Fogo - A Dança dos Dragões: o patamar inexpugnável de mil personagens

Nota 4/5
As Crônicas de Gelo e Fogo - A Dança dos Dragões
A revista Superinteressante (ed. 276 / mar-10) trouxe um texto do Alexandre Versignassi sobre ebooks readers, em especial Kindle e iPad. Ele escreveu: "Quem gosta de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até." Eu me enquadro nesse grupo. Por mais que aprecie dispositivos eletrônicos, prefiro livros "de verdade". Gosto de sentir a textura, o acabamento, algum detalhe em relevo. Quando compro um volume novo, passo horas apenas dedilhando as páginas, admirando a capa...

Por essa minha fixação, fiquei triste ao receber a primeira edição de A Dança dos Dragões, quinto capítulo da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Em março a Editora LeYa havia divulgado uma versão fantástica, valorizando a belíssima arte do ilustrador Marc Simonetti. Mas a versão final que chegou às livrarias em julho veio com um problema de enquadramento. A personagem Daenerys foi jogada para a orelha. Sobrou o dragão negro, que sozinho perdeu o sentido. Como castigo da khaleesi, o livro estava com um capítulo a menos, obrigado recall de 150 mil exemplares!

Mas sejamos claros: As Crônicas de Gelo e Fogo é uma história acima de qualquer uma dessas bobagens. Fosse escrito no chão com carvão, a história despertaria a mesma fome de leitura que assola os fãs. Pra mim George R.R. Martin é um demônio, fazendo malabarismo com mais de mil personagens em caminhos totalmente díspares. Bem verdade que no caso desse livro, assim como o anterior, o autor agrupa o pessoal. A Dança dos Dragões foca os acontecimentos ao longo da Muralha e no outro lado do mar, incluindo a volta do anão Tyrion, Jon Snow e a Mãe dos Dragões.

segunda-feira, 25 de junho de 2012 às 22:59

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As Crônicas de Gelo e Fogo - O Festim dos Corvos: pouca objetividade para preencher lacunas pós-guerra

Nota 3/5
As Crônicas de Gelo e Fogo - O Festim dos Corvos
Ao fim da primeira trilogia da saga literária As Crônicas de Gelo e Fogo, o escritor americano George R. R. Martin declarou que originalmente havia planejado continuar a história dando um salto de cinco anos a partir do terceiro romance. A ideia era dá tempo aos personagens mais jovens e corpo aos filhotes de dragão. A estratégia foi abandonada, tendo o autor escrito um calhamaço com mais de 1500 páginas para preencher a lacuna. Por pressão dos editores, segregou os personagens em dois livros: um centrado em Porto Real e outro ao longo da Muralha.

Esta resenha é sobre a primeira parte dessa jornada, chamada O Festim dos Corvos. O título sintetiza bem a história, pois a narrativa explora a reação dos personagens diante da nova estutura de poder. Aqui, Westeros encontra-se em um cenário pós-guerra, com corpos espalhados pelas estradas e criminosos levando terror aos sobreviventes. Em momentos assim, os seres humanos da vida real costumam se apegar à religiosidade. Não é diferente na ficção.

O Festim dos Corvos explora a fé como nenhum outro até agora. Eu estava bem ancioso para mergulhar nesse novo paradigma da aventura. Porém, depois de algumas centenas de páginas, comecei a achar bem chata a exploração massiva das divindades. Praticamente todos os personagens tiveram que conviver com algum tipo de profeta. O pior deles é Olho de Corvo e seu Deus Afogado. Falta aos homens de ferro carisma para conquistar a empatia do público. É difícil imaginá-los em Porto Real.

segunda-feira, 4 de junho de 2012 às 18:39

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As Crônicas de Gelo e Fogo - A Tormenta de Espadas: carnificina real numa guerra de coragem e covardia

Nota 5/5
As Crônicas de Gelo e Fogo - A Tormenta de Espadas
Existe um velho conto árabe chamado "As Mil e uma Noites", narrado pela jovem Xerazade. Corajosa, ela se ofereceu a casar com o rei persa Xariar, conhecido por matar todas suas esposas ao amanhacer, após tomá-las a virgindade. Porém, na noite de núpcias, Xerazade oferece a rei uma de suas histórias. Inteligente, interrompe a narrativa ao raiar do dia, provocando uma curiosidade a respeito do desfecho. Sob a bênção do rei, escapa da morte. Na noite seguinte, repete a tática. E assim suas maravilhosas histórias garantiram-lhe a vida por um longo tempo.

Sinto isso a respeito do escrito George R. R. Martin, autor da série de fantasia As Crônicas de Gelo e Fogo. Assim que terminei o livro três da saga, intitulado A Tormenta de Espadas, fiquei imaginando pra onde a história caminhará. É realmente uma incógnita. E isso é ótimo para o leitor! pois mantém o cérebro sempre esperto para absorver acontecimentos importantes e reprogramar as conjecturas. Especialmente no caso desse livro, são tantos acontecimentos importantes que se tornam obrigatórias paradas para reflexão ao longo dos capítulos.

Personagens cruciais criados e desenvolvidos, simplesmente viram filé de corvo. Não um, mas vários. Dessa forma, as páginas vão passando e novos cenários sendo construídos. Junto a isso, temos o aumento dos eventos sobrenaturais. Ao que parece, cada canto de Westeros agora tem sua própria "magia": dragões, feiticeiras, mortos-vivos, lobos-homens. Para quem tinha lido o primeiro livro e pensado que os Lannisters eram a grande ameaça, o autor nos coloca na garupa de Jon Snow, no meio do acampamento dos selvagens... Gigantes!, mamutes! e criaturas despertas de um longo sono.